Os bastidores da crueldade

O que é o Instituto Royal?

Em artigo, o professor aposentado da Unicamp Carlos Alberto Lungarzo tenta desvendar o que faz o Instituto, quem são seus clientes, que experimentos fazia com os beagles resgatados e como garantir o avanço ético da ciência. Leia abaixo.

O Que é o Instituto Royal?

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Todo aquele que vive da ciência é mesmo cientista?

Por Carlos Alberto Lungarzo*

Ativistas dos direitos animais, desarmados, entraram num bunker de tortura de bichos protegido por guardas, para liberar 178 beagles, o que deve ser considerado um gesto até agora ímpar no Brasil, análogo aos feitos dos ecologistas e os pacifistas no mundo desenvolvido.

Não é por acaso que a mídia, alguns blogueiros, os profissionais da ciência e diversos membros do establishment se unificaram numa ampla perseguição contra os ativistas.

Esta é a primeira vez que uma petição no Brasil tem 660.014 assinaturas (às 11:00, 30/10) em apenas um de vários sites que acolhem o protesto.

Os especialistas em assuntos gerais dizem que o instituto era uma referência nacional. Mas, afinal, ninguém responde:

O que é o Instituto Royal?

Busca inglória

Durante décadas no Brasil, eu nunca havia ouvido falar do Instituto Royal de São Roque, SP. Envergonhado, comecei uma busca com pouco retorno, através da internet.

Encontrei o verbete “Instituto Royal” no Google, mas associado apenas a protestos contra o trato cruel de animais (desde 2012), ou, a partir do dia 18/10/13, associado com a liberação dos beagles. Não encontrei nenhum site nem página, que indicasse a estrutura, função, staff, propósitos e história do Instituto. Quase toda ONG têm pelo menos um pequeno site com todos esses dados, salvo que…

(Procure no Google a palavra “instituto”, e acrescente diversos nomes. Verá que todos os institutos têm um site com uma aparência como a deste aqui.)

O único que encontrei foi uma página de 23 linhas, criada nas coxas e claramente às pressas pouco após a libertação dos cachorrinhos, explicando, superficialmente e sem dados, que o Royal era muito bom e tudo estava nos conformes. Obviamente, essa “informação” só serviu para aumentar as suspeitas.

A maior dúvida era que tipo de coisa era o Royal:

Um instituto dentro de uma estrutura pública, por exemplo, da USP? Ou um instituto dentro de uma estrutura privada, por exemplo, da PUC? Um instituto federal, como o IMPA? Ou Estadual como o BUTANTÃ? Ou Privado como o ETHOS? …. Uma empresa com fins lucrativos? Uma ONG?

Alguém me disse que era uma OSCIP e procurei nos Registros de domínios da Internet. As OSCIPS são um tipo de Organizações semelhantes as ONGs, mas que podem ter parceria com o poder público, e gozam de muitos direitos e outros tantos deveres, alguns dos quais nem sempre são bem usados. Vide.

Eis o que achei no Registro.br

Domínio: institutoroyal.org.br
Servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
Servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
Expiração: 2014-07-02
Status: Publicado
domínio: institutoroyal.org.br
titular: Inst. de Ed. p/ Pesq. e Desenv. Inov. tec. Royal
documento: 007.196.513/0001-69
responsável: Silvia Ortiz
país: BR
c-titular: INROY
c-admin: INROY
c-técnico: INROY
c-cobrança: INROY
servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
criado: 02/07/2009 #5725335
expiração: 02/07/2014
alterado: 25/10/2013
status: publicado
Contato (ID): INROY
nome: Instituto Royal
e-mail: [email protected]
criado: 25/10/2013
alterado: 25/10/2013

O problema continua. Onde a gente encontra tudo isto: o histórico “científico” do Royal, seus protocolos experimentais, a lista de seus colaboradores e clientes, os produtos realmente aplicáveis que foram viáveis graças a seus testes, os registros de suas experiências longitudinais, etc.

Aliás, é o Royal conhecido no exterior? Qualquer Instituição Brasileira respeitável é conhecida em todo Ocidente, pelo menos, pelos especialistas. Esta pergunta é relevante, porque nem organizações radicais de defesa dos animais, como PETA (vide), incluem o Royal na sua lista de desafetos. Ou seja, para os ecologistas, Royal nem merece aparecer na lista dos vilões.

Formulo em minha própria linguagem uma pergunta que já fez a batalhadora atriz Luisa Mell: Por que ninguém, salvo as elites e as forças repressivas, consegue entrar nesse maravilhoso instituto? (Veja o blog de Luisa aqui).

Aliás, o Royal obteve seu credenciamento pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal) somente em 2013, mais precisamente há poucas semanas. O Deputado Estadual por São Paulo, Fernando Capez fez notar, num incisivo e emocionante discurso na ALESP que, sendo assim, nos anos anteriores de funcionamento as experiências não eram supervisionadas. Mas as coisas estranhas continuam: Em 2012, apesar disso, o Royal recebeu oficialmente R$ 5.249.498,52. Para quê? O lugar onde está instalado o Royal foi declarado para funcionar como canil. (Vide). Estranho, se até poucas semanas atrás a finalidade era outra e não havia fiscalização do CONCEA, então os testes e as torturas de animais poderiam ser aplicados sem qualquer protocolo a verificar.

De acordo com as generosas regras, uma Oscip tem cinco anos para se credenciar. Então, o Royal não estava em infração de acordo com a lei. Mas, seus trabalhos começaram, dizem, em 2005. Então, como é possível que as autoridades do Royal digam ao jornal O Estado de São Paulo, que os ativistas defensores dos animais “fizeram perder 10 anos de pesquisa”? (vide, 2º par.)

Isto significa que, nos primeiros 5 desses 10 anos, o patrimônio genético coletado estava em outros institutos e foi transferido ao criar o Royal, ou que foi acumulado por pesquisadores individuais ou pequenos grupos que se uniram para formar o Royal, ou alguma outra coisa igualmente espúria.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Intermezzo: Ciência e Ética

A ofensiva dos mercadores de animais para tortura tem atraído o mais sujo e infame da mídia, como a famosa revista subvencionada por racistas sul-africanos. Esta, em maior medida, mas também outras, aparentemente menos rasteiras, fazem gozação dos argumentos dos defensores de animais (DA, doravante) como: “Você nunca deu um remédio a seu filho doente? Ele foi testado em animais.” Estas insanidades confundem os leigos, que passam a ter um ódio irracional pelos ativistas, mas a motivação é apenas sede de lucro.

Cuidado! Muitos defensores de animais, especialmente líderes, aconselham calma e mesura aos seus colegas em suas ações, porque a comunidade científica está quase totalmente contra os ativistas. E como se pode pensar que a ciência, que foi a arma maior da racionalidade contra a superstição e o preconceito, possa incorrer nas mesmas provocações? Por exemplo, o ministro de Ciência, Marco A. Raupp, doutorado na University of Chicago sob a orientação de Jim Douglas Jr. com uma tese sobre métodos de Galerkin, uma tese séria, diz coisas como “isto se faz em todo o mundo, não apenas no Brasil”. Isso é um argumento próprio, ou melhor, suficiente para um matemático?

Bom, os DA’s, mas especialmente os de esquerda, como em meu caso (há DA’s de diversos estilos: religiosos, apolíticos e até de direita, como Brigitte Bardot), devemos nos confrontar com uma nova massa poderosa, além dos que têm as armas, o poder institucional e o dinheiro, agora aparecem os cientistas. Nossa! Um caso para que Clark Kent se transforme em Super Homem.

Mas, as coisas não são assim tão lineares. A relação entre ciência e sociedade é um problema complexo que têm séculos de história, começando com o confronto de Marx e Engels com os positivistas e malthusianos. Podemos, pelo menos, fazer uma observação geral até retomar a questão em outro texto.

O que hoje se chama “ciência” (chamada até 1844 Filosofia Natural, quando Wheeler aplicou a ela o termo science) foi filha da velha filosofia especulativa, cujos mitos e divagações combateu desde a época antiga (Epicúreos contra os dogmas Aristotélicos) e a época medieval (Escola de Oxford contra as invencionices de Santo Tomás), até crescer e poder prescindir totalmente da filosofia especulativa, com Galileu, Newton e a brilhante era da razão dos séculos 17 e 18. Quando Newton inicia seus Princípios Matemáticos da Philosophia Natural, deixa claro: a física (filosofia natural) se ocupa da matéria.

Ora, se a ciência está fundada sobre o empirismo e o racionalismo em ação conjunta, como é possível que a grande massa dos cientistas esteja equivocada? Esse é o ponto.

Os cientistas não estão equivocados. Mas nós devemos diferenciar entre racionalidade científica e racionalidade ética. Quando estas estiverem integradas o mundo será uma maravilha, agora podemos reconhecer essa integração nas obras de algumas poucas figuras brilhantes da história da ciência do século XX como Bertrand Russell, Linus Pauling, Noam Chomsky… e muitos seguidores desconhecidos.

Muitas pessoas bem intencionadas, mas que desconhecem o ventre do mundo científico, confundem um fato absolutamente verdadeiro: (a) A ciência é a única forma de conhecimento objetiva, justificável, sistemática, aproximadamente explicativa, e produtora de enunciados crescentemente confirmáveis; com um falso: (b) Os cientistas são atores sociais que usam esse conhecimento para bem do mundo, de maneira ética e generosa.

Esta fábula pintada em (b), minha geração leu quando criança nos livros da moral oficial, mas basta chegar a adolescência para saber que não é assim a coisa real. As provas são esmagadoras: Alguém duvida que o 3º Reich teve de seu lado não apenas engenheiros, médicos e tecnocratas, mas também grandes cientistas, físicos, químicos e biólogos? Quantos prêmios Nobel em física trabalham na produção de bombas atômicas? Seria possível a Guerra química sem especialistas na área? Quantos prêmios Nobel americanos trabalham para o Pentágono, para a NSA, para a CIA? Quantos químicos e biólogos se especializam em drogas usadas em tortura?

A ciência é, grosseiramente falando, um conhecimento verdadeiro. Saber a verdade permite a você gerar ações com alta probabilidade de sucesso. Essas ações, porém, não têm moral própria. É o ator social que as dota de moral. Uma mesma teoria pode servir para construir um mundo melhor, ou para enriquecer donos de laboratórios, fabricantes de armas, exércitos, vigaristas e genocidas.

Então, os cientistas com ética pragmática não são inimigos novos. Eles são apenas executores, numa área da sociedade, dos interesses dos antigos inimigos: os grandes grupos econômicos.

Este foi um intermezzo. Volto ao Instituto Royal.

Dramatis Personae

No rodapé da página que o Royal colocou na Internet institutoroyal.org.br, há um link que promete mais informação. Clicando, aparece um vídeo onde uma senhora fala das virtudes do Royal e da malignidade dos invasores.

Essa senhora é mencionada pela mídia como Silvia Ortiz, mas também aparece em alguns outros lados como Sílvia Barreto Ortiz.

No único lugar onde existem dados que podem dar um perfil de Ortiz é na biblioteca da UNICAMP onde aparece sua dissertação de mestrado. Aí, ela está inscrita como:  Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz.

Mas, seu nome não aparece na plataforma de currículos Lattes. Nesta plataforma, mais de um milhão de pessoas vinculadas com o mundo da ciência inscrevem seus currículos. Qualquer pessoa interessada em atuar na área científica pode fazer isso: doutores, mestres, graduados, estudantes, técnicos, até autodidatas.

Procurando no buscador do Google, encontrei 34 referências a Silva Barreto Ortiz, a maioria vinculada com o incidente dos Beagles. Veja aqui. Nunca vi um cientista, mesmo jovem, ter menos de um milhar de referências. Poderia supor-se que Ortiz tem algum interesse em passar despercebida.

Mas, ela aparece sim no depósito virtual de dissertações e teses da UNICAMP. Este é um procedimento padrão da Universidade, e não depende da vontade do autor. Em 02-12-1996, defendeu uma dissertação de mestrado no Programa de Genética e Biologia Molecular.

Nesse acervo (vide) a busca devolve apenas um resultado, que é uma dissertação de mestrado orientada por Julia K. Sakurada. A dissertação pode ser baixada por qualquer pessoa que preencha um breve cadastro no mesmo site. O trabalho estuda os aspectos genéticos da resistência de camundongos a certo agente patógeno. A dissertação confirma afirmações feitas por Ortiz nos últimos dias sobre a necessidade de usar animais saudáveis em experimentação, para evitar contaminação. Seu mestrado parece atentar à criação de um biotério de animais sãos, como sua atual atividade na USP confirma. Nesta universidade, Ortiz aparece como diretora dos biotérios, mas não temos encontrado nenhum dado relativo a seu doutorado.

No site do Institut Pasteur, de Paris (vide), encontramos 81 referências a “Ortiz”, mas todas elas se referem a pessoas com nomes diferentes de “Silvia” ou qualquer outro da gerente do Royal. Doutorado não significa sabedoria, muito menos ética, mas fico intrigado por saber onde Ortiz fez o seu. Fez?

Silvia Barreto Ortiz é também presidente do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal). O colégio aparece em seu estatuto (vide) como uma “sociedade civil, de caráter científico cultural, sem fins lucrativos”. Segundo isso, se sustenta com as mensalidades dos sócios.

Não apenas animal testing

O fato de que Ortiz estivesse vinculada à Unicamp e a USP foi usado como uma credencial de virtude por parte de cientistas e comunicadores. Não pode criticar-se esta adoração quase religiosa pelas pessoas instruídas (que raramente se vê em outros países) numa sociedade onde até ter uma escola primária de mínima qualidade é um grande privilégio, e onde as grandes universidades, especialmente as paulistas, se gabam de seu ranço elitista.

Contudo, apesar de estar num dos setores com menos demanda por parte do capitalismo (lógica matemática e história da ciência), nos 19 anos na Unicamp pude perceber que era difícil encontrar algum colega do campus que não fizesse parte de um convênio, ou tivesse uma consultoria paga através de fundações da mesma universidade, ou super pusesse mais de uma dedicação “exclusiva”, ou que não desse prioridade a seu consultório, escritório, empresa de planejamento ou assessoria, e assim em diante, sem faltar o caso de acúmulo de salários de dois países, embora esses casos fossem raros.

Mas, também a Unicamp tem um histórico sobre experimentação animal muito especial. Pelo menos no único caso que foi divulgado, usaram-se membros da espécie homo sapiens para experimentos com anticoncepcionais Norplant, que produziram danos catastróficos dos quais ninguém foi responsabilizado.

Não é possível dar referências on-line, porque os sites que denunciaram o caso foram desativados pouco depois, por causa de ordens de ninguém-sabe-quem. Era o período entre 1985 e 1993, e a Unicamp coordenou uma ação da qual umas vinte universidades brasileiras se tornaram cúmplices.

A médica Giselle Israel e a socióloga Solange Dacach se arriscaram a fazer uma detalhada pesquisa num universo de 3.544 mulheres das favelas do Rio de Janeiro, até onde os experimentadores chegaram com suas amostras de Norplant. O trabalho das denunciantes foi publicado no Brasil, mas anos depois saiu de circulação. Finalmente, o livro foi publicado em Texas. O leitor encontra uma versão no setor Google books, aqui:

The Norplant Routes-Detours of Contraconception.

Os experimentos em mulheres, pobres e afrodescendentes em sua maioria, foram feitas no Brasil, pois na Finlândia, pátria da matriz, bem como em outros países, as leis proibiam a experimentação em humanos, salvo no caso de voluntários. No caso em apreço, as mulheres nem sabiam exatamente o que estavam recebendo.

A droga não apenas barrou a concepção, como também deixou muitas mulheres estéreis. Além disso, as vítimas sofreram cefaleias (26%), agitação, ansiedade, confusão e agressividade (20%), obesidade (18%) e uns 10% de cistos, queda do cabelo, lesões ao útero e infecções.

Mesmo assim, o coordenador do experimento da Unicamp, o ginecologista LB, afirmava que o Norplant era totalmente confiável.

Nosso atual ministro de ciência talvez teria dito: “Por que tanto alvoroço? Não somos os únicos em fazer experimentos.” Com efeito, o Norplant foi experimentado em 24 países, míseros quintais do 3º mundo habitados por pessoas esfomeadas e marginalizadas, e alguns deles governados por ditaduras.

Não é raro, então, que os cientistas apoiem sem qualquer restrição experiências em animais não humanos, sendo que os experimentos com humanos só podem ser feitos em lugares muito afastados e discretos e isso custa dinheiro.

Quem tem possibilidade de fazer pesquisa de arquivos de jornais, pode ler a reportagem do Jornal do Brasil, caso a página não tenha sido censurada.

LEAL, L. N. Entrevista com Marinete Souza de Farias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de maio 1997.

Algumas pessoas talvez ainda guardem o livro original

ISRAEL, G; DACACH, S. As rotas do Norplant: desvios da contracepção. Rio de Janeiro: Redeh, 1993.

Na busca que fiz com os indicadores “silvia ortiz” e os expandidos “silvia barreto…”, com ou sem acento, seu currículo não é encontrado. Se quiser experimentar por sua conta, procure “cnpq”. Todo cientista tem interesse em figurar no Lattes, inclusive aqueles que abandonam definitivamente a ciência. Meu currículo, desatualizado, é claro, ainda se conserva após de 7 anos de aposentado da vida científica.

O mistério do Royal

É óbvio que o Royal e seu staff estão tentando se esconder, e isso parece ter sido sua atitude desde o começo. As hipóteses sobre as causas deste mistério podem ser várias, mas todas são da mesma índole.

A “fabricação” de animais sãos, para serem alvo de experimentos e depois descartados, deve ter parecido um negócio original e graúdo aos misteriosos e anônimos fundadores do Royal. Com efeito, tendo como padrão de comparação o trato dos doentes pobres nos hospitais, é evidente que os animais usados em experimentação deviam estar eivados de diversas pestes, e os efeitos neles não poderiam ser apreciados. Então, uma ideia brilhante: laboratórios estrangeiros pagariam muito bem por experimentos feitos em animais saudáveis.

Ora, sendo que o Brasil não assina quase nenhum acordo internacional sobre proteção aos animais e os poucos que por ventura tenha assinado não respeita, esse mistério não seria necessário. Mas há outras razões; algumas são mais sociais, outras mais econômicas.

Uma razão é que o povo brasileiro, com seu singular naturalismo e sua sensibilidade com os animais, promoveria, como aconteceu neste caso, uma reação muito grande se todas as atrocidades ficassem óbvias como estas.

Mas, a quem beneficiam estes atos de sadismo na experimentação com animais?

Se descartarmos as disfunções psiquiátricas de alguns pesquisadores (Vide) fica o grande negócio da produção de animais para experimentos tortuosos.

Com efeito, a realização de numerosos experimentos cruéis onde se mutilam, esquartejam, cegam, queimam e matam milhares de animais, diminui as despesas dos laboratórios, pois é menos caro que experimentos in silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas).

Estas duas são formas que, combinadas com experimentações reversíveis e indolores em animais não humanos e em voluntários humanos, substituiriam totalmente a prática atual de tortura e extermínio massivo de bichos.

Por sinal, os argumentos que pretendem que as culturas também exigem experimentação animal são falaciosos. O soro fetal bovino usado em muitas culturas, pode ser extraído mediante uma cirurgia com anestesia. Isto se faz com cavalos de raça e touros reprodutores, cuja saúde é cuidada pelos veterinários dos magnatas muito mais que a de qualquer humano. Quanto à extração do feto sob anestesia é, simplesmente, um aborto. Sendo o aborto aceitável em humanos, por que não seria em animais?

Imagino que os principais clientes sejam laboratórios estrangeiros, sendo que, qualquer que seja o grau de civilização de um país, os capitalistas preferem dinheiro e não direitos, sejam animais ou humanos.

Neste sentido, em muitos países de Europa, e inclusive nos EUA, há restrições para o uso de animais em experimentos. O Animal Welfare Act (Laboratory Animal Welfare Act of 1966, P.L. 89-544) restringe o uso de animais de sangue quente, salvo algumas espécies de ratos.

Obviamente, proíbe totalmente a tortura de bichos domésticos, especialmente gatos e cães, que não podem ser utilizados mesmo mortos, por causa da dificuldade para saber de que maneira morreram.

A União Europeia possui diversas restrições de acordo com o país, mas o testing ban de cosméticos é válido em todos eles (vide). É muito provável que o Royal tenha nesses laboratórios de cosméticos, bem como nos dos produtos de limpeza, seus principais fãs. Um especialista não identificado que colaborou no exame dos beagles teria dito que as raspagens de pele em frio era típica de experimentos com cosméticos.

Se os ativistas se informam o suficiente com cientistas sensíveis (que existem) e pressionam seus parlamentares, poderão conseguir que o Instituto seja desativado, e seus responsáveis indiciados por crimes ambientais. É possível que haja pessoas que sabem exatamente o que acontece no Royal, e que, se lhes fosse dada proteção, talvez falassem. Essa é a esperança. E permitirá um grande avanço ético na ciência.

Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), São Paulo, e milita em Anistia Internacional. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos.

Fonte: Revista Fórum

 

 

 

49 COMENTÁRIOS

  1. Ontem fui ao supermercado para comprar fermento, quando vi a marca ROYAL NÃO COMPREI !!!!
    Sou membro da UIPA desde 1983, quando tinha apenas 4 anos sempre defendi os direitos os animais. Queria me formar veterinária mas quando soube das experiências que faziam com eles eu recusei, fui fazer psicologia, pra tentar fazer com que as pessoas entendessem melhor a linguagem dos nossos bichinhos,…. mesmo assim existiam testes com sapos VIVOS… para colocarmos uma seringa no dorso e para vermos como eles morrem… PARA QUE AQUILOO ???? Eu me recusei a sacrificar o animal e disse ainda para a diretora da Faculdade São Marcos que não iria sacrificar aquele animal por causa de uma experiência ridícula e que eu estaria fora dela. Por fim eu não a fiz mas sinto muito por todas as pessoas que a fizeram. Não tenho mais contato com todas elas mas ainda existem pessoas especiaisem nosso PLANETA, e tudo indica que está mudando para melhor, tanto é que nunca se viu tanto movimento, no mundo todo, em resgate da sustentabilidade, da vida animal e vegetal (Greenpeace, Arca, Olhar Animal, UIPA, e muitas outras ONGS). TUDO É UM CICLO, TUDO SE TRANSFORMA, MAS SEM AGRESSIVIDADE E SEM OBJETIVOS FINANCEIROS ! O meu muito obrigada por todas as pessoas que estão lutando por esta causa ANIMAL…. NÓS TEMOS MJUITO MAIS A APRENDER COM ELES DO QUE ELES COM NÓS !

    NAMASTE /

      • Se você usou o adjetivo ‘famigerado’ com a conotação correta (célebre), curto. Caso contrário, não e recomendo que antes de usar uma palavra consulte ou reveja seu significado.

    • A marca Royal é da Kraft Foods, mesma empresa que administra a Lacta. Sua ignorância em não saber um detalhe simples como esse é justificada por essa mentalidade reacionária e não atenta aos fatos, misturado com extremismo emocional, dado seu comentário em seguida.

      Claro que devemos respeitar os animais, evitar o máximo de testes possíveis (infelizmente a falácia de que a ciência pode evitar todos os testes existe), mas pensar como um já é demais.

    • Me dê um exemplo de ONG que não recebe muita grana para suas atividades. Isso se verificarmos somente o que eles declaram, pois tem muito caixa dois, como nos partidos políticos. Tenho pena de muitos ativistas e militantes partidários: eles acabam sendo inocentes úteis de pessoas que controlam as entidades com dinheiro e poder político. É um rebanho!

  2. parabéns pela reportagem, infelizmente essa matéria me faz sentir nojo cada vez maior de determinados membros da raça humana, que esse movimento não seja “abafado”…

  3. Muito bem. Pelo que andei lendo por aí, essas aulas com animais vivos estão deixando muitos alunos traumatizados. Isso não é ensino. E esse Instituto Royal era apenas um pseudo- laboratório para arrecadar verba pública. Penso no número de “laboratórios” assim espalhados pelo Brasil. Temos que acabar com isso.

    • Se é legalizado ou não, isso é o que menos importa. TODOS os laboratórios que usam animais tem que ser fechados, porque dentro deles acontece a mesma coisa que acontece no Royal – tortura. Todos abusam dos corpos dos animais. Existe, inclusive, um Centro desses lá no Rio Grande do Norte, que tortura macacos e outros animais nesse exato momento. E ele é um laboratório legalizado e fiscalizado.

  4. Texto instigante. Posição super respeitável, ainda mais por vir de um ex-cientista que atuou na área e conhece os meandros da questão tão no limiar dos interesses econômicos X humantinários… Sobretudo aguça nossa curiosidade e a necessidade (NOSSA) de fazer pesquisa (indolor para qualquer ser que seja) sobre a veracidade do que vemos e ouvimos. Os fatos ainda estão por se esclarecer, mas o grande recado é “estejamos atentos”… e mais: de tudo isso o que realmente importa é o debate sobre a questão ÉTICA… é ela que nos transforma e inspira novas gerações melhores e mais evoluídas…

  5. Também defendo os direitos de qualquer ser vivo, mas como ficam as pesquisas científicas que são feitas em prol dos humanos?

    Como ficam os animais que são comidos, como as vacas, galinhas, peixes, jacarés e outros tantos animais?

    Sou ignorante o bastante para não ter respostas para estas perguntas, nem tão pouco a solução que é o mais importante.

    • Referência biblio para os que maltratam os animais:
      Animal Models for the Study of Human Disease by P. Michael Conn
      English | 2013 | ISBN: 0124158943 | 1108 pages | PDF | 55 MB

      Animal Models for the Study of Human Disease identifies important animal models and assesses the advantages and disadvantages of each model for the study of human disease. The first section addresses how to locate resources, animal alternatives, animal ethics and related issues, much needed information for researchers across the biological sciences and biomedicine.

    • As pesquisas podem ser feitas através de métodos alternativos, que dispensam o uso de animais. Tais métodos ainda tem que ser pesquisados e desenvolvidos, e isso custa dinheiro, por isso preferem continuar usando animais.

      Quanto a matar pra comer, a gente tem que saber separar as coisas. Muitos animais, inclusive aqueles que queremos proteger, matam outras espécies pra se alimentar. Alimentar-se é um propósito muito mais nobre do que ganhar dinheiro (que é pro que essas pesquisas com animais realmente servem). E depois uma coisa é matar um animal pra comer, outra bem diferente é submetê-lo a torturas em nome do lucro.

      • Hare, vc já foi num abatedouro? Num criador de galinhas e frango para vc comer?

        A tortura lá é tão grande quanto, e não adianta vc querer se convencer de que comer é um motivo nobre, pq do mesmo jeito que vc diz que já existem métodos para driblar o uso de animais na ciência, já existem alimentos que não precisam que animais sejam mortos para saciar sua fome (sempre existiram, aliás).

        Seu argumento é esdrúxulo, a não ser que vc crie seus animais para alimento e tenha certeza que eles não são castrados a sangue frio, mortos com pauladas na cabeça, criados cheios de hormônios em celad com outros animais e tenham seus bicos arrancados para que não possam se bicar até se matar.

    • O próximo passo, após conseguirem impedir o uso de animais para testar medicamentos, é proibir o consumo de produtos de origem animal (leite, carne, ovos etc.). Os veganos devem sonhar com esse dia. Ou seja, querem impor à maioria as crenças de uma minoria. Estamos vivendo hoje em a ditadura das minorias! Isso é parte da revolução cultural que começou com a Escola de Frankfurt, formada em seu início pelos amigos de Karl Marx.

  6. Artigo maravilhoso…. Parabéns prof. Lungarzo.. Pessoas como você ainda me fazem acreditar que resta uma esperança para a humanidade (inclusive a científica)… Sou física nuclear e amo os animais incondicionalmente…

    • Vocês deveriam informar com mais detalhes: o currículo dela na plataforma Lattes teve a última atualização em 12/03/2004. Não aparecem as informações sobre a formação acadêmica (é melhor investigar primeiro antes de sair atirando e falando pelos cotovelos), mas existem informações sobre produção bibliográfica: “Artigos completos publicados em periódicos” >> 4 (quatro) em língua estrangeira; “Trabalhos completos publicados em anais de congressos” >> 20 (vinte) em português e inglês. Tudo isso até 2004.

      Vamos parar com baixaria e fazer a crítica objetiva. Por que vocês não se dão ao trabalho de ler os artigos publicados?

      Tem alguns que podem revelar muito mais informações, não só sobre ela, mas sobre as próprias universidades públicas e privadas, bem como as fundações que atuam na área, como a Fapesp, por exemplo, cuja página tem um trabalho dela intitulado “A importância da padronização de modelos biológicos usados em pesquisa biomédica – implantação de um sistema de qualidade no centro de bioterismo da Fac medicina/usp”

      Quero ver os ativistas que invadiram o Royal admitirem a cagada que fizeram. Esse negócio de querer fazer justiça com as próprias mãos, como se fossem donos da verdade, é típico do fascismo. Isto pode voltar contra quem faz.

  7. Tem muitas suposições nesse artigo! Tá parecendo um doutrinador marxista-leninista-trotkista-stalinista a serviço da esquerda mundial, financiada com dinheiro de capitalistas, tipo o George Soros, que injeta muito dinheiro em ONGs, inclusive nas que defendem direitos de animais. Faz parte da revolução cultural iniciada com a Escola de Frankfurt. Como podem os ativistas acusar o Instituto Royal de crimes, mas invadirem o estabelecimento e destruírem as supostas provas dos crimes que alegam? Como deixaram pelo menos um dos beagles cair nas mãos de alguém que o colocou à venda por quase três mil reais e ainda por cima usando um marketing: o cão era personagem de uma ‘grande saga do ativismo em defesa dos animais’. Olha só a burrice e a sacanagem de quem age com o fígado e o coração. Cuidados com as falácias ‘ad hominem’.

    • Começa a investigação pelo Google… Depois debocha do site da Royal, que por sinal ficou fora do ar diversos dias, provavelmente ao grande número de acessos. E completa a investigação com o Whois do registro.br…. E logo em seguida recheia o artigo com suposições.. é de dar pena, a tentativa de justificar a burrada que os ativistas fizeram.

    • Não acho que tudo que você falou seja implausível. Sobre o financiamento da esquerda mundial, p ex, é uma coisa pra se prestar bastante atenção. Mas do ponto de vista dos direitos animais, a ação de resgate dos cães acertou e foi justa (parece que só não retiraram os ratos pq não os encontraram), e o autor do artigo está do lado dela, então é ponto pra ele. Não tem como ser contra uma coisa que nós gostaríamos que fizessem por nós mesmos, não é?
      Do ponto de vista dos direitos animais a maior prova de prática criminosa já saiu da boca da própria diretora, que admitiu que sacrifica os animais em nome da “ciência” que ela professa.
      Não deu pra saber se vc é a favor ou contra livrar os animais dessas torturas conhecidas como “pesquisa”, então não curti nem descurti seu comentário.

      • A questão não é contra nem ser a favor dos direitos dos animais quando são usados em experimentos científicos. Temos que dividir o tema em várias áreas para se definir uma posição.

        No caxo de pesquisa de tratamentos e medicamentos para cura de doenças humanas pergunto: qual alternativa temos? Experimentar em nós mesmos? Será que os ativistas fissurados seriam voluntários em prol da humanidade? Sugiro assistir à entrevista do bisneto do Vital Brazil, o que criou o Instituto Butantã, no link http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Wg_vkEhwEe8#t=0, bem como conhecer o currículo dele no link http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cientista-pesquisador-e-professor-ele-e-bisneto-de-vital-brazil-e-alerta-meu-bisavo-hoje-seria-enforcado/).

        Quanto ao teste de cosméticos sou totalmente contra, pois não faz sentido usar os animais para testar produtos em nome da vaidade humana. Nesse caso, penso que os próprios seres humanos deveriam ser as cobaias.

        Existem outros campos das ciências que justificam a utilização. A discussão é polêmica. Mas, temos que ser racionais, não é? Vejo a atuação dos que invadiram o Royal como um ato de irresponsabilidade, de burrice misturada com arrogância. E tem mais: entre os ativistas tem gente que queria ter seus 15 minutos de glória pois não consegue nenhum contrato com uma dessas redes de televisão. Hoje está em moda ser de esquerda, ser ativista. Veja o caso dos ‘black blocs’: já viram o monte de artistas que os apoiam, mesmo depredando o patrimônio público e privado, prejudicando, principalmente os mais pobres e os que ralam para sobreviver? Vocês sabiam que, historicamente, os artistas defendem o comunismo e/ou o socialismo, pois o produto que eles vendem tem duração efêmera e precisam sempre renová-lo para não perderem o Ibope e, em consequência, os contratos milionários, bem como as verbas governamentais de projetos culturais. Ou seja, dependem o Estado para manter a mamata. Sugiro lerem o livro “A mentalidade anticapitalista”, de Ludwig von Mises.

        Vamos debater. Na minha casa mora conosco uma schnawzer que está ficando velhinha e passa por um tratamento com medicamentos que, provavelmente, foram testados em animais. Assim, pergunto: se não fossem esses medicamentos como poderia prolongar a vida dela? Alguém aí se candidataria a usar o próprio corpo para testar os remédios? E não adianta bravejar dizendo que existem meios alternativos para teste de medicamentos. Isto é balela, notícia distorcida para enganar os incautos e trazê-los para as fileiras desse ativismo que muitas vezes se torna insano (já viram os exageros dos ambientalistas em muitas situações?). Temos que tomar cuidado com os ativistas: primeiro devemos saber quem está por trás deles e quem paga suas contas; segundo, temos que analisar com racionalidade e responsabilidade os fatos, para não fazer julgamentos precipitados e injustos. Uma sociedade responsável e coerente não pratica atos de violência, nem verbal, faz o debate, faz a política de verdade, vence o debate com argumentos e não com falácias (sugiro lerem o livro “Como vencer um debate sem precisar ter razão”, do filósofo Arthur Schopenhauer.

          • Nada justifica torturar, abusar dos corpos dos outros animais. A chamada “Experimentação Animal” é uma prática vergonhosa.
            Estou realmente enojada da cara de “neurocientistas” e jornalistas, fantochinhos da indústria da exploração, que saíram numa cruzada pela mídia defendendo essa prática criminosa.
            E do ponto de vista verdadeiramente científico a “ciência” vivisseccionista é uma fraude que sustenta a indústria da doença de várias formas. Eles jamais deveriam ter sido aceitos como cientistas.
            “Testar em animais é um erro”
            “Em entrevista à GALILEU, John Pippin, especializado em cardiologia nuclear com mais de 70 artigos científicos publicados, falou sobre a ineficiência desse tipo de teste, as possíveis alternativas e sobre o caso do Instituo Royal.”
            http://www.anda.jor.br/03/11/2013/cientista-afirma-testes-animais-grande-erro

        • “Testar em animais é um erro”
          “Em entrevista à GALILEU, John Pippin, especializado em cardiologia nuclear com mais de 70 artigos científicos publicados, falou sobre a ineficiência desse tipo de teste, as possíveis alternativas e sobre o caso do Instituo Royal.”
          http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344794-17770,00-USO+DE+ANIMAIS+PARA+ESTUDAR+DOENCAS+E+TESTAR+DROGAS+PARA+USO+HUMANO+E+UM+GR.html

        • olha, amigo… a questão é mesmo polêmica. E filosófica, se me permite. Depende inclusive da idéia de doença e de cura que os ocidentais criaram. Mas há outras formas de entender o que causa a doença e o que produzirá a sua cura. Os chineses entendem que doenças são causadas por desequilíbrio na energia “chi”, e que as agulhas podem reorganizá-la. Nesse caso, não é necessário testar em animais. E essa antiquíssima sabedoria vem sendo comprovada por esta “ciência” ocidental… Há doenças que são causadas pelo emocional de cada um (câncer, em enorme medida). Como o sacrifício de cães pode ajudar alguém a se libertar de suas mágoas e de seus sentimentos? Não conseguirá… Enfim: há muitas possibilidades diferentes de se compreender o que é a doença. Carl Jung dizia que temos um médico interior capaz de nos curar mas que para acessá-lo é preciso um profundo conhecimento de nossa natureza – mas quem quer se auto-conhecer para se curar? Todos querem uma bolinha para engolir e continuar o monstro que sempre foi… Mas afinal, para cada possibilidade, as formas de cura serão diferentes. Portanto, é limitador aceitar que só a ciência ocidental, analítica e limitada pode nos salvar… Nós somos cegos para as possibilidades desse Universo, mas as possibilidades e variantes existem! Então, vamos parar as torturas e procurar as soluções em outro lugar. Isso nos fará mais humanos e mais sábios.

      • Tenho pensado numa linha de pesquisa interessante, pelo menos para mim: hoje temos a febre dos pet, que ostenta uma indústria bilionária que começa com a reprodução em série de cães, gatos etc, passando por alimentos específicos, roupas, acessórios diversos e, também, clínicas veterinárias com serviços de banho e tosa, tratamento médico com exames sofisticados que muitos humanos não terão até o fim de suas vidas. Será que essa indústria não financia os ativistas? Tenho notado que os humanos têm recorrido aos bichinhos para resolver seus problemas psicológicos e de relacionamento. Não nego que possa ser uma terapia que produza resultados. Mas, o que se vê é que os humanos não investem seu tempo e emoções para resolver essas questões. Fico na dúvida se aquela indústria se aproveita da situação ou ela induz o comportamento com o apoio, também, dos ativistas. Tenho visto pessoas que, por causas relacionadas aos pet são capazes de agredirem verbal e fisicamente por rusgas as mais corriqueiras, bem como de estender o ódio aos familiares do agredido. Está virando uma doença. Veja o caso da cantora Simone: brigou na justiça durante anos por causa de uma vizinha que tinha 25 cães dentro de um apartamento! Quem quiser ler a respeito, acessem a página do STJ no link http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=368&tmp.texto=71291. Será que uma pessoa fissurada por animais perde fácil o bom senso?

  8. Engraçado, encontrei o currículo da Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz sem dificuldade alguma na plataforma Lattes (desatualizado, mas confesso que mesmo o meu não está em dia…). Segue o link:
    http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4778198E9
    Além disso, como cientista, gostaria de deixar registrado que há sim interesses pessoais por trás da ciência, bem como existe em todo o tipo de relação humana (políticos, banqueiros, comerciantes, médicos…). Mas não se pode generalizar, pois existem muitos cientistas sérios e comprometidos com trabalhos de extrema importância para a sociedade.

  9. ROYAL é um nome fácil de encontrar…NÃO CONFUNDAM Instituto Royal com “Fermento Royal”, “Royal Canin”..etc….ou seja..não confundam “focinho de porco com tomada” ..rs… Nenhum produto, seja de limpeza, cosmético,etc. que leve o nome ROYAL não deve ser confundido com o Instituto Royal e tampouco se pensar que o laboratório que faz testes em animais fabrica produtos de consumo…rs….Mesmo porque NENHUMA EMPRESA coloca o nome do laboratório que paga para fazer testes…Me poupem…rs

  10. Carlos Alberto Lungarzo é ativista dos Direitos Humanos, sendo membro, desde 1982, da Anistia Internacional – que ajudou a fundar na Argentina, onde nasceu – e voluntário do Alto Comissionado das Nações Unidas para os refugiados. A estes deu sua contribuição no Brasil, América Central e México. Escreveu o livro “Vendetta!” sobre o julgamento do escritor italiano Cesare Battisti e colabora com duas ONGs da esquerda americana: a “Anwer.org” e a “Move On!”. Para honra minha, é atualmente co-editor do “Quem tem medo do Lula?”, onde publica seus artigos diretamente.

    • Se for verdade, então estou com razão. Os vínculos com a esquerda são verdadeiros?! Da forma como você descreveu o currículo dele, tenho a impressão de que o apresenta como uma autoridade, que não pode ser questionada. Essa é uma das falácias que o filósofo Arthur Schopenhauer descreveu em seu livro “Como vencer um debate sem precisar ter razão”. Ou seja, usa-se o argumento da autoridade para tentar calar aqueles que questionam, como se quisessem dizer assim: “Você sabe com quem está falando?”. Isto é típico do atraso cultural brasileiro, como bem descreveu o sociólogo Roberto da Matta em seu livro “Carnavais, malandros e heróis”. A esquerda reproduz muito bem esse comportamento: aos amigos tudo, aos inimigos a lei! O que valem são as relações interpessoais, o cargo do sujeito. Não há igualdade perante a lei, por mais que a Constituição tenha lá um artigo dizendo isso. Vá entender!

    • Vou ler os artigos do prof Lungarzo lá. Essa posição dele contra as chamadas “pesquisas científicas” em animais, me fez ver a retidão de caráter e a inteligência dele.

    • Descobri hoje que o autor do texto é o biógrafo do Cesare Battisti, o terrorista que o governo do PT deu asilo e a elite da esquerda o adotou como um filho adulto. Se quiserem conferir leia o seguinte trecho extraído da página http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/e-bem-verdade-que-reinaldo-azevedo-nao-matou-quatro-pessoas-mas-pensa-cada-coisa/: “É claro que a turma não se deu por vencida. Battisti não vai, mas falará em seu lugar o seu biógrafo — ooopsss!, o seu hagiógrafo —, Carlos Lungarzo. Fez hagiografia do tipo que Chico Buarque aprova: autorizada.” Para quem matou quatro pessoas na Itália ter um biógrafo argentino que é contra o uso de animais em testes de medicamentos é meio irônico, não? Será que uma vida humana vale menos que a de um beagle?

  11. sempre defendi os animais, mas já tinha perdido as esperanças q. nada ia mudar. Agora vejo q. uma grande multidão acordou e estão gritando por eles q. não podem falar.Eles sentem muita dor, medo, tristeza e esperança q. descobrissem logo que são criaturas “vivas” criadas pelo mesmo CRIADOR . dos seres humanos..

  12. Obrigada, professor! Empregou seu tempo numa pesquisa que certamente vai ajudar muito a iluminar essa questão que os interessados pretendiam manter nas trevas! O senhor me ajudou a compreender a questão e deu uma aula de pesquisa na internet – coisa que os ativistas precisarão para enfrentar os poderosos.

  13. Uma pesquisa muito ampla, c detalhes. Parabéns. Merece mais destaque, vi no face e vou compartilhar, mas veja outras formas de divulgar essa informação porque pode ajudar a fechar esse Instituto criminoso e ilícito.

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