Israel prevê resgate e castração de 45 mil gatos abandonados


Por Kelly Marciano (da Redação)

Foto: Reprodução
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Gatos abandonados, em grande quantidade, estão por toda parte em Israel e eles não parecem estar em boas condições. São sujos e magros, frequentemente com visíveis infecções de pele e problemas nos olhos. A média de vida destes gatos é de apenas um ou dois anos, comparada com 13-17 anos para gatos que vivem dentro de casas ou em colônias organizadas.

A maioria dos vizinhos humanos dos gatos, historicamente, os considera uma praga e quer que eles saiam do local. Pessoas ofendem protetores por alimentarem gatos perto de seus apartamentos ou casas. Um veterinário israelense disse, “em Israel é como se ninguém se importasse. Não há conscientização aqui.” Mesmo aos amantes de gatos falta o conhecimento básico sobre soluções para a enorme população de gatos abandonados. Um porta voz da Sociedade para Prevenção da Crueldade Contra Animais de Israel disse, “o público não contribui porque as pessoas não castram os seus animais”.

A resistência dos israelenses em castrar animais machos em particular, assim como os americanos, levou ao sucesso comercial de Neuticles, testículos artificiais que podem ser implantados para fazer com que um gato castrado pareça intacto. O fabricante promove Neuticles como sendo um modo de ajudar “os donos dos animais com trauma associado à modificação”. Segundo Piper Hoffman, em matéria para o Care2, talvez o trauma e a resistência resultem do homem projetar seu medo da castração e suas inseguranças sobre sua própria masculinidade em seus gatos. Seja qual for o problema, essas pessoas não agem pelos interesses dos gatos. Castrar preserva a saúde e, reduzindo a agressividade, diminui os riscos de ferimentos em brigas violentas.

O futuro para os gatos abandonados de Israel está mudando graças às mudanças de atitude. O governo israelense acaba de destinar 4,5 milhões de NIS (cerca de 1,27 milhões de dólares americanos) para resgatar, castrar e soltar 45 mil gatos abandonados antes de junho de 2014. Estima-se que haja 39 mil gatos apenas na área de Tel Aviv e somente um abrigo, o SPCA, recolhe 200 gatos filhotes todos os dias durante a temporada de acasalamento, assim, o plano do governo ainda não parece ser uma solução definitiva.

Mesmo assim, é um grande passo. Resgatar, castrar e soltar é a única opção viável para a melhoria da qualidade de vida dos gatos abandonados israelenses.

O país tem poucos abrigos de animais e, sendo assim, recolhe-los e leva-los a um abrigo não funcionaria, pois eles não seriam aceitos ou, no pior dos casos, seriam mortos. Adotar gatos abandonados, com a exceção de filhotes, raramente funciona porque eles aprenderam a ter medo de humanos e muitas vezes não conseguem mudar sua atitude. Quando encontrei um gato aparentemente órfão na rua há alguns anos, dias antes da data marcada para meu retorno aos EUA, liguei para todo mundo, organizações e para a agência governamental, procurando alguém para cuidar dele. Ninguém podia ajudar.

O dinheiro investido pelo governo não apenas salvaria a vida de gatos, como também melhoraria a saúde deles. Quando gatos em situação de abandono são castrados e voltam às colônias com cuidadores humanos, eles podem continuar bem saudáveis. Bons administradores de colônias mantém os gatos castrados alimentados, disponibilizam locais protegidos para eles dormirem, monitoram a saúde e resgatam novos gatos para passarem pelo procedimento.

Defensores dos animais israelenses, como a CHAI, enfatizam que resgatar, castrar e soltar não fará diferença alguma sem que as colônias tenham uma excelente administração. Outros argumentam que esta estratégia de castração poderá aumentar a população de gatos, baseados em um controverso estudo feito por um estudante da Universidade de Tel Aviv.

Os Estados Unidos estão cheios de indivíduos e organizações, como hospitais, universidades, aeroportos e bases militares, que rejeitam resgatar, castrar e soltar gatos e, no lugar disso, os matam friamente em suas propriedades. O fato de Israel adotar o “resgatar, castrar e soltar” em nível nacional pode fazer com que fique bem à frente dos EUA em termos de tratamento humano aos animais sem lar.

Também pode significar que nos próximos anos, protetores não tenham que levar petiscos para gatos quando saírem às ruas, porque não os encontrarão famintos no caminho.

Nota da Redação: Para a própria proteção dos gatos, cabe também às ONGs e ao poder público promover a adoção dos filhotes e a criação de locais próprios para a alimentação e cuidados dos gatos que não se adaptariam a um lar adotivo, conforme ressalta a matéria. 


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