Quantidade de peixes mortos por “caramelo” pode chegar a duas toneladas


A mortandade de peixes no rio São Domingos, atingido pelo açúcar derretido que vazou depois do incêndio no armazém de Santa Adélia (SP), ainda preocupa a Polícia Ambiental. A quantidade de peixes mortos pode chegar a duas toneladas. O melaço já contaminou os trechos de rio que passam por Santa Adélia, Pindorama (SP), Catanduva (SP), Catiguá (SP) e Uchoa (SP). O melaço ainda não chegou ao rio Turvo, mas isso deve acontecer nos próximos dias.

Milhares de peixes morreram (Foto: Marcos Lavezo / G1)
Milhares de peixes morreram (Foto: Marcos Lavezo / G1)

A Polícia Ambiental e a Cetesb continuam monitorando a situação e recolhendo os peixes mortos. Aqueles que estiverem com dificuldade de oxigênio serão retirados, colocados num tanque e levados para um trecho de rio mais limpo.

Antes das medidas de contenção, toneladas de melaço atingiram casas e também a nascente do rio São Domingos que corta cinco cidades da região. O estrago foi grande. A mancha de poluentes continua avançando e se encontra bem próxima ao rio Turvo, no município de Uchoa (SP), situação que preocupa bastante os órgãos ambientais.

De acordo com o engenheiro da Cetesb José Mario de Andrade, assim que o Rio Turvo for atingido pelo melaço, irá ocorrer uma mortandade de peixes mais intensa do que a que aconteceu em Santa Adélia. “O Rio Turvo tem muito mais peixes do que o São Domingos. Uma vez atingido, não há o que fazer. O açúcar é um material totalmente solúvel em água, e assim que ele atinge a água, ele vai servir de alimentos para as bactérias. Dessa forma haverá crescimentos muito grande dessas bactérias, que por sua vez, esgotarão todo o oxigênio dissolvido das águas do rio e consequentemente os peixes morreram”, explica o engenheiro.

Fogo contido

Depois de uma semana, o Corpo de Bombeiros encerrou oficialmente os trabalhos de combate às chamas no armazém onde cerca de 30 mil toneladas de açúcar que pegaram fogo.

Dentro do pátio do porto seco, o tanque de contenção foi reforçado para impedir que a água usada pelos bombeiros e o açúcar derretido fossem para a linha férrea que passa bem ao lado. Uma nova bacia de contenção foi construída pra dar conta de receber o melaço que ainda escorre do barracão. São três bacias de contenção. As máquinas encarregadas de retirar esse material estão tendo dificuldades porque não consegue sugar o caramelo que está mais consistente.

A Cetesb recebeu técnicos da equipe de emergência da capital paulista. Eles fizeram uma vistoria nas imediações do porto seco e constataram que a situação está sob controle. As barreiras estão conseguindo manter o açúcar derretido represado. As casas continuam interditadas.

Entenda o caso

O incêndio que começou na última sexta-feira (25) destruiu o galpão que armazenava açúcar no porto seco. Mais de 30 mil toneladas do produto queimado vazaram e atingiram casas e o Rio São Domingos, onde vários peixes morreram.

Essa não é a primeira vez que o açúcar causa transtornos para a população da cidade. Em setembro, moradores estavam com dificuldade para respirar, por causa da poeira branca provocada pelo transporte do produto.

Fonte: G1


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