Recuperação

Oito espécies de animais que quase desapareceram da Europa

Por Monika Schorr (da Redação)

Foto: Reprodução
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Sim, a luta para a preservação das espécies, sem dúvida, produz resultados positivos!

Muitos animais que quase foram extintos na Europa estão reaparecendo. Esta é a animadora notícia resultante da análise realizada por três organizações que atuam na preservação e monitoramento de animais e seu habitat: Zoological Society of London, Birdlife International e European Bird Census Council. Pesquisadores observaram 18 espécies de mamíferos e 19 espécies de aves em toda Europa e descobriram que todas elas, com exceção de uma, o lince-ibérico, apresentaram um crescimento populacional desde 1960. As informações são do Care2.

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O estudo foi solicitado pela Rewilding Europe, fundação criada em 2011 e dedicada a reintroduzir a biodiversidade no continente europeu e aumentar as áreas de vida selvagem onde ela possa se desenvolver de forma natural.

“As pessoas geralmente imaginam a Europa como um território que perdeu toda sua natureza e sua fauna. Eu acredito que o que o resto do mundo tem a aprender com esta experiência é que o ato de conservar a natureza realmente funciona. Se temos os recursos, uma estratégia bem planejada e se empenhamos nossos esforços neste objetivo, com certeza os resultados serão os esperados”, disse Frans Schepers, diretor da Rewilding Europe, à agência de notícias BBC (British Broadcasting Corporation).

Leis de proteção da vida selvagem, incluindo legislação específica para aves e para o habitat dos animais, a proibição da caça e mudanças demográficas, tais como a migração de pessoas da área rural para o meio urbano, são fatores que têm sua importância na conservação ambiental.

Bisão-europeu

Bisão europeu (Foto: Reprodução)
Bisão-europeu (Foto: Reprodução)

O bisão-europeu ou wisent, maior herbívoro terrestre da Europa, foi extinto no início do século 20, em consequência da caça e da destruição de seu habitat. Populações selvagens deste animal foram reintroduzidas na Europa Central e Oriental, depois de um programa de reprodução em larga escala, tendo como principal reduto a Polônia e a República de Belarus. Atualmente, sua população total é de quase 3.000 indivíduos.

Castor-europeu

Castor-europeu
Castor-europeu

Antigamente, o castor-europeu era encontrado de forma abundante em quase toda a Europa e Ásia, mas sua população foi drasticamente reduzida para cerca de apenas 1.200 indivíduos no começo do século 20, devido à caça por causa da cobiça por sua pele e pelo castóreo, secreção glandular usada em perfumes e como condimento alimentar. Por volta de 2006, sua população atingiu o número de 639.000 indivíduos.

Lobo-cinzento

Lobo-cinzento (Foto: Reprodução)
Lobo-cinzento (Foto: Reprodução)

A população de lobos cresceu cerca de 30 por cento nas últimas décadas. Seu ressurgimento, principalmente nos países da Europa Ocidental, como a Alemanha e Holanda, está incomodando os fazendeiros que exploram animais para consumo.

Pato-de-rabo-alçado

Pato-de-rabo-alçado (Foto: Reprodução)
Pato-de-rabo-alçado (Foto: Reprodução)

Ave migratória que se desloca no inverno para a Espanha, o pato-de-rabo-alçado sofreu uma redução muito rápida em sua população devido à drenagem e à seca dos lagos (em parte, por causa das mudanças climáticas) da Ásia Central, local em que se reproduz e também devido à competição pela sobrevivência com ave dominante e não nativa do local, o pato-de-rabo-alçado-americano. Estima-se que ainda existam entre 7.900 e 13.100 indivíduos remanescentes desta espécie. Na Espanha, o declínio da população desses patos estancou, graças à proibição de sua caça.

Ganso-de-bico-curto

Ganso-de-bico-curto (Foto: Reprodução)
Ganso-de-bico-curto (Foto: Reprodução)

Outra espécie migratória, o ganso-de-bico-curto se reproduz no leste da Groenlândia, Islândia e Svalbard e no inverno se estabelece no noroeste da Europa, especialmente na Grã-Bretanha, Holanda e Dinamarca. Graças às restrições impostas contra a caça, a população de gansos cresceu consideravelmente nos últimos 50 anos. Na Grã-Bretanha, o número de aves que lá permanecem no inverno aumentou de 30 mil, em 1950, para 292 mil em outubro de 2004.

Urso-pardo

Urso-pardo (Foto: Reprodução)
Urso-pardo (Foto: Reprodução)

O urso-pardo era encontrado, no passado, em toda a Europa Setentrional e ao leste da Rússia. Ameaçados de extinção, pequenos grupos sobrevivem hoje no Pirineus, na fronteira entre França e Espanha e na Itália. Um número maior desses animais vive na Europa Oriental, destacadamente na Rússia, onde há uma população composta por aproximadamente 70 mil indivíduos. A caça desenfreada antes da Revolução Comunista de 1917 quase dizimou o urso-pardo, animal símbolo da Rússia. Sua caça foi banida em 2011.

Pelicano-crespo

Pelicano-crespo (Foto: Reprodução)
Pelicano-crespo (Foto: Reprodução)

Depois da população do enorme pelicano-crespo ter diminuído drasticamente nos séculos 19 e 20, o número de aves tem se mantido estável na Europa, entre 4.350 e 4.800 indivíduos, dado que existem apenas de 10.000 a 13.900 desses pelicanos em todo o mundo.

A espécie ainda é considerada vulnerável. A destruição dos estuários, a caça, a poluição das águas, pesticidas, entre tantas outras ameaças provocadas pelo homem, fizeram com que apenas cerca de 50 pelicanos-crespos restassem na Mongólia, o que reforça ainda mais a urgência de se preservar a população deles na Europa.

Águia-rabalva

Águia-rabalva (Foto: Reprodução)
Águia-rabalva (Foto: Reprodução)

A proteção através de instrumentos legais possibilitou o ressurgimento da população europeia da águia-rabalva, uma das maiores aves de rapina do mundo. Entre os anos de 1800 e 1970, a espécie quase foi dizimada e foi extinta em alguns países. Enquanto que em 1970 havia menos de 2500 casais, em 2010 esse número aumentou para 9600 casais. A águia-rabalva voltou, recentemente, a habitar e colonizar os antigos locais que eram seu habitat natural na Europa Setentrional e Central.

Em resposta às preocupações de ordem financeira e pouco conservacionistas dos fazendeiros, Frans Schepers da Rewilding Europe diz que seus projetos de reintroduzir a vida selvagem na Europa incluem o ressarcimento de eventuais perdas. Shepers ressalta que “comparado aos números dos séculos 17 e 18”, o recenseamento da vida selvagem na Europa indica que os números “ainda estão num nível muito baixo”.

Por mais encorajadores que sejam os resultados da pesquisa, eles são contrabalançados pela pesada perda de mais de 60% da biodiversidade nos países em desenvolvimento que não dispõem de recursos comparáveis aos da União Europeia. Só porque os números contabilizados dessas oito espécies e outras na Europa demonstram o crescimento de suas populações, não podemos nos dar ao luxo de ficar satisfeitos com estas conquistas. O retorno do bisão-europeu, do castor-europeu e de outros animais é a prova inegável que a vida selvagem pode, graças a um esforço conjunto bem direcionado e a um comprometimento político ético, ser resgatada da beira do abismo.

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