QUESTIONANDO O ÓBVIO - LUCIANO CARLOS CUNHA

O debate sobre a moralidade da experimentação animal: o que é relevante e o que não é

A maioria das discussões em torno dos experimentos feitos com animais não humanos têm girado em torno da necessidade ou não necessidade dos mesmos. De um lado, os que usam os animais defendem ser necessário o uso em pelo menos alguns experimentos. Do outro, alguns ativistas respondem apontando os riscos de se extrapolar dados de uma espécie para outra e outros problemas técnicos com a experimentação. Eu acredito que o debate se centrar nessa questão é um resultado infeliz, pois dá a entender que ambos os lados do debate assumem a seguinte premissa: “se um determinado meio é necessário para se chegar a um determinado fim, então esse fim e esse meio estão automaticamente justificados”.

Quando percebemos esse ponto, vemos que essa premissa é altamente questionável. Vamos supor que o objetivo de pelo menos alguns experimentos seja o de curar doenças. Esse fim é justificável, até louvável. Mas, segue daí que qualquer meio para se chegar a um fim louvável é automaticamente justificado, desde que seja necessário para se chegar nesse fim? A maioria de nós, incluindo os que experimentam em animais, não concordaria com essa conclusão. Imagine que, para se curar uma determinada doença fosse necessário assassinar e torturar algumas crianças. A maioria de nós defenderia que é um erro fazer isso, e que os cientistas deveriam buscar descobrir outro meio de procurar curar a doença. Assim sendo, a discussão não deveria girar em torno da necessidade ou não da experimentação animal, já que podem existir razões que mostrem que, mesmo sendo necessária em alguns casos, ainda assim ela não se justifica (discuto melhor essas razões abaixo).

O que precisa ficar claro é que o ponto central do debate não deve ser o que está sendo até agora. A questão central é que os animais que são utilizados o são porque não pertencem à espécie humana. Quando se desfavorece alguém por não pertencer a determinada espécie, o nome disso é especismo (da mesma maneira que desfavorecer alguém que não pertence a determinada raça chama-se racismo). Então, o ponto central deveria ser perguntar por que se acredita que é correto fazer experimentos em animais não humanos (ou usar para outros fins, como comer) mas não é correto usar seres humanos. Para explorar melhor esse ponto, vou sugerir um experimento mental: suponha que ficasse provado que experimentar em humanos é tecnicamente mais eficaz e, além disso, necessário para se curar uma determinada doença. O que poderia explicar o erro de se usar humanos nesse caso e que ao mesmo tempo explique que não é um erro utilizar animais não humanos?

O que poderia justificar o especismo? Para a maioria, a diferença parece óbvia: “como alguém não poderia perceber a diferença moralmente relevante entre humanos e animais de outras espécies?”. Mas, e que diferença seria essa? Não pode ser o mero fato de uns serem humanos e outros não, porque isso não explica nada. Não pode ser o fato de humanos serem mais racionais do que outros animais, porque nem todos os humanos são racionais (recém nascidos, crianças muito pequenas, idosos senis, portadores de determinadas doenças mentais, comatosos: existem animais não humanos muito mais racionais do que estes humanos). Aliás, em se tratando de humanos não racionais, ao invés de os utilizarmos como comida ou modelo de testes, damos atenção primordial aos seus cuidados, já que são mais vulneráveis e mais dependentes de nós. Então, apontar que os não humanos são menos racionais só mostraria que os cuidados sobre eles deveriam ser muito maiores; tão grandes quanto aquele que geralmente temos para com um bebê.

E quanto a apontar que na natureza o mais forte subjulga o mais fraco; os animais comem uns aos outros; e cada animal favorece aos da sua própria espécie? Teria poder para justificar o especismo? Não, porque isso seria assumir a seguinte premissa: “se algo é natural, então é justificado”. O problema com essa premissa aparece logo que perguntamos o que se quer dizer com o termo “natural”. No sentido que é empregue nesse argumento, quer dizer que é algo que acontece sem intervenção deliberada humana, ou que segue os processos evolutivos inconscientes. Mas, então, por que isso seria relevante moralmente? No que apontar que algo simplesmente acontece sem intervenção humana ou planejamento racional seria relevante para nos dar razões para agir dessa ou daquela forma? Não parece contraditório buscar razões para agir justamente em processos que, desde Darwin, sabemos que não são processos racionais? É curioso que alguns cientistas, muitos dos quais aceitam a teoria da evolução, baseiem-se nessa premissa muito problemática. Uma coisa é “como as coisas são?”; outra é “como as coisas deveriam ser?”. Dizer que algo é da maneira que é não dá razão alguma para concluirmos que, então, esse algo é automaticamente bom ou correto.

A falha em todas essas tentativas de se justificar o especismo está em não se perceber que a principal razão para se respeitar seres humanos não se dá por estes serem humanos, nem por serem racionais, e nem porque na natureza cada animal privilegia os da sua espécie, e sim, simplesmente porque seres humanos são capazes de sofrer e desfrutar. Essa razão muito simples é o que melhor explica o dever de se respeitar alguém. Alguém precisa de respeito porque valoriza estar em um determinado estado e não em outro e é vulnerável. Para isso, é preciso ser senciente (capaz de sofrer e desfrutar). Todo ser senciente prefere desfrutar de experiências mentais positivas ao invés de negativas. Todos nós reconhecemos que sofrer e/ou ser privado de desfrutar de algo bom, é ser prejudicado. Ser capaz de sofrimento/desfrute é uma razão suficiente para se respeitar alguém, pois então esse alguém pode ser prejudicado ou beneficiado de acordo com o que decidirmos. Para haver possibilidade de alguém ser prejudicado, basta ser senciente, independentemente de espécie, de grau de racionalidade e do que acontece na natureza. A mesma razão que explica por que devemos respeitar humanos explica ao mesmo tempo porque devemos respeitar qualquer ser capaz de sentir, independentemente de espécie.

Outro resultado infeliz do debate é que por vezes centra-se a discussão em se saber se houve ou não maus tratos durante o experimento. O que isso parece indicar é que, então, ambos os lados do debate estão a aceitar a seguinte premissa: “se não houver maus tratos durante um experimento, então, ele é automaticamente justificado”. Essa premissa só faria sentido se sofrer fosse a única maneira de se prejudicar alguém. Mas, existe pelo menos outra maneira bem conhecida de se prejudicar alguém: assassiná-lo, quando ainda lhe resta algo de bom a ser desfrutado.

Alguém poderia objetar, dizendo que é isso que explica a diferença entre humanos e não humanos quanto ao erro em matar: os primeiros fazem planos para o futuro e entendem o que é a morte; os segundos não. Essa objeção tem dois erros. O primeiro erro, menor, é que existem humanos (bebês, idosos senis, portadores de determinadas doenças mentais, etc.) que também não entendem o que é a morte e também não fazem planos para o futuro. O segundo erro, maior, é confundir “ser prejudicado” com “saber que será prejudicado”. A morte, quando é um dano, é um dano não devido ao que ela faz estar presente, mas devido ao que ela priva. Ela priva alguém de desfrutar sensações boas no futuro. E isso é assim independentemente desse alguém saber o que é a morte, ter feito planos para o futuro, ou sofrer antes da morte. Assim sendo, todos os seres com possibilidade de desfrutarem algo de bom no futuro são danados ao morrer. Então, não é tão importante discutir se houveram ou não maus-tratos durante os experimentos, haja vista que existem fortes razões para se objetar aos experimentos mesmo quando não existem maus-tratos, já que os animais, de qualquer maneira, são mortos depois.

Por fim, um comentário sobre outro argumento muito freqüente nos debates. Os defensores da experimentação acusam os defensores dos animais de hipocrisia por se beneficiarem da exploração animal (usarem remédios, comer comida de origem animal, andar de ônibus, por exemplo). Disso, eles concluem que, então, a exploração animal está justificada. O problema é que essa conclusão não seguiria da premissa nem que a premissa fosse verdadeira. É verdade, a acusação de hipocrisia poderia ser verdadeira em alguns casos (por exemplo, parar de comer comida de origem animal é algo que se pode fazer facilmente). Contudo, outras coisas são muito mais difíceis de se fazer, haja vista que absolutamente quase tudo em nossa sociedade é feito à base de exploração animal.

Mas, a questão não é essa. Mesmo que todas as acusações de hipocrisia fossem verdadeiras, será que segue daí que, então, a prática que o suposto “hipócrita” está a criticar tem boas razões a seu favor? Obviamente que não. Uma questão é “qual o caráter do interlocutor?”, outra é “qual a coisa certa a se fazer?”. Imagine, por exemplo, que o tratamento de água fosse feito a base de trabalho infantil. Ninguém pode deixar de tomar água. Será que segue daí que então não existem razões contra o trabalho infantil e que alguém deve ser proibido de objetá-lo? E, supondo que o trabalho infantil fosse utilizado em um produto não necessário, como café. Supondo que quem estivesse a protestar tomasse café e que a acusação de hipocrisia fizesse sentido. Segue daí que não existem boas razões para se abolir o trabalho infantil? Obviamente que não. O interlocutor, no nosso exemplo fictício, apesar de hipócrita, estaria a fazer a coisa certa ao criticar a exploração. Acusar os defensores dos animais de hipocrisia com vistas a concluir que a experimentação animal se justifica é nada mais do que um caso da famosa falácia ad hominem. Aliás, parece que o fato de quase tudo em nossa sociedade ser feito à base de exploração animal é mais uma razão para aboli-la, pois então mostra que sofrimento e morte estão sendo impostos a um número gigante de seres sencientes.

Essas questões deveriam ser o ponto central do debate. As razões acima são as razões mais básicas para se rejeitar o especismo, e, com ele todas as práticas exploratórias sobre os não humanos, incluindo a experimentação animal. É a partir daí que o debate deveria se desenvolver. E é por não se estar discutindo os argumentos principais e se estar a perder tempo com argumentos que já assumem de antemão que o especismo está justificado que nosso entendimento das questões éticas que envolvem animais não humanos está, infelizmente, em um nível dos mais rasos.

 

51 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo! Os testes e todas as outras formas de exploração animal são sustentados pelo nosso pensamento antropocêntrico e especista. E, na verdade, mesmo entre os que se dizem defensores dos animais, poucos são capazes perceber isso.

  2. Boa tarde!
    Gostei muito do artigo. É claro e objetivo. Todavia, sempre que leio opiniões sobre qualquer assunto, levo em consideração a formação do autor, o que não consta no artigo.
    Assim, gostaria de sugerir que os artigos trouxessem um minicurrículo dos autores.

    • Olá, Maria de Lourdes. Muito obrigado pelo elogio e pelo comentário! Minha titulação é de mestre em ética e filosofia política. Mas, de qualquer maneira, acho que não é isso que deveria contar. O que deve contar é o peso das razões, e não de quem as apresenta. Mas, concordo com você que é interessante estar disponível essas informações. Meu mini-currículo se encontra aqui:

      http://www.anda.jor.br/category/colunistas/questionando-o-obvio

      Um abraço!

    • Olá, cuidado para não cair no argumento de autoridade… afinal, têm muitos doutores que não possuem nenhum conteúdo critico, apenas o acumulo… 🙂

  3. Parabéns, Luciano! Mais um importantíssimo artigo e em ótima hora.

    É com textos assim que demonstra o teu respeito pelo leitor, ao fornecer argumentos honestos para que cada um possa começar a pensar com clareza e se libertar das distorções e falácias criminosas que pessoas sem escrúpulos estão tentando disseminar por aí.

  4. Oi Luciano.

    Parabéns por mais um ótimo artigo, foi um apanhado de vários artigos que você escreveu, condensados em uma leitura acessível.
    Leitura obrigatória para qualquer um que ousa questionar a moralidade do uso de animais na sociedade.

  5. obrigada pelo seu testo, pois era isso que eu estava tentando dizer mas não sabia como falar….
    Os medicamento que uso há 6 anos estão destruindo a minha memoria aos poucos e meu raciocínio lógico e todos os remédios de depressão somados a corticoides causam essa reação.
    Me emocionei muito com o texto,
    amo animais, mas não posso ficar sem remédios
    comecei a me sentir muito muito culpada.
    Obrigada mesmo por dizer aquilo que não estava conseguindo.
    <3

    • Cara Rose,
      Não se sinta culpada de forma nenhuma! Você apenas está usufruindo aquilo que a humanidade conseguiu produzir para viver melhor até aqui. E conseguimos isso com muito esforço. Uma verdade é: quase tudo que temos a nossa volta em um determinado momento foi testado em animais. Foi o que conseguimos fazer até então! Essa discussão a respeito da utilização ou não de animais só é possível graças aos avanços conseguidos até aqui. É lógico que a partir de agora vamos avançar num outro rumo, quem sabe até sem nenhuma utilização de animais.
      Uma reflexão: será que se neste momento aparecesse alguma doença muito grave e que ameaçasse a humanidade de forma absoluta as pesquisas com a utilização de animais não só continuariam como aumentariam??
      Estou tentando ser razoável apenas a também não ser hipócrita pois aprecio um bom churrasco e como peixe. Abraço

      • Olá, Sérgio! Obrigado por comentar.

        Pelo que argumentei no texto, qualquer razão que justificaria usar não humanos justificaria também usar humanos. Mas, se fôssemos nós as vítimas dos experimentos, mesmo em um caso assim de uma doença que estaria a dizimar a humanidade, acharíamos que a coisa certa a fazer é buscar outros meios para se curar a doença. Então, acredito que uma sociedade verdadeiramente preocupada com igualdade seguiria uma regra de não se usar seres sencientes como meros recursos. E, o mais irônico é que a maior causa de morte na humanidade é muito fácil de resolver sem experimento nenhum. Bastaria que se desse condições de vida minimamente razoáveis aos humanos que estão a morrer de fome e doenças que poderiam ser facilmente prevenidas.

        E, sobre a segunda questão, como apontei no texto, as razões que existem contra a experimentação animal explicam também o erro contra o uso de animais para consumo. Aliás, o uso de animais para consumo é ainda mais difícil de justificar, pois nunca é necessário. Podemos ter uma vida perfeitamente saudável com uma dieta vegana.

        Um abraço!

        • Luciano,
          Muito obrigado por ter lido meu comentário e também pelas explicações. Desde já gostaria de não ser confundido com alguém absolutamente “radical” no mau sentido da palavra. Gosto do debate e somente assim conseguiremos evoluir enquanto ser humano.
          Creio que entendo sua luta e suas motivações.
          O debate que você coloca em pauta é muito profundo e ao mesmo tempo novo e revolucionário. Até onde entendi você faz um debate dando todos os direitos que os humanos conquistaram aos demais seres deste planeta. Isto é revolucionário! Porém não podemos negar que desde que o homem se tornou homem ele faz uso dos animais para sua sobrevivência. Em todos os lugares sem exceção! Minha ponderação vai no sentido de que teremos uma árdua caminhada até a erradicação completa do uso de animais em qualquer nível, seja ela na alimentação, seja no uso de experimentos “ditos” científicos. De qualquer forma o debate está posto e isto é um mérito às pessoas que, como tu, estão fazendo. Mais uma vez obrigado e abraço.

          • Obrigado por responder novamente, Sérgio! Sim, concordo com você que a luta é a das mais difíceis. Obrigado! Abraço!

      • Querido, eu não sou vegetariana, em primeiro lugar, só pra esclarecer. (rs).
        Eu venho sim refletindo esses dias sobre essas questões do uso de animais em teste, passei dias e noites lendo textos (agora escrevi certinho! (rs)), e não achei nada que pudesse expressar melhor as minhas ideias que essa crônica do Luciano. Eu por diversas vezes li as bulas dos meus medicamentos, como todos fazemos, e por exemplo os corticoides que hoje sou dependente, são testados em ratos, mas mesmo sendo administrado doses 100 vezes mais altas que a permitida em humanos não apresentou dependência, e se eu não usar, eu venho a falecer, poi meu organismo não produz mais esse hormônio. Então me pergunto: Do que valeram esses testes? Sei que Todos os TERRÁQUEOS tem uma função no planeta, e também sei que existem animais que precisam ser até extintos devido a sua peçonha, epidemia, doenças etc. Mas será que se nós humanos pudêssemos ser mais gentis, mais inteligentes e sensíveis, não poderíamos conviver até com esses seres?
        Tudo pode parecer utópico até, talvez, vindo de uma mente altamente sonhadora e romântica de uma artista cênica, mas se somos os primeiros a EXIGIR respeito, porque não podemos ser os primeiros a RESPEITAR? Creio que isso sim é um bom tema para reflexão sem ser extremista. Um grande beijo no coração e obrigada pelas palavras de carinho e consolo <3.

        • Ah! E a negação do meu filho de 5 anos em não comer carne fresca porque é bicho, e depois que assisti o documentário Terráqueos, está me fazendo mudar alguns valores na minha vida e na minha alimentação, como por exemplo, não conseguir mais comer carne bovina fresca… Creio que esses pequenos seres que vem nascendo devem ter essa missão: MUDAR A NOSSA MANEIRA DE PENSAR SOBRE O MUNDO!
          Não sei se um dia serei vegetariana radical ou extremista, mas que estou me sentindo melhor eu estou. 🙂

  6. Luciano, parabéns pelo seu texto lúcido e, assim, verdadeiramente radical. Uma argumentação muito feliz com primorosa execução! Um belíssimo exemplo de como é, não apenas importante mas, extremamente útil e eficaz, saber usufruir da nossa Língua. O bom uso das palavras só faz valorizar a apresentação de uma ideia, não? Um prazer: no conteúdo e na forma!

  7. As cobras, aranhas, camundongos, coelhos e hamsters do instituto Butantã utilizadas para desenvolver pesquisas e produtos voltados para a saúde pública, com vistas ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias que contribuam para a saúde da sociedade, também são considerados seres, como é mesmo? seres sencientes, ou somente gatinhos e cachorros fofinhos? Penso que não ficou claro a qual espécie vocês se referem neste artigo… Mas pelo visto vocês devem ser a favor também de soltarem na natureza tooodos esses aracnídeos, serpentes, ratos, etc. . Só não sei como fariam os cientistas para desenvolver remédios a partir desse feito digamos – humanitário. Não, humanitário não, animatário. hehe

    • Maria Isabel, eu me sinto à vontade pra responder em nome dessas pessoas que sim…SIM, os aracnídeos, serpentes e ratos são seres sencientes e têm igual direito à vida; SIM, somos a favor de que todos sejam libertados; SIM, não precisamos que eles sejam explorados para que possamos sobreviver. SIM, esse SIM que esperamos a vida toda pra falar, eu esperei, ah, como eu esperei, agora podemos, agora seremos ouvidos, você não tem noção da felicidade que isso me traz e do quanto sou grata aos meus colegas que têm trabalhado nesta causa das mais diversas formas!

    • Olá, Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros. O artigo é muito claro. Inclusive, a ANDA tem esse mérito de reunir colunistas, como o Luciano Cunha, que se comunicam muito bem e respeitam o leitor por tratar de justiça sem preconceitos injustificáveis. Mas é preciso estar atento para o que ele está a dizer. Minha sugestão é que releia esse artigo e proporcione a você mesma um “tour” nos outros textos desse mesmo pesquisador. Vai se surpreender e perceberá as respostas para suas questões (que já estão respondidas nesse mesmo texto que está a comentar).

    • Olá, Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros. Obrigado por comentar!

      Sim, de fato, o que argumentei no texto é que o critério relevante para a consideração moral é a capacidade de sentir e desfrutar, independentemente de espécie. E, quando eu falo que o relevante para a consideração moral é a capacidade de sentir e desfrutar, independentemente de espécie, é assim mesmo que é para ler. Se eu quisesse dizer outra coisa, teria escrito outra coisa.

      E, veja: você não apontou um outro critério que seja moralmente relevante, que explique nosso dever de respeitar seres humanos, e que se aplique a todos os seres humanos, e que ao mesmo tempo, explique por que isso deveria excluir todos os seres sencientes de outras espécies. Se você reler o texto, verá que os critérios “pertencer à espécie humana”, “ser racional”, “na natureza cada um prefere os da sua espécie” não pode dar esse critério, já que, ou se baseiam em características moralmente irrelevantes, e/ou excluem da consideração milhões de humanos. Continuo pensando que a razão mais óbvia para se respeitar humanos é que são capazes de sofrer e desfrutar. Mas, isso se aplica a todo ser capaz de sofrer e desfrutar. Você conseguiria me apontar outra razão mais óbvia para se respeitar humanos e/ou apontar que não se deve preocupar com o sofrimento/desfrute nem de si nem dos outros?

      E, por fim, existe uma diferença enorme entre querer que os animais possam desfrutar de uma vida boa e soltá-los na natureza. Para entender por que, sugiro esse artigo: http://masalladelaespecie.wordpress.com/2013/06/10/las-bases-evolutivas-del-sufrimiento-y-de-su-magnitud/

      Abraço!

  8. É um texto ótimo, mas aborda o tema do ponto de vista teórico. Meu questionamento é o que vamos fazer, na prática, enquanto as “novas tecnologias” e métodos alternativos não estão disponíveis para determinados testes de medicamentos e vacinas? Vamos parar de pesquisar e ficar esperando?

    • Olá, Adriana! Obrigado por comentar.

      Quanto à sua colocação, ela tem dois problemas. O primeiro é que as novas tecnologias não vão aparecer sozinhas. Elas vão aparecer se a humanidade se empenhar a pesquisar. E a humanidade não se empenha a pesquisar porque não considera problemático do ponto de vista moral utilizar animais.

      E, novamente, vou repetir o experimento mental que já coloquei no texto. Supondo que a única maneira de curar uma doença fosse torturar, esquartejar e matar alguns bebês de nossa espécie. A maioria de nós consideraria isso no mínimo uma calamidade. Acho que todos nós concordaríamos que não se deve fazer isso, mesmo enquanto não existe outra maneira de se curar determinada doença. É isso que move a busca por outros métodos menos danosos. Só que, como apontei no texto: qualquer razão que explique o erro moral em fazer isso com humanos explica ao mesmo tempo o erro em fazer isso com qualquer ser senciente de qualquer espécie.

      E agora, como fica?

    • Não se trata apenas de “ponto de vista teórico”. Trata-se do “ponto de vista da ética”. Trata-se do que é correto, independente do que se pratica comumente, independente da nossa conveniência.

      Se tivermos caráter, vamos achar qualquer outra forma, que não seja a exploração de outros seres conscientes como nós. Se não acharmos, continuaremos tentando. Se ainda assim falharmos, será dignamente.

      • Exatamente, Anderson! Muito bom! E como o objetivo do raciocínio em ética é orientar a prática, não faz o menor sentido dizer que é um raciocínio puramente teórico.

  9. “A mesma razão que explica por que devemos respeitar humanos explica ao mesmo tempo porque devemos respeitar qualquer ser capaz de sentir, independentemente de espécie.” Aqui tudo já está dito. Luciano, seu texto tem o poder de tirar as pessoas do lugar cômodo e fácil que é o raso das coisas. Ao menos as pessoas que se dispõem a algum esforço de espírito, as pessoas que estão com suas almas vivas, alertas e à espreita. Confesso que não gosto nadinha da palavra “moralidade”, acho que ela fica bonita apenas na boca dos hipócritas e impotentes, porque falar em moralidade é falar no que é “bom” e no que é “mau”. No entanto, há tempos que os “poderosos ao contrário” (parafraseando Estamira, do filme “Estamira”, nunca vi ser tão lúcido, enfim), há tempos que os que desejam o poder (portanto os impotentes sob o ponto de vista de força e potência de espírito) se apropriam do que é dito bom e dito mau. Então, na boa, prefiro jogar essa palavra no lixo. Acredito no valor da ação pautada pela ética da vida, ética da potência da vida, e portanto, no respeito a todo ser vivente. Desculpe a digressão, e parabéns novamente por fazer com suas palavras as pessoas sairem um pouco desse rebaixamento mental, desse empobrecimento interessante aos exploradores capitalistas (e também a tudo tornado máquina a serviço desse sistema esmagador da vida).

    • Oi Fernanda! Obrigado pelo elogio e por comentar!

      Quanto ao termo “moralidade”, eu concordo que ele esteja sujeito a má interpretações, mas eu vejo que ele está tão sujeito a distorções quanto qualquer outro termo similar (como acontece também com a palavra “ética”). No sentido que é comum se utilizar na filosofia, ambos os termos dizem respeito à quando raciocinamos em termos de justificar uma decisão prática. Acontece que muita gente usa o termo moral (e também o termo ética) não só para avaliar “é isso que se deve fazer” (quando alguém diz “isso é ético”, “isso é moral”), mas também para descrever a avaliação de outra pessoa (“x acredita que se é isso que se deve fazer”, e também usam “isso é a moral de x”, “isso é a ética de x”). E, realmente, isso dá bastante confusão, porque a mesma palavra é utilizada, ora para avaliar, ora para descrever as avaliações (e muitas vezes se toma uma coisa por outra). Acredito que o melhor fosse apenas falar em termos de “temos as seguintes razões para fazer/não fazer x”. Assim, evitaríamos ambos os termos, e todas as ambiguidades que eles carregam.

      Todos os outros termos estão sujeitos a ambiguidades também, uns mais outros menos (acredito que o que você apontou com o uso do termo “moral”, aconteça também com os termos “ética”, “direitos”, “justiça”, “imparcialidade”, etc.). Então, acredito que, deixando claro o que se quer dizer com o termo, não há problema. No sentido que utilizei o termo “moralidade” no texto, eu quis dizer apenas “que razões existem para se fazer ou não fazer x?”.

      Sobre o termo “ética da vida”, acontece que o argumento que ofereci no texto explica o erro em se prejudicar seres sencientes (porque o argumento se baseia na presença de sensações ruins e o impedimento do desfrute de sensações boas no futuro). Não acredito que, pelo menos quanto ao meu argumento, seja adequado falar de ética da vida, porque as razões que ofereci dependem de que o ser em questão seja capaz de sofrer e desfrutar. É claro, podemos discutir em outra ocasião se a comunidade moral deveria se limitar aos seres sencientes ou se deveria ser expandida para além da senciência. Mas, eu acredito que, mesmo se existirem razões para se ir além da senciência, os seres sencientes são passíveis de serem prejudicados de uma maneira tal que nenhum ser senciente o pode ser (com a presença do sofrimento e a ausência do desfrute). Acredito que isso seja uma razão para priorizar seres sencientes, mesmo para alguém que acredita que devamos considerar seres para além da senciência.

      Um abraço e obrigado pelo comentário!

      • corrigindo..eu quis dizer “os seres sencientes são passíveis de serem prejudicados de uma maneira tal que nenhum ser não senciente o pode ser”

  10. Acho engraçada a esquizofrenia lógica dos especistas: justificam a coisificação dos animais pelo argumento de que eles não são racionais, e também querem se apoiar no argumento de que escravizar e matar outras espécies é “natural” – ou seja, um evento que acontece sem intervenção da razão. Vamos nos decidir, né? Ou a razão é o parâmetro ou não é! Natural também seria deixar as doenças seguirem seu curso, aí praquê as tais pesquisas que eles julgam tão relevantes?

  11. Ótimo artigo, super bem embasado. Sou ovolactovegetariana (ainda não vegana) há algum tempo e sou voluntária de algumas ongs que protegem pets abandonados. Sempre que entro em alguma discussão sobre uso de animais em pesquisas, ou sobre o fato de todos os animais tem direito à vida, são sempre as mesmas questões que as pessoas me colocam: e as baratas, os mosquitos? Por que um cão tem direito á vida e não podem ser mortos em nome da ciência e uma barata é morta indiscriminadamente? O que respondo é que no caso, sou eu ou ela, pois tenho pavor de baratas. Mas é um argumento infantil e sem embasamento, já que no caso, estarei partindo do princípio “do mais forte contra o mais fraco”. Tenho visto essa discussão em vários sites agora, por causa da polêmica dos beagles. Os defensores dos animais são acusados de protegerem os animais fofinhos e ignorarem animais como baratas, escorpiões, mosquitos… Qual sua opinião sobre isso, Luciano Cunha?

    • Olá, Letícia!

      Obrigado pelo elogio e pela questão, que, além de interessante, é muito importante que seja discutida (explico por que no final dessa postagem).

      Minha posição com relação a esse assunto é que todo ser senciente merece igual consideração, e isso, independentemente de espécie. Acredito que, como você apontou, a maioria das pessoas não inclua os insetos na esfera de consideração moral por questões de gosto ou sentimentos pessoais (terem asco ou medo, por exemplo). Mas, como você aponta muito bem, esse é um raciocínio fundado em um princípio arbitrário, que muito provavelmente é, na verdade, fundado na lei-do-mais-forte. Talvez seja também especista, porque a maioria de nós não sai matando humanos quando os acha feios ou tem medo deles.

      Algumas pessoas argumentam que, no caso de insetos, estão agindo em legítima defesa. Acredito que esse argumento não funciona na maioria dos casos, pois na maioria das vezes há outras maneiras de evitar ataques de insetos sem precisar matá-los (e, na grande maioria das vezes, eles não estão a ameaçar nossas vidas). Mas, é claro, existem situações onde insetos colocam a vida de outros seres sencientes em risco. Mas, isso não é exclusivo dos insetos. E, o princípio da legítima defesa se aplicaria a qualquer um que estivesse a ponto de matar alguém (humanos inclusos) e não houvesse outra maneira de se livrar da ameaça. Mas, felizmente, geralmente há outra maneira. No caso dos insetos, acredito que a maioria das pessoas simplesmente não os considera moralmente, ou então, os considera em um grau muito inferior. Como argumentei no texto, acho que essas visões são implausíveis.

      Outro ponto que acredito que explique a desconsideração por insetos se deve ao que alguns autores chamam de “tamanhismo” (o preconceito de achar que, quanto menor o ser, menos ele vale). Acho que o tamanhismo explica melhor a postura da maioria das pessoas, e não o fato de os insetos não serem vistos como animais “fofinhos”. Pois, jacarés e cobras também não são vistos assim, mas, devido a serem animais de porte grande, geralmente recebem uma consideração um pouco maior (se bem que, talvez essa consideração seja por motivos indiretos, como o fato de alguns estarem em extinção, como fazem os ecologistas).

      Haveria fundamento para excluir insetos da consideração moral se eles não fossem sencientes. De fato, é o que alguns argumentam. Mas, devido ao aparato biológico dos insetos, acredito que a probabilidade de eles serem sencientes é muito alta. E, agora, o ponto importante: mesmo se apenas uma pequeníssima porcentagem de todos os insetos fosse senciente, ainda assim esse número seria incrivelmente maior do que todos os outros tipos de animais somados. Isso porque o número estimado de insetos é de 10^19 (dez elevado à dezenove). Então, mesmo nesse caso, teríamos ainda muito o que nos preocuparmos com os males dos quais eles padecem.

      Outro agravante: a maioria dos insetos (bem como quase a totalidade dos outros animais que nascem na natureza) geralmente nasce apenas para morrer de inanição. E isso é assim não devido às atitudes exploratórias dos humanos, mas devido aos próprios processos naturais. Isso acontece, na maior parte, devido à predominância da seleção r, que aparece nos animais de pequeno porte, onde, das dezenas, centenas ou milhares de crias de cada gestação, apenas um indivíduo não morre de inanição e consegue sobreviver até à maturidade sexual, dando origem à próxima geração. Então, acredito que isso nos dá muito no que pensar, em termos do quanto de desvalor há na vida desses animais (nascem para morrer de inanição e nada mais…e isso não se limita a insetos…esse é o destino de quase todo animal que nasce na vida selvagem). Acredito que as reflexões sobre como tratamos os animais de outras espécies está apenas começando, e logo logo vamos ter que nos deparar com questões éticas que sequer imaginamos que existam (a dos insetos, a do desvalor presente na natureza, etc.).

      Se quiser ler mais sobre senciência nos insetos, aqui há uma lista de artigos: http://www.utilitarian-essays.com/insect-pain.html

      Aqui há cálculos sobre o número de animais existentes no mundo silvestre, incluindo cálculos sobre insetos:

      http://www.utilitarian-essays.com/number-of-wild-animals.html

      E, finalmente, aqui estão links que discutem sobre a importância moral dos males que os animais padecem na natureza, de causas naturais:

      http://www.anda.jor.br/19/07/2013/edicao-especial-sobre-o-sofrimento-na-natureza

      Muito obrigado pela questão!

      Abraços!

  12. Oi Luciano.

    Estou com uma dúvida em relação ao questionamento da morte.

    Você diz: “A morte, quando é um dano, é um dano não devido ao que ela faz estar presente, mas devido ao que ela priva. Ela priva alguém de desfrutar sensações boas no futuro. ”

    Um epicurista diria “Como a morte pode ser um dano se não existe um “eu” para ser danado.”

    Minha dúvida é o significado de “é um dano não devido ao que ela faz estar presente”. Me parece que Epicuro erra ao considerar o dano agindo no indivíduo morto, mas o dano recai, na verdade, sobre o indivíduo ainda vivo, no ato da morte. Não sei se me fiz entender, talvez esteja errado.

    Se estiver errado gostaria de uma ajuda na questão. Obrigado.

    • Olá, Cney!

      Obrigado pela questão!

      A visão de Epicuro é a de que a morte não dana ninguém porque, quando o indivíduo existe, a morte não existe; e quando a morte vêm, o indivíduo não existe mais. Por trás desse argumento, está a idéia de que a morte não é um mal porque a morte não se experimenta.

      A principal razão para se rejeitar a visão epicurista da morte está em que é uma visão que assume que as únicas formas de dano possíveis são os danos pela presença de uma sensação mental ruim. É claro, isso pode acontecer paralelamente no caso de algumas mortes, onde alguém sofre muito antes de morrer. Mas, quando estamos a falar do dano da morte em si, a questão é que ela é um dano devido ao que ela priva, e não devido ao que ela faz estar presente. A morte é um dano para o indivíduo morto não devido ao que ele experimenta (se ele está morto, e se não há uma vida após a morte, ele não experimenta nada), mas sim, devido ao que ela priva de ser experimentado. Assim, todo ser senciente que tem a possibilidade de desfrutar de experiências positivas no futuro é privado dessas experiências ao morrer. Esse é o dano da morte. Esse dano existe independentemente de o indivíduo ter consciência desse dano (seja antes de morrer, seja depois de morrer).

      Você está correto ao dizer que a morte é um dano porque existe um indivíduo a ser danado, e esse indivíduo existe agora, antes de morrer. É ele que será prejudicado se for assassinado.

      Assim sendo, a principal razão para rejeitar a visão epicurista é que considera apenas uma forma de dano. Considera apenas o dano devido à presença de algo com valor negativo (no caso, o sofrimento), e não, o dano pela privação de algo com valor positivo (no caso, o desfrute). Existem outros danos por privação que não necessariamente envolvem a morte. Por exemplo, se alguém está em um estado tal que poderia estar em um estado melhor, está a ser prejudicado, mesmo que não saiba disso. Por exemplo, se alguém ganha um prêmio milionário e ninguém o avisa, ele está a ser prejudicado, mesmo que nunca venha a saber disso. Então, a visão epicurista parece confundir “sofrer uma perda” com “ter consciência da perda”.

      Outro ponto interessante da visão de Epicuro é que, apesar de o próprio autor utilizar esses argumentos para fazer as pessoas perderem o medo da morte, parece que uma implicação dessa maneira de pensar não foi notada: se fosse assim como Epicuro diz, não existiria nada de mal em si em assassinar (não apenas animais não humanos, mas, qualquer um). O mal de assassinar seria apenas um em termos de deveres indiretos à outras pessoas que continuam vivas (que teriam, então, medo de morrer). Mas, parece realmente muito estranho pensar que o mal de assassinar não é feito à vítima, mas a terceiros, não? Na vida real, eu nunca conheci um epicurista. Todos nós, em algum grau, reconhecemos que o que temos de bom para desfrutar pela frente conta como uma razão para preferir não estarmos mortos. É claro, outras considerações poderiam entrar em jogo, que não somente o desfrute no futuro, para estabelecer o dano da morte (digamos, alguém que tem uma preferência por continuar vivo para realizar determinado projeto, mesmo não tendo muitas possibilidades de desfrute, etc.). Outras considerações importantes dizem respeito não somente à quantidade de tempo de vida que nos resta no futuro, mas como será a qualidade de vida nesse tempo. Outras dizem respeito à quantidade de tempo já vivida, e também como foi a qualidade de vida nesse tempo. Em um caso onde precisaremos, por exemplo, estabelecer prioridades de distribuição de recursos no salvamento de vidas, essas considerações são importantes, para se fazer uma distribuição equitativa.

      Mais uma vez, obrigado pela questão!

      Abraços!

      • Oi Luciano,
        obrigado por responder.

        Interessante a ideia de não existir um mal em si em assassinar segundo a visão epicurista. Então se eu matar alguém sem que as pessoas soubessem e esse alguém não tivesse nenhum vínculo com outra pessoa, não haveria um dano, mesmo o morto tendo inúmeros projetos(desfrute) para sua vida.

        Acho que o fato de nós nunca encontrarmos um epicurista mostra como as pessoas veem a filosofia; como uma forma de literatura para proporcionar conforto. Ao ler uma citação famosa, pouca gente dá o passo seguinte de analisar outros desdobramentos que se seguiriam. Basta. Já serviu à minha necessidade.

        Abraços.

        • Sim, Cney. Concordo. O que acontece, infelizmente, é que muita gente lê filosofia para buscar conforto, e não para fazer uma investigação séria cujo objetivo é a verdade. Abração!

  13. Tenho essa linha de raciocínio há tempos, e fico muito feliz de ver que alguém a expressou de maneira muito mais brilhante do que eu faria. Obrigado, Luciano.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui