A alienação moral carnista que desassocia produto de produção


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Fotomontagem: Reprodução

Algo curioso na mentalidade de quem consome alimentos de origem animal, especialmente carne, é o contraste entre o uso de expressões que associam a pecuária e os matadouros a algo ruim e o consumo despreocupado daqueles alimentos que dependem de ambos para serem produzidos e servidos.

Frases como “Aquele lugar parece um matadouro de tão nojento!” e “Não aguentamos mais ser tratados como gado!” refletem claramente imagens negativas sobre a origem das carnes e o destino mesmo das fêmeas ditas “leiteiras” e “poedeiras”, mas nem por isso as pessoas deixam de se apegar a alimentos com origens tão negativadas culturalmente.

Isso muitas vezes acontece graças à desassociação cultural, psicológica e moral entre as carnes e demais alimentos de origem animal e as suas origens, tal como é demonstrado pela diferenciação na língua inglesa entre os nomes dos animais abatidos e os das carnes que eles forçadamente originam. Nesse idioma, o beef é a carne do boi (ox, bull, cattle), o pork é a carne do porco (pig), o chicken é a carne do frango (poultry) etc.

E mesmo onde não há essa distinção de vocabulário, existe o costume de desassociar a carne do animal morto, assim como não vincular o leite a fazendas industriais, roubos de bezerros e vacas com mastite. Tanto que, quando come carne ou consome outro produto vindo de animais que serão mortos em abatedouros, ninguém lembra de como é negativo o gado ser tratado “como gado” e o matadouro ser tão cheio de sangue nas paredes e chão.

No mais, para se consumir alimentos de origem animal sem psicopatia ou um esmagador peso na consciência, se faz necessária essa desvinculação mental entre produto e origem. E isso caracteriza uma autêntica alienação ao estilo marxista, uma vez que o consumidor de carne, leite, ovos e mel é alheado da percepção do que acontece na produção desses alimentos, tal como o trabalhador é separado dos produtos de sua percepção e também das tantas características humanas que a hierarquia e o modo de operação capitalistas inibiram nos proletários.

E essa alienação também pode ser comparada com aquele cenário em que as pessoas de classe média se maravilham com o sistema econômico de seu país quando ele mostra números prósperos, alheados de todos os processos de opressão social e política que se desenrolaram à revelia da cobertura dos meios de comunicação, como superexploração de trabalhadores, expulsão de comunidades pobres das zonas centrais da cidade, arrocho salarial etc.

Em outras palavras, o consumo de alimentos de origem animal necessita da alienação moral e, por que não, política. A pessoa precisa ter sintomas de psicopatia, como o sadismo e a limitação da empatia, para continuar consumindo alimentos de origem animal sem processar em sua mente a desassociação entre produtos e produção.

Portanto, encara-se aí o veganismo como um processo de libertação, de desalienação, de abrir a mente a essa associação que a alienação carnista esconde das pessoas. É com a veganização que passamos a considerar que a produção de carne e outros produtos da exploração animal é tão perniciosa quanto um grupo de pessoas ser “tratado como gado” e algo que “parece mais um matadouro de tão nojento”. Da mesma forma, percebemos que isso é tão claro quanto é antiético comprar açúcar de fazendas que usam trabalho escravo.


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