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Organizações protetoras de animais saem às ruas de Cuba

12 de setembro de 2013
5 min. de leitura
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Por Natália Prieto (da Redação)

Capitão está sob os cuidados da Associação Canina da Universidade de Havana (Foto: Jorge Luis Baños / IPS)
Capitão está sob os cuidados da Associação Canina da Universidade de Havana (Foto: Jorge Luis Baños / IPS)

O gato estava com a pele queimada e seus olhos completamente caídos quando a aposentada Neida González o recolheu de uma rua da capital de Cuba. O felino, que hoje se chama Grenlito, sobreviveu graças a essa protetora, que cuida de mais nove animais de estimação. As informações são da IPS Notícias

“Já perdi a conta de quantos animais salvei. Também dou de comer a 16 gatos que vivem na garagem do meu prédio”, disse à IPS esta mulher que desde muito jovem abriga em seu apartamento cachorros e outros animais de rua e ainda ajuda em campanhas de castração organizadas pelos cidadãos.

“Com o passar do tempo surgiram muitas redes de pessoas dedicadas à proteção dos animais. Entre nossas funções está o dever de divulgar campanhas veterinárias e ajudar no apoio com alimentos ou medicamentos”, explicou.

Organizações não governamentais, projetos comunitários e pessoas sem uma filiação específica integram hoje um movimento de respeito, amor e apoio aos animais, em um país onde não há casas ou abrigos para facilitar a adoção de cães e gatos abandonados.

“Você precisa encontrar o apoio financeiro para combater esta situação”, disse à IPS a presidente da ONG Associação Cubana para a Proteção de Animais e Plantas (Aniplant), Nora García. A organização com sede em Havana dedica-se a promover o respeito e cuidado com a natureza.

“Mas a solução tem de ser mais abrangente, vinculando um programa de esterilização em massa de machos e fêmeas. Devemos nos propor a evitar nascimentos não desejados, ao invés de matar cães e gatos que ninguém quer”, afirmou García, sobre a ideia defendida e praticada desde 1992 pela organização.

A Aniplant realizou em 2012 mais de 4.000 castrações (pagas e gratuitas), a maioria delas na capital e nas províncias de Holguin, Artemis, Matanzas, Camaguey e do município Isla de la Juventud, no qual atua. Outras entidades, como a Associação Cubana de Protetores dos Gatos também realizam campanhas sanitárias gratuitas.

Um triste destino assombra os animais abandonados

Órgãos estatais que controlam as zoonoses regularmente recolhem cães sem tutores e alguns também agressivos, para evitar, entre outros males, a propagação da raiva, que pode ser fatal para os seres humanos. Desta forma, as autoridades de saúde levam os animais aos abrigos temporários, onde são mortos aqueles que não encontraram um lar dentro do prazo previsto.

Gatos e cães desabrigados, especialmente filhotes, são frequentemente usados como presas ou para o entretenimento dos chamados “cães de luta”. Esses encontros clandestinos, com seguidores nas zonas urbanas e rurais, estão associados ao jogo ilegal, punível nos termos do Código Penal vigente, com multas ou prisão de dois a três anos.

Animais abandonados também estão suscetíveis ao atropelamento por algum veículo, sofrem com diversos tipos de violência por parte de pessoas sem escrúpulos, doenças, e não recebem nenhum cuidado médico, tornarm-se uma fonte de infecção que afeta inclusive as pessoas.

“Maltrata-se muito um animal, consciente e inconscientemente. Por isso, enfatizamos o componente educativo às crianças e adolescentes no cuidado e amor aos bichos. Promovemos a proteção eficaz, que vai além da doação de comida e cuidar de assuntos como vacinação e controle de sua reprodução”, disse García.

Porém, o ativismo animal de Cuba abrange um contexto legal pobre, onde há apenas algumas normas relacionadas à saúde e exploração dos animais. Assim, a Aniplant apresenta sistematicamente, sem sucesso desde 1988, um anteprojeto de Lei de Proteção Animal ao Ministério da Agricultura.

A última dessas propostas foi levada em 2007, que também contou com a participação do não-governamental Conselho Científico Veterinário.

Punir o abandono, a guarda irresponsável e a utilização de mecanismos de morte dolorosos de cães abandonados e matadouros da indústria da carne, são medidas que integram o anteprojeto, exemplificou a ativista.

De acordo com Neida González, uma lei específica permitiria enfrentar mais o “mal-entendido dos seres humanos”.

Apesar do trabalho das organizações e do “exército invisível”, como García chama a rede protetora, muitas coisas ainda precisam ser feitas, especialmente nas províncias. “O abandono e a reprodução descontrolada nas casas é resultado do que encontramos nas ruas, refletiu a líder da Aniplant.

Os altos preços dos alimentos e dos cuidados médicos encarecem a guarda responsável dos animais.

Rosario Tio, vizinha do município de Havana, mantém a dieta alimentar de seu pastor alemão, Chagui, com restos de comida recolhidos de seus vizinhos. “Minha situação financeira piorou. Eu não posso sempre comprar carne ou vacinas, que são vendidas somente em CUC ( moeda forte em relação ao dólar)”, disse à IPS.

A Sociedade do Patrimônio Civil, Comunidade e Meio Ambiente, da Oficina do Historiador Escritório da Cidade (OHC), realiza esterilizações massivas e gratuitas no centro histórico de Havana.

A OHC vem tentando há anos criar um refúgio canino com fins adotivos e aprovou a aceitação de animais de estimação em museus e jardins das casas da cidade.

Muitos deles passeiam pelo centro histórico da cidade com uma identificação no pescoço, onde mostra sua foto, nome e entidade protetora da qual recebe cuidados.

O museu Casa de la Obrapía adotou há oito e dois anos, respectivamente, a Cachorra Canela e o gato Junípero. “Damos-lhes comida e assistência médica. Também são um atrativo, porque os visitantes ficam surpreendidos ao encontrá-los aqui “, disse a diretora à IPS, Janet Quiroga.

No Facebook, o projeto Cidade de Proteção Animal – PAC-Cuba, é definido como “um grupo de pessoas que trabalham para reduzir o número de animais nas ruas de Havana.”

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