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Caçadores matam 41 elefantes por envenenamento no Zimbabwe

7 de setembro de 2013
4 min. de leitura
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Por Patricia Tai (da Redação)

Foto: Reuters
Foto: Reuters

Portando armas e machados, caçadores têm dizimado as populações de elefantes selvagens da África. Mas, não satisfeitos em utilizar essas armas para matar esses animais cruelmente, os criminosos inventaram mais uma forma: veneno.

A polícia do norte de Zimbabwe relatou que recentemente foi capturado um grupo de caçadores com uma grande quantidade de presas retiradas de elefantes do Parque Nacional de Hwange. Ao invés de usar armas de fogo altamente potentes para matar os elefantes, o inspetor Muyambirwa Muzzah disse que esses caçadores haviam contaminado com cianureto os poços onde os elefantes bebem água. As informações são do TreeHugger.

Segundo a reportagem, o assunto é grave e essa tática pode facilmente levar a fatalidades de vida selvagem além de seus pretendidos alvos.

“O que eles fizeram é muito cruel pois não termina na morte dos elefantes. Existe o que chamamos de ‘efeito de quarta geração’, devido à alta potência do veneno cianureto. Animais que se alimentam da carne dos elefantes mortos irão morrer, assim como os que se alimentarem destes”, disse Muzzah ao The Chronicle. “Ou seja, isso entra na cadeia alimentar e centenas de animais acabam morrendo”.

Pode-se acrescentar a isso outro risco: o de animais de outras espécies também beberem da água dos poços envenenados.

Ocorreu em Maio um caso parecido, em que caçadores empregaram o mesmo método de envenenar água de elefantes e arrancar as presas de seus corpos: um grupo de cinco pessoas foi condenado a dois anos de prisão pelo crime.

Desde então, conta Muzzah, 69 elefantes foram mortos nessa região do Zimbabwe, sendo que 41 morreram por envenenamento. Apesar dos esforços de preservação para proteger a espécie, as populações de elefantes de toda a África têm apresentado um acentuado declínio devido à caça, fomentada largamente pelo vergonhoso e ilegal comércio de marfim.

Foto: Blog Livehonestly
Foto: Blog Livehonestly

Tem sido anunciado que, se as mortes continuarem a esse ritmo, os elefantes estarão extintos em pouco mais de uma década. Se os envenenamentos passarem a ser mais um método utilizado de maneira ampla pelos caçadores, a extinção total poderá ocorrer em um tempo muito menor.

É importante lembrar que a dizimação dos elefantes não ocorre só na África, e que a prática de envenenamento de elefantes não é inédita. Infelizmente, casos assim foram noticiados inúmeras vezes nos últimos anos, sendo muito comum na Indonésia e outras partes da Ásia. Neste ano, foi publicada uma notícia na ANDA sobre envenenamento de elefantes em Bornéu .

Nota da Redação:

Tudo fica muito simples quando se pratica o exercício básico de se colocar no lugar do outro. A palavra “dor” resume tudo o que esses animais sentem, assim como todos os outros animais não-humanos explorados pela Humanidade.

Imaginemos um elefante sendo alvejado por armas de grosso calibre. Coloquemo-nos no lugar dele. Em seguida, imaginemos como se fôssemos um elefante e estivéssemos sendo perseguidos por homens com lanças e machados, aos quais sucumbimos facilmente, golpeados pelos objetos cortantes. Imaginemos a nós mesmos como elefantes no calor da África indo sedentos a um poço beber água, e essa água está envenenada com cianureto, causando uma morte tão dolorida. Nossos órgãos internos se estourando em reação ao veneno.

E, uma vez caídos, morrendo, ainda agonizando no chão, termos nossas presas – equivalentes aos nossos dentes, em uma comparação grosseira, pois são muito maiores e enraizadas, logo são extraídas com dor muito maior – cortadas com machados. Morremos devagar, nossos corpos permanecem ali jogados sem presas, sem vida,  sem dignidade – arrancaram parte de nossos corpos e o nosso direito à vida, em troca de dinheiro e com algum prazer sádico, sem terem olhado para nós com nenhum sentimento em momento algum. Sem ninguém ao redor a quem pudéssemos gritar e sermos ouvidos, sem ninguém a nos socorrer.

Quando, em nossa vida de humanos, passamos por situações de perigo ou ameaça física, que não chegam nem aos pés de tais atrocidades, sentimo-nos extremamente frágeis e necessitados de ajuda. Mas não sabemos ouvir aos chamados de ajuda, verdadeiros gritos, de bilhões e bilhões de animais que morrem diariamente no mundo por mãos humanas: caçados nas florestas, nas cidades; mortos nos matadouros, nas fazendas; atropelados em toda a parte do mundo; mortos de fome e sede; vítimas de algozes cruéis nas mais diversas situações; mortos por veneno que alguém deixou propositalmente em um quintal onde, inocentemente, um animal quis matar a fome ao encontrar um alimento, quando talvez estivesse sem se alimentar há dias; mortos por doenças sem socorro ou auxílio, sem cuidados. Mortos em laboratórios após sofrerem dores agudas; mortos após terem as peles arrancadas; mortos por eutanásia quando ainda podiam – e queriam – viver; mortos de desgosto e depressão por terem sido abandonados, ou por terem vistos seus filhotes serem mortos. A lista não tem fim.

O mero exercício de se colocar no lugar do outro resolve tudo. Se todas as pessoas fossem capazes de fazer esse exercício com inteireza e verdadeiramente, não haveria  animais sofrendo no mundo – humanos ou não-humanos.

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