Seca mata milhares de patos em refúgio nos EUA


Por Patricia Tai (da Redação)

 Thornton McCurry recolhe pato morto por botulismo aviário em Tule Lake. Foto: Herald And News, Steve Silton/News Times
Thornton McCurry recolhe pato morto por botulismo aviário em Tule Lake. Foto: Herald And News, Steve Silton/News Times

A Bacia de Klamath é uma ampla região americana que compreende parte dos estados de Oregon e Califórnia, drenada pelo Rio Klamath. Apesar do rio, a água não é suficiente para atender à demanda local – há muitos fazendeiros criadores de gado para consumo humano por toda a extensão, e a água do rio é motivo de disputa entre estes e tribos indígenas locais. A área enfrenta crise de água há mais de uma década, chegando a um extremo no último ano, quando o mundo todo sofre com uma seca prolongada e grave, a maior dos últimos trinta anos.

Esta seca que forçou a interrupção da irrigação de água do rio aos ranchos de gado está também causando dificuldades para aves aquáticas selvagens que se refugiam na região.

Milhares de patos estão morrendo de uma doença chamada botulismo aviário no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Tule Lake, na Califórnia, devido a pântanos superlotados. As informações são do Huffington Post.

Enquanto o refúgio de Tule Lake recebe água graças a um projeto federal de irrigação, projetos em andamento não preveem a concessão de nenhuma irrigação para o Refúgio Nacional de Klamath, que está praticamente seco.

Isso leva à super lotação de aves nos pântanos de Tule Lake, o que provoca a disseminação da doença, segundo o biólogo Dave Mauser. Os 52 km² de pântano estão suportando 150 mil aves. Voluntários já recolheram mais de 4500 aves mortas, a maioria sendo marrecos e outros tipo de patos, em um esforço para evitar que a doença se espalhe. Mauser estima que a doença já tenha matado cerca de 9 mil aves, colocando esse ano a caminho de ser um dos piores da década nesse sentido.

Os patos não podem voar para nenhum lugar, pois estão em fase de mudança de penas e perderam as suas penas de vôo, deixando-os presos por um mês, explicou o biólogo.

Os refúgios são um ponto chave do Pacific Flyway (maior rota norte-sul de viagem das aves migratórias da América, estendendo-se desde o Alasca até a Patagônia), e as previsões para este outono não são boas, de acordo com os especialistas. A área baixa de Klamath deveria estar com 80 km² inundados de água agora, com recursos hídricos suficientes para irrigar milhares de quilômetros neste outono, após o término da estação de cheias. Mas o pântano está com metade da quantidade normal de água, e a seca está atingindo pântanos de toda a parte na Costa Oeste. Pássaros que sobreviverem ao surto podem se estabelecer em outros pântanos quando começar a migração de outono.

“É frustrante”, disse Mauser. “Do jeito que as políticas para uso da água são, nós somos os últimos na fila”.

A seca deste ano tem reverberado para além da Bacia. As tribos de Klamath estão tentando exercer o direito sobre a água para proteger peixes em rios nas terras de preservação da parte superior do local. Isso forçou a interrupção da irrigação para os ranchos dos criadores de bovinos. Em contrapartida, um projeto de irrigação federal está conseguindo garantir o máximo de água possível para os fazendeiros. Isso deixou os refúgios do baixo Klamath, que estão “no fim da linha”, sem nenhuma água. Além de tudo, a água que normalmente seria destinada a fazendas na região central da Califórnia está sendo direcionada a impedir a morte de salmões no rio Klamath. No início da década, a água foi priorizada para os fazendeiros, causando a morte de 30 mil salmões.

Pato paralisado por botulismo. Foto: T. Bollinger/CCWHC.CA
Pato paralisado por botulismo. Foto: T. Bollinger/CCWHC.CA

O botulismo surge a partir de uma bactéria tóxica que cresce em condições de baixa oxigenação, como em peixes e aves mortos. Larvas se alimentam da carne e contraem a toxina, e os patos que ingerem as larvas ficam doentes e morrem. Esta estirpe de botulismo não afeta humanos.

O surto de botulismo aviário foi ao auge na primavera de 2012, levando à morte de  milhares de pássaros no refúgio do baixo Klamath. A gravidade daquele surto também foi relacionada à falta de água nos pântanos.

O porta-voz do Departamento de Vida Selvagem Matt Baun disse que deveria haver água para o baixo Klamath neste verão se o acordo de restauração da Bacia estivesse em vigor. A negociação de partilha de água proveria água suficiente aos refúgios em tempos de seca.

O acordo é parte de um tratado para remover quatro barragens do rio para melhorar a passagem das populações de salmão, mas encontrou oposição das autoridades e de organizações não governamentais.

O grupo conservacionista Oregon Wild opôs-se ao acordo argumentando que este não garantiria água para os refúgios. Steve Pederi, diretor da Organização, afirmou que a promessa de água é “vazia, pois não há lugar onde se possa consegui-la devido à demanda existente em toda a parte”. Ele sugere remover a pecuária comercial da região de Tule Lake, o que liberaria grande quantidade de água aos pântanos.

“A administração de Obama está continuando a abordagem baseada na fé da administração de Bush, para o gerenciamento de água na Bacia de Klamath. Elas seguem a premissa:  Reze por chuva, enquanto finge que o problema não é tão grave quanto parece”, disse Pedery em um e-mail.

Pedery acrecentou que seu grupo fez esforços em obter consideração para a necessidade de água nos refúgios através de uma força-tarefa trabalhando junto ao Legislativo, mas esses esforços foram repelidos.


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