Polvos, solitários e muito inteligentes


Foto: Divulgação
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Polvos são classificados como  moluscos e podem ser encontrados em água doce, no mar. e em terra.  Além dos polvos essa classe inclui animais como: mexilhões, lesmas, ostras, caramujos, caracóis e lulas. Há mais de 100 mil espécies de moluscos e mais de 300 espécies de polvos.  Polvos são moluscos marinhos e respiram através de brânquias. Vivem no fundo do mar em qualquer profundidade.

Esses animais são também chamados de octópodes, por causa de seus 8 tentáculos que saem da cabeça, usados para sua locomoção e outras funções. Alguns estudiosos preferem usar o termo braços e não tentáculos. Cada braço possui 2 fileiras de ventosas, que com quimio receptores, fazem com que os polvos sintam o sabor daquilo que tocam. Seu peso varia de 3 kg a 40 kg, e podem medir de 5 cm a  3 m de comprimento. Em todo o mundo existem várias espécies de polvos  que variam muito de tamanho, mas a espécie mais numerosa, o polvo comum, o “octopus vulgaris”, tem em média 70 cm.  Polvos comuns vivem de 3 a 5 anos. Possuem cores que variam de acordo com a espécie: amarela, castanha, marrom e avermelhada e habitam em muitos locais, como recifes, frestas em pedras, grutas, etc.. Vivem solitários, só se encontrando para o acasalamento.

Na cabeça estão os órgãos dos sentidos e a boca, que possui uma espécie de língua com pequenos dentes afiados, chamada rádula.

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Esses animais possuem corpos moles cobertos por uma pele sensível à luz, sem esqueletos internos ou externos,  sem  conchas e são carnívoros, alimentando-se de peixes, outros animais invertebrados e crustáceos. Para caçar, seguram sua presa com os braços e golpeiam com seu bico ósseo, que é a única parte dura dos corpos dos polvos, semelhante a um bico de papagaio. Mas podem ser predados por enguias, tubarões, moréias, garoupas e golfinhos.

Possuem 3 corações, um cérebro, 2 olhos, um depósito com tinta e um sistema de propulsão semelhante a um sifão,  que faz com que se locomovam rapidamente, chegando a 40 km/h. O coração principal bombeia o sangue através do corpo e os outros 2 enviam sangue para dentro das guelras. Seus olhos percebem as cores  e são muito sensíveis, com estrutura semelhante aos olhos dos seres humanos, possuindo iris, pupila, cristalino e retina. Foram utilizados como modelos para melhorar lentes de câmeras fotográficas.

Para se defender, os polvos dispõem de 3 recursos: – emitir jatos de tinta preta para fugir de seus predadores, deixando-os temporariamente sem visão. Essa tinta  tem cheiro forte, confundindo tubarões, que se guiam mais pelo olfato. A principal substância da tinta é a melanina, também presente no cabelo e pele de seres humanos; – camuflagem – polvos podem alterar a cor e a opacidade e parecer outros animais como moréias, ou imitar pedras e algas, chegando a enrugar a pele (mimetização); – autotomia (auto = voluntário, próprio; tomia = partir, cortar)  – quando um predador agarra um de seus braços, o polvo pode desprendê-lo para distrair seu atacante enquanto foge  (como faz a lagartixa com sua cauda). Alguns dias depois, nasce outro braço no mesmo lugar.

A reprodução é sexuada, e eles só têm uma relação sexual na vida. O ritual de acasalamento pode durar até 7 dias. A fêmea libera um feromônio que atrai o macho e impede que seja devorada por ele, pois certas espécies são canibais. O macho fecunda a fêmea com a introdução de 1 braço em sua cloaca. O terceiro tentáculo direito  do polvo é, na verdade, seu órgão sexual chamado “hectocotylus”. A fêmea deposita os ovos fecundados num local protegido, que podem chegar a 150 mil,  aguarda que eles eclodam e morre de fome após a eclosão, cerca de 1 mês depois, pois nesse período ela não se alimenta. O macho morre alguns meses após a cópula. Os polvos vivem para se reproduzirem.

São considerados os invertebrados mais inteligentes do mundo animal, possuindo um sistema nervoso bem desenvolvido, (dois terços deste sistema está localizado na cabeça e o restante está nos tentáculos) assim  como órgãos sensoriais complexos. Os tentáculos, possuem sistema nervoso independente e podem “decidir” como executar uma tarefa.

Como os seres humanos, são também capazes de aprender novos comportamentos por observação, conseguem resolver problemas e  memorizar (armazenamento de memórias – memórias curtas e de longa duração). Os polvos desenvolveram grande inteligência, provavelmente, por uma questão de sobrevivência, por possuirem corpos desprotegidos e por viverem em ecossistemas complexos – sua inteligência se desenvolveu para resolver problemas ecológicos e não sociais.  Seus cérebros, proporcionalmente, são tão grandes quanto os de mamíferos e pássaros.

Jennifer Mather, especialista em psicologia comparada da “University of Lethbridge”, em Alberta, Canadá, afirma que polvos possuem consciência e temperamento forte, e é difícil mantê-los nos tanques. Ela estuda a evolução da inteligência desses moluscos há 35 anos, e relata que eles costumam provocar problemas em aquários, por exemplo, polvos pegam rapidamente termômetros que estejam flutuando  levando-os e  e escondendo-os. É famoso o caso relatado por um pesquisador, em que um polvo conseguiu desmontar um robô submarino, peça por peça, em um tanque de estudos. Polvos, quando colocados em labirintos, aprendem o caminho para a saída na primeira tentativa, conseguem fazer uso de ferramentas simples e até abrir potes com tampas rosqueadas.

Os polvos são tão inteligentes que, no Reino Unido, são considerados “vertebrados honorários”. Em muitos países, em respeito à sua inteligência e sensibilidade à dor, só podem ser operados com uso de anestesia (o que deveria acontecer com todos os animais).

Polvos ocorrem em todo o mundo, em águas tropicais, subtropicais e temperadas, sendo muito comuns na Península Ibérica. Preferem águas temperadas, mas as espécies maiores vivem em mares mais frios.  A espécie mais comum na costa portuguesa é o “octopus vulgaris”, onde é intensamente pescado. Polvos e sardinhas são as 2 espécies com maior valor econômico em Portugal. No Brasil,são encontrados nas regiões sudeste e sul.

Polvos são pescados com potes ou alcatruzes (Portugal e Espanha) e esse tipo de pesca, mesmo que considerada “artesanal”, vem afetando sua quantidade e tamanho, detectam mergulhadores da região de Cascais, Portugal. São vasos, jarros cilíndricos, presos por correntes. Eles são baixados ao fundo do mar com o objetivo de proporcionar falsas tocas aos polvos, e depois são içados. As fêmeas os procuram, para se abrigarem e aí colocam seus ovos com a intenção de protegerem-nos. A maioria dos polvos capturados são fêmeas, e os ovos que se encontram dentro dos potes são impiedosamente descartados. Essa captura é terrivelmente covarde, pois ocorre quando fêmeas estão mais vulneráveis e interrompe o ciclo natural de vida dos polvos,  afetando a continuidade da existência da própria espécie. Polvos são também pescados por redes de arrasto de fundo.

Os maiores perigos para a existência dos polvos são a pesca predatória e a poluição. Ambas são causadas por humanos que, movidos pelo seu desmedido desejo de deleite gastronômico, agem com total desrespeito pela vida de outras espécies,  pescando  e oprimindo esses interessantes e inteligentes animais. A pior ameaça que polvos e outros animais podem enfrentar, é o voraz, distorcido e sem limites apetite dos seres humanos. Animais existem por seus próprios propósitos, desígnios e funções – não são alimento para humanos.

Projeto Polvo: http://www.floripesca.tur.br/index.php?option=com_content&view=article&id=68:projeto-polvo&catid=39:ecologia&Itemid=61

Vídeo: Trecho do documentário “Criaturas das Profundezas”, parte da série “Scientific American Frontiers”, apresentado por Alan Alda até os dias de hoje, 2013, e transmitido pela GNT em 1996. Esta parte do documentário mostra uma experiência provando que polvos conseguem aprender pela observação:


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