Uma péssima escolha e o preocupante silêncio da mídia


Nas colinas de Mairinque, São Paulo, ainda há muita vida silvestre de rara importância, especialmente, se considerarmos sua proximidade com a metrópole paulista.

Ali, entre outros empreendimentos residenciais, há um condomínio de chácaras denominado Porta do Sol, cuja concepção ambiental permitiu que, entre as casas e arruamentos, existissem mais de 700 ha de mata.

Em razão disto, entre trabalhos científicos, registros fotográficos e relatos, sabe-se que habitam ou utilizam daquele ambiente como corredor, a Onça-parda, o Lobo-guará, o Tamanduá-bandeira, o Veado-catingueiro, Pacas, Iraras, Jaguatiricas, Gatos-do-mato-pequeno e a rara – e ameaçada de extinção – Cuíca-de-três-listras, entre outros mamíferos. Há Saíras, como a rara Saíra-sapucaia ou a Tesourinha-da-mata, o Tucano, vários tipos de Gaviões, entre as, aproximadamente 350 espécies de aves existentes no local.

A preservação da flora e a abundância de recursos hídricos superficiais permite a existência dessa exuberante fauna.

Pois é justamente neste local que a empresa JHSF pretende – e vem tocando os procedimentos legais “a toque de caixa” – instalar um mega empreendimento, cuja parte que mais preocupa do ponto de vista dos impactos ambientais é um aeroporto executivo com pistas maiores (2.400m) do que as do aeroporto de Congonhas.

A previsão é que jatos de grande porte, com os tanques repletos alcem voos transcontinentais – razão do tamanho das pistas.

O Estudo de Impacto Ambiental, além de viciado (por exemplo, analisa uma parte do empreendimento que já está em fase de conclusão – o Catarina Fashion Outlet) não conseguiu detectar as principais espécies da fauna ali existentes que se encontram em listas de animais ameaçados de extinção.

As audiências públicas realizadas nas cidades de São Roque e Mairinque, especialmente a primeira, não apresentaram – até porque não havia em seus levantamentos – esses importantes dados para reflexão do público.

O local escolhido, do ponto de vista ambiental, é péssimo!

Como reagirão as espécies animais silvestres existentes aos intensos ruídos das turbinas, nas operações de pousos e decolagens previstas para ocorrerem ininterruptamente 24h por dia?

Que tipo de contaminação os resíduos gasosos provenientes da queima de combustível irá provocar na vegetação e nos recursos hídricos?

Levou-se em conta, para a escolha do local, as questões logísticas (proximidade com a capital e vizinhança com a rodovia Castello Branco) e o fato da propriedade pertencer aos empreendedores. Os aspectos ambientais? Obviamente ficaram em outro plano de menor relevância.

Pior! Tudo caminha de forma extremamente célere – a Copa do Mundo e as Olimpíadas “estão aí”! – e com pouca oportunidade de participação da população direta ou indiretamente impactada e com um aparente desinteresse da mídia no que diz respeito aos evidentes impactos socioambientais.

E assim, pretende-se que fauna e flora paguem pela histórica falta de investimento em infraestrutura, notadamente, na construção de aeroportos.

Vista aérea do local.
Vista aérea do local.

* Gabriel Bitencourt é ambientalista e morador local


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