EnglishEspañolPortuguês

Santo Antônio do Porquinho

5 de julho de 2013
3 min. de leitura
A-
A+

Ellen Augusta Valer de Freitas

Numa comunidade do interior de Encantado – RS, há uma pequena capelinha e dentro dela um santo. A curiosidade é que este santo vem acompanhado de um pequeno porquinho. Ao perguntar à minha tia Serenita, qual o nome do santo ela me disse: Santo Antônio do porquinho.Depois fui descobrir que este santinho na verdade é São Antão. Mas o popularesco mistura os nomes, as fantasias e lendas a respeito desses personagens históricos religiosos. O santo em questão, andava segundo consta, acompanhado dos porcos que serviriam depois, de meios de angariar fundos para sua igreja.

Os porcos de santo antonio são tratados como máquinas de engorda. Depois serão mortos e virarão carne e banha.

Já vimos até uma tourada a favor dos animais. A mente humana está de tal forma dividida, segmentada, que não vê mal algum em torturar um touro covardemente, e revertir a verba do “espetáculo” para ajudar outros animais. Uma das inúmeras lendas do porquinho de Santo Antônio é contada em Portugal.

“Na aldeia de Sapiãos, concelho de Boticas, para angariar fundos para as obras da Igreja, a Comissão Fabriqueira comprava um leitão (porco pequenino) e a alimentação deste, até ser grande e estar muito gordo, ficava ao cuidado da população que gostava muito de colaborar com a engorda do porco de Santo António.”

“E as igrejas continuam bem conservadas e bonitas. Aqui fica o nosso agradecimento aos numerosos porcos de Santo António que se foram sucedendo ao longo de séculos, na aldia.”
(citação do site: http://belezaserrana.blogs.sapo.pt)

“Na nossa língua portuguesa aconteceu um fato singular: na época em que apareceu Santo Antônio de Pádua (séc. 12/13), que nasceu em Lisboa-Portugal, e por isso é conhecido em Portugal por Santo Antônio de Lisboa, Santo Antão era também muito popular; para distinguir os dois, houve uma contração, ou seja, uma diminuição de sílabas na palavra “Antônio”, e então Santo Antônio Abade (o nosso) ficou sendo carinhosamente conhecido por Santo Antão, enquanto o outro manteve o nome de Santo Antônio de Pádua ou Lisboa. Em todas as outras línguas, menos a portuguesa, o nosso Santo Antão ainda hoje é conhecido por Santo Antônio Abade.”

(citação do site: http://www.portalentretextos.com.br)

Nada mais natural para a atual forma de ver o mundo. Como ainda hoje se observa nos vilarejos: galeto assado em honra a São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais. Mas nem todos os animais … Aliás, São Francisco de Assis embora simpatizante dos animais, não era vegetariano. E pouco fez por eles.Aí está bem claro a cisão mental e ética de se segmentar os animais por tipos, utilidades, tratando alguns com carinho, outros com crueldade e no fim das contas, usando todos como objetos. Pois mesmo sendo bem tratado, na cabeça das pessoas ele é um objeto, uma propriedade.

“Estou profundamente convicto de que uma civilização e uma sociedade que é contra a pena de morte para os homens, mas que segue matando todas as outras espécies para se alimentar, para vender seus chifres, seus dentes, sua pele, sua banha, seus hormônios etc, é uma civilização e uma sociedade, narcisista, chauvinista e hipócrita que, cedo ou tarde (mais cedo do que tarde), destroçará e comerá a si própria”. Ezio Flávio Bazzo em Toaletes e Guilhotinas

Você viu?

Ir para o topo