Artigo do NYT/Veja de 2011 sobre “senciência vegetal” não tem “nada a ver com ciência”


Por Robson Fernando de Souza (da Redação)

veja-carnista

Em março de 2011, a jornalista Carol Kaesuk Yoon escreveu para o The New York Times um artigo intitulado “No face, but plants like life too”, e o site da revista Veja o traduziu e o divulgou com o título “Mesmo sem rostos, as plantas também querem viver”. Na ocasião, eu escrevi uma crítica ao texto traduzido, e na mesma época o abolicionista Gary Francione felizmente também escreveu sua refutação ao texto.

Algumas pessoas podem ainda hoje estar sendo enganadas por carnistas que talvez ainda divulguem tal texto como uma “prova” de que plantas sentem dor e por isso a senciência não seria um parâmetro moral válido a considerar antiética a exploração animal. Por isso, republico aqui no Veganagente os dois artigos – o meu e o de Francione – sobre por que a matéria de Yoon não faz sentido em termos de factualidade.

Veja carnista: a opinião-reportagem sobre “senciência” vegetal e a tentativa de desacreditar o vegetarianismo

de minha autoria

A revista Veja é assim: quando menos se espera que se supere em termos de mau jornalismo, ela surpreende a todos com uma nova pérola. E dessa vez revela uma radicalização momentânea do seu discurso antivegetariano: com um artigo republicado no seu site como se fosse notícia, confirma de uma vez por todas sua entrada para o clube dos carnistas – onívoros reacionários que atacam o vegetarianismo e o veganismo [e também os próprios veg(etari)anos] e defendem o consumo de alimentos de origem animal com argumentos falaciosos e preconceituosos.

Se a Veja já tivesse perdido toda a sua credibilidade ou fosse apenas um blog de visitação pequena ou mediana, poderia ser solenemente ignorada nessa sua nova publicação, assim como se recomenda que façam com qualquer outro carnista. Mas deve-se admitir que ela ainda é confiada o bastante para persistir em ser a revista mais vendida do Brasil, por ter um público cativo de conservadores das classes A e B e continuar divulgando denúncias políticas com repercussão e consequências notáveis, mesmo quando são tendenciosas ou meias-verdades.

Por isso, seus textos antivegetarianos e pró-pecuaristas, mesmo tendendo à provocação, ainda precisam ser todos rebatidos, contestados e criticados de modo a esclarecer às pessoas mais incautas e suscetíveis a acreditar nos seus ditames magister dixit sobre os erros e manipulações praticados pela revista contra a alimentação ética.

Convém aqui, nesta contestação do artigo sem assinatura referido, dividir a crítica em duas partes: a ação amadora da Veja e a refutação dos argumentos apresentados no texto.

 

Artigo de opinião, sem fiabilidade científica, publicado como se fosse uma notícia

O artigo, intitulado Mesmo sem rostos, as plantas também querem viver, é uma tradução do texto No Face, but Plants Like Life Too, publicado no site do The New York Times em 15 de março passado como special issue (matéria especial) e escrito por Carol Kaesuk Yoon, autora de textos ligados a biologia e ecologia. A pessoa que traduziu o artigo é desconhecida, teve seu nome omitido.

O texto anonimamente traduzido foi publicado na Veja como se fosse uma notícia, visto que consta no diretório virtual /noticia/ciencia/ dos arquivos do site da revista. Fica assim com uma fachada de reportagem científica, não obstante todos os “eu”s e impressões pessoais que marcam o caráter meramente opinativo do artigo.

A saber, o NYT, fonte primária da obra carnista, também merece críticas por ter divulgado um texto de opinião como “reportagem especial”, como matéria passível de isenção. Poderia, ao invés, tê-lo realocado à seção de Opinião ou rejeitado sua publicação no meio das reportagens propriamente ditas, visto que destoa das demais special issues de 15 de março, as quais se caracterizam como reportagens verdadeiras, com fontes internas e entrevistas breves, em vez de terem o formato opinativo do texto de Yoon.

A Veja se apoderou de uma opinião, ainda mais externa à sua redação, e a transformou em reportagem de tendência científica, ferindo qualquer princípio de imparcialidade. Aliás, desde quando a Veja tem algum resquício de jornalismo dito imparcial? E desde quando ela é fiel à ciência em suas reportagens? Lembremos daquela vez em que a redação respondeu arrogantemente ao leitor que avisara via e-mail sobre um erro gráfico na representação dos genes em reportagem impressa da edição de 22/04/2009, desobrigando-se de qualquer fidelidade científica. Sem falar no lendário boimate.

A revista tem o costume de tratar de assuntos que contrariam seus interesses com argumentação manipulativa e frágil em termos de lógica, lançando mão frequentemente do apelo à autoridade, pela qual a “confiabilidade” da matéria está toda escorada na posição de autoridade prestigiada do especialista fornecedor das informações controversas. Assim sendo, com o artigo estrangeiro traduzido tornado “notícia”, mesmo estritamente online e sendo improvável que vá ser reproduzido em edição impressa, a Veja não trouxe nenhuma novidade para quem já sabe que ela não tem credibilidade para passar informações cientificamente fiáveis. Fora a sua consolidação como mídia “alfacista”.

 

Argumentos tipicamente carnistas

Saindo da discussão da atitude amadora da Veja e entrando no artigo, pode-se ter a expectativa de que, pelo título e pela frase de subtítulo, é uma notícia capaz de revolucionar nossas concepções sobre a senciência (ou a falta dela) das plantas. Mas à medida em que lemos, percebemos que não passa de um trololó cheio de impressões subjetivas, dados sem fontes e argumentos facilmente desmontáveis.

O texto é precedido por uma provocativa descrição: Por que as plantas mereceriam morrer mais que os animais? Sob esse aspecto, não há razão para ser vegetariano. Diante do histórico pró-pecuária e antivegetariano da Veja, percebe-se o evidente caráter lobista da reprodução, a intenção de desarmar os vegetarianos de sua filosofia ética de modo a fazê-los voltar a comer carne e outros alimentos de origem animal em razão da suposta incoerência filosófica de respeitar a vida e os direitos dos animais mas não das plantas.

A partir do sétimo parágrafo, começamos a conhecer o que sustenta a contraditória compaixão da autora para com as plantas. Podemos resumir seu argumento, parágrafo por parágrafo, a esta lista:

– Há distinções citológicas entre as células animais e vegetais. Logo, de acordo com o discurso do respeito às diferenças, isso se torna um motivo para pensarmos em incluir as plantas no nosso círculo moral;
– A presença de uma face é essencial para a percepção moral e compassiva acerca do merecimento de direitos por parte de cada animal;
– A falta de reações físicas por parte da planta deve ser relativizada como sendo a ocultação, não a ausência, da senciência vegetal;
– Há senciência oculta “evidente” nas plantas, que as leva a reagir sensorialmente – ou, em outras palavras, “luta(r) para se salvar com o mesmo ardor e inutilidade, mesmo sendo menos óbvio aos ouvidos e olhos humanos”;
–  As reações bioquímicas das plantas que servem como defesa contra predadores devem ser consideradas um tipo completo de senciência, ativa o suficiente para caracterizar sofrimento no vegetal;
– As plantas têm locomoção, sendo seu tropismo não uma resposta a estímulos externos, mas um movimento tão ativo e neuralmente comandado quanto o de um animal vertebrado;
– Plantas podem reconhecer sensorialmente “parentes” (descendentes ou “irmãos” vindos da mesma planta), logo são seres conscientes;
– Há animais não-sencientes (esponjas) e protossencientes (cnidários), logo animais não são tão sencientes assim;
– Fungos são ainda mais sencientes do que as plantas;
– A exploração vegetal tem as mesmas bases preconceituosas da escravidão e dos genocídios, visto que a senciência das plantas é tão “desconhecida” quanto os sentimentos de alguns tipos (raças e etnias) de seres humanos eram na época da escravatura legalizada;
– Micro-organismos também deveriam começar a ser levados em consideração no círculo moral humano;
– É tão difícil o veg(etari)ano considerar as plantas sujeitos morais quanto o onívoro incluir moralmente os animais não-humanos.

Em outras palavras, o discurso de Yoon se centra na suposta senciência não reconhecida das plantas e na tenuidade idem dos limites do círculo moral vegano.

Esclareçam-se então os pontos, que podem ser verificados em qualquer livro de Biologia de ensino médio ou mesmo no parque da cidade. Em primeiro lugar, fez-se uma grande confusão entre os processos bioquímicos da fisiologia botânica e o funcionamento do sistema nervoso dos animais. Tentou-se atribuir senciência a movimentos celulares quimicamente programados e estimulados, tais como o tropismo e a emissão de substâncias venenosas, esquecendo-se de que o funcionamento do sistema nervoso é baseado em reações eletroquímicas, não apenas químicas.

Além do mais, segundo a perspectiva lógica e evolucionista, qual seria a função da dor e do sofrimento nos vegetais, que não podem escapar dos animais e micro-organismos comedores de folhas e caules? Por que as plantas haveriam de evoluir com uma característica – a dorência – que não lhes traz nenhuma vantagem ecológica, nenhum efeito prático?

Animais sentem dor porque isso lhes permite fugir dos predadores e protege seu organismo de modo a fazê-lo reagir a agressões externas que poderiam, em última análise, mutilar e corroer seu corpo. Necessitam da senciência também para manter a integridade corporal, visto que o corpo deixará de funcionar adequadamente se lhe for arrancado um órgão ou um membro por ação predatória.

Já vegetais não podem fugir, nem têm órgãos a proteger individualmente. Se há um incêndio no local, de nada adiantaria serem sencientes, pois não podem evacuar o local do fogo e a dor só seria um sofrimento totalmente inútil. Se o outono chega e põe as folhas a cair, a planta senciente deveria sofrer e até morrer por sua sensibilidade, mas isso não acontece. Pelo contrário, na primavera a árvore terá de volta todo o seu folheamento restaurado.

Se um inseto come uma de suas folhas, não há necessidade nenhuma de se sentir dor no abocanhar do bicho, visto que há milhares de outras para captar gás carbônico, oxigênio e água para a planta e folhas são perfeitamente substituíveis. Se come um galho, a sensibilidade também se faz desnecessária, já que há dezenas de outros ramos em funcionamento – e novos galhos poderão aparecer em seguida.

Em relação à esfera moral, está claro na ética vegana: o critério de inclusão ou exclusão de seres vivos é a senciência. Esponjas não são parte do círculo moral humano, visto que não sentem dor nem sofrem – o que, assim como no caso das plantas, também é desnecessário, visto que vivem fixas e imóveis no fundo dos mares. Fungos e micróbios também não têm senciência, os primeiros pelas mesmas razões dos vegetais, os segundos por serem unicelulares e células não terem qualquer organela com função nervosa.

O outro ponto é relacionado a supostamente ser mais “cruel” comer um vegetal do que um animal. A autora ignora que, para um único animal, são colhidos frutos ou a totalidade de centenas ou até milhares de vegetais, enquanto o mesmo não se aplica às plantas, por serem autótrofas – produzem seu próprio alimento. Quem come um único pedaço de carne bovina está consumindo o sacrifício de milhares de seres vivos, incluindo o próprio animal e mais incontáveis plantas. Logo, mesmo se os vegetais fossem sencientes e merecessem atenção moral, continuaria sendo mais errado comer animais.

E um aspecto final que se faz necessário comentar é a analogia da “exploração vegetal” a ideologias escravistas e segregativas. A autora omite que a legitimação da escravidão e a atribuição de desigualdades “naturais” aos seres humanos foram frutos de irrazão, dogmatismo (às vezes religioso) e pseudociência. Ambas foram sistematicamente refutadas pela ciência ao longo do século 20, a qual mostrou que nada há nos seres humanos que tornem um inferior ou superior ao outro. Por outro lado, a suposta senciência vegetal até hoje não foi provada por nenhum estudo sério revisado por pares e reprodutível.

E isso nos leva a uma das mais importantes constatações: o artigo travestido de reportagem não cita nenhuma fonte, tampouco científica, para sua argumentação. A única “referência” a cientistas não cita nenhum nome: “Não muito tempo atrás (quando?), cientistas (quem?) reportaram evidências de que as plantas podiam detectar e crescer de forma diferente caso estivessem na presença de parentes próximos”.

 

Conclusão

A Veja não colocou essa pseudorreportagem no ar para fins de compromisso jornalístico nem tampouco de conscientização. Sua intenção é escusa: através de pura desinformação, fazer os vegetarianos desacreditarem como “incoerente” sua convicção ética de respeito aos animais e assim induzi-los a voltar a comê-los – pois, afinal, o que adianta incluir uns seres vivos e excluir outros quando todos teriam a mesma capacidade de manifestar dor e sofrimento?

Essa revista, num mundo ideal, já teria deixado de circular por causa da total perda de credibilidade e confiabilidade e pela sua aliança a interesses sombrios. Mas infelizmente ela é ainda hoje a mais vendida do Brasil e uma das mais comercializadas no mundo inteiro, portanto continua fazendo-se necessário denunciar toda e qualquer obtusidade vinda de suas páginas impressas ou virtuais.

***

Abaixo, o artigo de Gary Francione sobre a mesma reportagem. O rodapé é parte acessória do texto, não de minha autoria.

 

Nada a ver com ciência
por Gary Francione, traduzido por Regina Rheda

Caros(as) colegas:

Mais uma vez, estão nos dizendo que não há realmente nenhuma diferença significativa ou qualitativa entre as plantas e os animais. No artigo No Face, but Plants Like Life Too [Sem rosto, mas as plantas também gostam da vida], Carol Kaesuk Yoon escreve que, embora ela tenha desistido de comer carne:

Minha entrada no que parecia ser o plano moral superior foi surpreendentemente desagradável. Senti que estava sendo combatida não só por um desejo bizarramente intenso de comer frango, mas também por pesadelos em que estaria comendo um magnífico filé malpassado — eu podia saborear distintamente o delicioso caldo que pingava — dos quais eu acordava em pânico, até perceber que tinha sido carnívora apenas na minha imaginação.

As tentações e os testes estavam por toda parte. O que mais me surpreendeu foi descobrir que eu realmente não podia explicar a mim mesma, nem aos outros, por que matar um animal era pior do que matar as muitas plantas que eu tinha passado a comer.

Ela descobriu que:

formular uma base verdadeiramente racional para não comer animais, pelo menos enquanto consumia outros organismos de todo tipo, era difícil, talvez até impossível.

Ela declara:

As plantas parecem não se importar com o fato de ser mortas, pelo menos conforme o que podemos notar. Mas talvez seja exatamente essa a dificuldade.

Diferente de uma vaca correndo e mugindo, as reações de uma planta a um ataque são, para nós, muito mais difíceis de detectar. Mas, exatamente como uma galinha correndo sem a cabeça, o corpo de um pé de milho arrancado do solo ou cortado em pedaços luta para se salvar, tão vigorosa e tão inutilmente quanto a galinha, mesmo se de modo muito menos óbvio ao ouvido e olho humanos.

O problema desse artigo é que ele está na seção Ciência do New York Times. Mas não há ciência no artigo.

Primeiro, ninguém duvida que as plantas são vivas e conduzem processos complicados de tudo quanto é tipo. Mas há uma diferença crucial entre as plantas e os animais.

A diferença entre o animal e a planta envolve a senciência. Isto é, os animais não humanos — ou pelo menos aqueles que exploramos rotineiramente — são claramente conscientes de percepções sensoriais. Os seres sencientes têm mentes; têm preferências, desejos ou vontades. Isso não quer dizer que as mentes dos animais sejam como as mentes dos humanos. Por exemplo, as mentes dos humanos, que usam linguagem simbólica para se orientar pelo seu mundo, podem ser muito diferentes das mentes dos morcegos, que usam a ecolocação para se orientar pelo mundo deles. É difícil saber. Mas isso é irrelevante; o humano e o morcego são ambos sencientes. Ambos são daquele tipo de seres que têm interesses; ambos têm preferências, desejos ou vontades. O humano e o morcego podem pensar sobre esses interesses de maneiras diferentes, mas não há como duvidar seriamente que ambos tenham interesses, inclusive o interesse em evitar dor e sofrimento, e o interesse em continuar existindo.

As plantas são qualitativamente diferentes dos humanos e dos não humanos sencientes, pois as plantas certamente são vivas, mas não são sencientes. As plantas não têm interesses. Não há nada que uma planta deseje, ou queira, ou prefira, porque não há nenhuma mente ali para se ocupar dessas atividades cognitivas. Quando dizemos que uma planta “quer” ou “precisa de” água, não estamos fazendo uma afirmação sobre o status mental da planta, assim como também não estamos fazendo uma afirmação sobre o status mental de um carro quando dizemos que seu motor “quer” ou “precisa de” óleo. Pôr óleo no meu carro pode ser do meu interesse. Mas não é do interesse do meu carro; meu carro não tem nenhum interesse.

Uma planta pode responder à luz do sol e a outros estímulos, mas isso não significa que a planta seja senciente. Se eu passar uma corrente elétrica por um fio ligado a uma campainha, a campainha toca. Mas isso não significa que a campainha seja senciente. As plantas não têm sistema nervoso, receptores de benzodiazepina, ou qualquer uma das características que identificamos com a senciência. E tudo isso faz sentido, em termos científicos. Por que as plantas desenvolveriam a habilidade de ser sencientes, quando não são capazes de fazer nada em resposta a um ato que as danifique? Se você encostar uma chama de fogo numa planta, a planta não pode fugir; ela fica exatamente onde está e se queima. Se você encostar a chama num cachorro, o cachorro faz exatamente o que você faria — grita de dor e tenta fugir da chama. A senciência é uma característica que evoluiu em certos seres para capacitá-los a sobreviver escapando de um estímulo nocivo. A senciência não serviria a nenhum propósito para uma planta; plantas não podem “escapar”.

Mesmo os jainas, que acreditam que as plantas têm um sentido (toque), reconhecem que as plantas e os animais (inclusive insetos) são qualitativamente diferentes, e proíbem comer animais, mas não proíbem comer plantas.

Segundo, se a Ms. Yoon estivesse realmente preocupada com a exploração das plantas, ela deveria reconhecer que, ao comer produtos animais, está consumindo ainda mais plantas do que estaria, se estivesse comendo as plantas diretamente. É preciso vários quilos de plantas para produzir um quilo de carne. Quando a Ms. Yoon senta para comer aquele “magnífico filé malpassado”, ela está consumindo cerca de 5 quilos e meio de plantas.

Portanto, se as plantas importarem no plano moral, e se a Ms. Yoon se importar com a moralidade, então, a menos que ela vá jejuar até morrer de fome, ela tem a obrigação moral de comer plantas porque comerá menos plantas se consumi-las diretamente, e evitará o sofrimento e a morte dos mamíferos, aves ou peixes, todos eles claramente sencientes à maneira dos humanos (a despeito de qualquer diferença cognitiva entre os humanos e os outros animais).

A Ms. Yoon argumenta que podemos duvidar de que alguns animais, como as esponjas, não tenham sensibilidade. Embora seja verdade que sempre existem áreas cinzentas, eu tenho certeza de que a Ms. Yoon não come muitas esponjas. Os animais que consumimos rotineiramente – vacas, frangos, porcos, peixes – são todos, inquestionavelmente, sencientes.

Então de que se trata esse artigo?

A resposta está no último parágrafo, que começa assim:

Meu esforço para renunciar à carne não durou mais do que uns dois anos.

A Ms. Yoon não queria continuar sendo vegetariana. Ela estava desejando aquele “magnífico filé malpassado”. Ela tinha de dizer a si mesma que não há nenhuma diferença entre as plantas e os animais, portanto é tudo a mesma coisa e então ela pode comer o filé com que estava sonhando. Mas isso realmente não tem nada a ver com ciência.

Nada é tão capaz de evocar uma preocupação súbita e apaixonada com as plantas quanto uma proposta para alguém não comer produtos animais ou um desejo de voltar a comê-los. Nada.

*****

Se vocês não forem veganos(as), tornem-se veganos(as). É fácil; é melhor para a sua saúde e o planeta. Mas o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer.

O mundo é vegano! Se você quiser.

Gary L. Francione

© 2011 Gary L. Francione

Tradução: Regina Rheda

 


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