Protetora pede mais compaixão aos animais na Arábia Saudita


Por Patricia Tai (da Redação)

Imagem: Divulgação
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Entre gritos de violações de direitos humanos de trabalhadores e denúncias de corrupções por parte de políticos, os chamados samaritanos, que são as pessoas que fazem o bem pelo próximo, têm ficado sem espaço nos noticiários. Segundo reportagem do jornal Saudi Gazette, da Arábia Saudita, a imprensa quer nos fazer acreditar que há problemas mais urgentes, e isso não é justo.

O que a matéria em questão traz é um apelo de uma mulher cuja missão por toda a vida tem sido a de ajudar os não privilegiados ou menos favorecidos, e que por acaso são os de quatro patas, como diz o texto. Ela argumenta que não tem sido dada cobertura suficiente à proteção dos direitos animais no país. Ela escreveu uma carta a Tariq A. Al-Maeena, redator do Saudi Gazette, que foi publicada em uma matéria por ele e cuja tradução segue abaixo:

“Boa noite, Sr. Tariq. Tenho que pedir desculpas por incomodá-lo com algo que pode não ser considerado por alguns como uma questão prioritária. Eu tenho ajudado, alimentado e resgatado animais da rua há 33 anos.

Sou uma pessoa discreta, operando e dirigindo meu centro de resgate com o apoio somente do meu marido. Eu não posso ter paz e alegria quando vejo gatos de todos os tamanhos no alto de caçambas de entulho, filhotes jogados no lixo, ou deixados para morrer uma morte lenta sob o sol escaldante.

Sou convertida ao Islamismo. Eu li o Hadith e o Qur’an em Francês. Uma das mensagens mais profundas que guardei desses livros é que não há nada de errado em oferecer uma tigela de água e um prato de comida a animais famintos. Infelizmente, encontrei um vizinho infeliz que fez uma reclamação na Prefeitura, e mandou a polícia chamar meu marido para fazê-lo assinar um termo se comprometendo a não alimentar mais animais nas ruas.

Você pode por favor me explicar essa ‘lei estranha’ da Terra, berço do Islã, que permite e dá às pessoas o direito de intimidar alguém que está tentando fazer algo bom neste meio hostil? Nós não temos centros oficiais de resgate de animais, como aqueles que existem no Oeste. Pelo meu conhecimento, há somente algumas mulheres e alguns expatriados, como nós, que resgatam animais em dificuldades que outras famílias sauditas não querem mais, após terem comprado a preços altos em pet shops.

Eles compram os animais filhotes e pequenos e depois eventualmente abandonam-lhes para morrer de fome nas ruas. Meu marido e eu pegamos tais animais para tratarmos suas feridas e cuidamos deles até que voltem a ter saúde. Quando recolhidos, eles estão extremamente abusados pelo meio, maltratados pela vida nas ruas e pela falta de alimento. Alguns estão em estado tão ruim que conseguir que se recuperem é puro milagre.

Agora nós temos uma pessoa rude e intolerante que supostamente é um bom muçulmano, orando religiosamente cinco vezes por dia, vindo nos impor a ditadura de autoridades municipais, como se tivéssemos que ignorar as misérias e o sofrimento dos animais, que também são criações de Deus.

É justo? Por 33 anos, ajudei muitos animais vítimas de crueldade por pessoas dessa terra islâmica. Nós somente pedimos que nos deixem em paz para continuarmos nossas ações compassivas. Nós só pedimos ao Deus Todo Poderoso que nos ajude a ajudá-los. Nós não precisamos de nenhuma recompensa ou reconhecimento da sociedade. Peço que por favor passe nossa mensagem àquelas pessoas que falam de compaixão em público, mas tornam-se cruéis e impiedosas quando encontram comportamento verdadeiramente benevolente de um semelhante.

Minha esperança ao escrever essa carta a você é que você possa publicá-la em uma matéria para educar as pessoas nessa sociedade religiosa, de que os animais também são parte da criação e do reino de Deus. Obrigada por despender seu tempo lendo a minha carta, e espero que considere isso um assunto importante nesse mundo egoísta. O respeito e o cuidado aos animais deve ser ensinado em escolas a crianças desde pequenas. Isso é o que está sendo feito no Oeste.

Grata,

Yvonne A., sua leitora fiel.”

Tariq comenta a carta em seguida, dizendo que alguns podem considerar o apelo de Yvonne algo trivial no mundo de hoje, e que podem argumentar que há questões mais importantes a serem endereçadas que a situação dos seres de quatro patas. Com isso, ele afirma que estes podem estar se esquecendo que a compaixão do Islamismo vai além dos seres humanos e se estende a todos os seres vivos criados por Deus.

O Qur’an, livro sagrado do Islamismo, diz que os animais são semelhantes aos humanos e fazem parte de uma mesma comunidade. No Hadith (corpo de leis, lendas e histórias sobre a vida de Maomé), há uma história de um profeta a quem foi perguntado se Alá recompensa atos de caridade aos animais, e que respondeu “Sim, há uma recompensa por atos de caridade feitos a todo ser vivo. Aquele que é misericordioso até a um pardal, Alá também será misericordioso com ele no Dia do Julgamento”.

Tariq termina a matéria dizendo que, como muçulmanos, eles têm a responsabilidade de serem misericordiosos com todas as criaturas vivas, e que devem tratar com compaixão e compreensão as pessoas como Yvonne e outras que buscam dar conforto a animais abandonados, e não atacá-las com agressividade e intolerância.


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