Solução?

Empresa vai começar a fabricar carne artificial

Foto: Ilustração

“Nossos cientistas aprenderam a fabricar carne artificial”. Recentemente, engenheiros americanos da companhia Modern Meadow fizeram essa declaração sensacional à comunidade científica. Eles apresentaram uma tecnologia ímpar de fabrico de carne artificial.

Na base de todo o processo está a produção de fibras de carne com células do tecido muscular dos animais, obtidas por meio de biópsia. Posteriormente as fibras são prensadas em diferentes formas, e em seguida “cultivadas” em um bioreator. Os elaboradores chamam, em tom de brincadeira, de impressora, o aparelho, que dá a forma inicial crua do bife, e a matéria-prima de bio-tintas, que podem desenhar um futuro feliz do mundo, sem violência contra os animais. Desse modo a companhia Modern Meadow planeja organizar a produção também de peças de couro.

A ideia é magnífica por si só. Pode-se imaginar quantas vidas de animais serão preservadas pelos análogos “artificiais” de carne e couro. Além disso o próprio processo de obtenção de carne em laboratórios é muito mais ecológico do que sua obtenção em granjas pecuárias. É perfeitamente possível que no futuro esse método seja muito mais econômico do que o ciclo total de produção de carne natural, aquele que envolve tratar o animal como uma máquina de criar carne.

Segundo dados da FAO, a organização de alimentação e agricultura da ONU, só em 2012 foram abatidos 320 milhões de vacas, 1,4 bilhões de porcos e 55 bilhões de frangos. A companhia Modern Meadow coloca o objetivo de diminuir, ao menos um pouco, estes números. Além disso, em caso de produção de carne e couro artificiais, desapareceria o aspeto ético relacionado com o abate de animais e, consequentemente o número de consumidores em potencial aumentaria consideravelmente, incluindo mesmo os vegetarianos.

Peter Thiel, um dos primeiros investidores do Facebook e fundador do Paypal, segundo alguns dados, investiu neste projeto cerca de 350 mil dólares. Ele é considerado por ser um homem que não joga dinheiro fora e escolhe com muito cuidado os projetos que financia. Por isso, se pode supor que Modern Meadow terá bastante. O espírito combativo da empresa é apoiado também pela organização de defesa dos Direitos Animais PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) que propôs um prêmio de um milhão de dólares à primeira empresa que começar a produção em massa de carne de galinha sintética.

Entretanto, não se sabe absolutamente de que modo o consumo de carne artificial se refletirá sobre a saúde das pessoas e se muitos vegetarianos concordarão com tal compromisso. Marina Tsapovich, nutricionista, expressou sua opinião:

“Eu considero que só o tempo e pesquisas minuciosas desse produto poderão dar-lhe carta branca. Ninguém sabe qual será o efeito dessa “carne” sobre nossa saúde dentro de 10-15 anos e também sobre as futuras gerações. Todos nós lembramos muito bem a euforia da humanidade quando foram criados os primeiros produtos geneticamente modificados. Agora fazemos tudo para que essas “obras-primas” do progresso científico não caiam em nossas mesas. A prática mostra que somente produtos naturais são bons para a saúde e nos ajudam a permanecer jovens e fortes. Eu acompanhei com interesse essa elaboração, mas é pouco provável que algum dia recomende a meus pacientes consumir semelhante carne”.

Também o vegetariano praticante Piotr Shekalev, líder do projeto “Alimento para reflexões” é cético em relação à criação de carne artificial.

“Eu pessoalmente considero que isto não tem sentido, porque os que querem renunciar à carne, renunciam à ela sem substitutos e os que estão acostumados à carne encararão a ideia da carne artificial como uma ofensa. Possivelmente, este produto ajudará a alcançar um compromisso nas famílias onde os cônjuges têm pontos de vista diferentes em relação à alimentação, mas não se pode construir um sistema social sobre o compromisso.”.

O tempo mostrará se a carne artificial será uma revolução no sistema da alimentação ou a ideia morrerá na raiz, não tendo repercussão entre os consumidores. Ficamos a aguardar o desenvolvimento dos acontecimentos.

Fonte: Voz da Rússia

Nota da Redação: Dois detalhes nos colocam com pé atrás: primeiro, a obtenção de tecido animal por biópsia – a biópsia será feita somente uma vez, para posterior armazenamento e cultivo de culturas de tecidos, ou haverá biópsias regulares, o que exigiria que a carne artificial continuasse ocasionando a morte de animais, ainda que em menor número? Segundo, a necessidade de se testar a segurança dessa carne para a saúde humana, o que acabará impulsionando cientistas a realizarem os famigerados testes em animais para averiguar os efeitos dela a longo prazo no corpo humano. E talvez haja outras perguntas que precisarão ser respondidas antes que essa carne sintética possa ser considerada de fato uma solução, paralela ao veganismo, para acabar com a exploração animal na pecuária e na pesca.

1 COMENTÁRIO

  1. Que emocao ler algo deste tipo! O mundo precisa urgentemente de gente assim, que queira fazer a diferenca e mudar esta triste realidade!!!!! Estou com voces e nao abro!!!!

  2. A preocupação com os efeitos maléficos sobre o genoma humano está correta. Segundo Hulse (Sacred Cows and Milk Gates), nosso genoma está 10% alterado por conta do consumo de carnes e laticínios. Então, sugiro que todos comecemos a nos preocupar seriamente com a alteração genômica que as carnes e laticínios já produziram em nosso organismo. Tudo o que consumimos é desmanchado, assimilado, fixado, transformado e metabolizado. Há quem pense que com a excreção tudo que não presta sai do corpo. Engana-se.
    Entretanto, a matéria está correta quanto ao fato de que não seria mais necessário desperdiçar 70% dos grãos e cereais, água potável, e solo, ar e água hoje contaminados com os excrementos dos bilhões de animais mortos para virar nacos de carne no prato. Isso procede. Veganos, de fato, não se interessam em comer essa carne sintética, porque já obtêm proteína suficiente dos vegetais que adotam em sua dieta. Mas abolir o sofrimento e deixar de fabricar animais para a morte em massa, isso interessa totalmente aos veganos.

  3. Espero que de certo,pelo menos aliviara um pouco essa criaçao cruel de gado para abastecer as mesas dos carnivoros. Penso que os vegetarianos nao pensam comer…o vegetariano,desacostuma,e quando sente o cheiro… se entristece…ja nao nos agrada!

  4. Mesmo sendo artificial não comerei este tipo de produto. Nós brasileiros temos a combinação mais do que perfeita para nos alimentar, o velho e bom arroz com feijão.

  5. Perdoem-me o comentário um tanto descontextualizado, mas a reportagem se referiu ao Piotr Shekalev como “vegetariano praticante”. O que diabos seria um “vegetariano NÃO praticante”, por acaso agora estão transformando o vegetarianismo em religião??

  6. Vegetarianos podem dizer que não vão comer essa carne, mas ela pode servir muito bem ao dilema de como alimentar seus animais adotados (especificamente os gatos que dependem quase que só de carne), e mesmo animais silvestres carnívoros feridos sendo tratados ou mesmo aqueles que não poderão voltar a vida selvagem, estes vivendo em centros de recuperação. Afinal, uma onça ainda precisa de carne. E nesse caso essa carne dispensaria a recuperação do animal tendo em vista a alimentação obtida de outro animal abatido. Além disso ela pode muito bem ser usada para a criação de um simulacro orgânico, que dispensaria o uso de cobaias vivas. Enfim, desde que não haja risco, que seja muito bem-vinda essa carne artificial!!!

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