Boto adulto é encontrado morto na praia do Cassino (RS)


À noite, animal ainda estava com a mandíbula, arrancada durante a madrugada (Foto: Divulgação)

Um boto adulto, de aproximadamente 15 anos, com três metros e meio de comprimento e pesando em torno de 350 quilos, foi encontrado morto na beira da praia do Cassino, perto do monumento à Iemanjá, na noite de segunda-feira. Bombeiros do balneário avisaram técnicos do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram) do Museu Oceanográfico da Furg que, junto com integrantes da equipe do Laboratório de Mamíferos Marinhos, também do museu, verificaram o animal e, na manhã desta terça-feira, o recolheram para o museu. Conforme os técnicos, ele foi vítima de redes de pesca, o que ficou evidenciado pelas marcas na cauda, no focinho e na nadadeira peitoral. Durante a madrugada, ainda foi arrancada a mandíbula dele, provavelmente para retirada dos dentes para confecção de colar, o que se constitui em crime ambiental.

Trata-se de um dos machos da população de aproximadamente 90 botos que habita o estuário da Lagoa dos Patos e águas costeiras adjacentes. O animal era chamado de “Chicão” pelos técnicos e pesquisadores do Cram e do Laboratório de Mamíferos, que acompanham essa população desde 1974 por meio do projeto Botos da Lagoa dos Patos. O biólogo Pedro Fruet, do Laboratório, diz que esses animais podem viver até 40 ou 45 anos. “Estamos tristes e preocupados porque não é só essa espécie que está sendo vítima dessa dizimação”, observou o biólogo. Segundo ele, de novembro até agora, oito dos botos desta comunidade morreram devido às redes de pesca colocadas perto das praias no litoral gaúcho.

“Lamentavelmente, essas redes de pesca matam os botos e pessoas. Quarenta e nove pessoas já morreram por causa delas. A quantidade delas (redes) na beira da praia é cada vez maior”, observa o oceanólogo Lauro Barcellos, diretor do Museu Oceanográfico. Ele diz que uma providência legal precisa ser tomada para proibição total da pesca com redes na zona de arrebentação até cinco milhas mar adentro. “A fauna marinha está sendo dizimada”, ressaltou. No monitoramento feito pelo Museu Oceanográfico no último domingo entre Rio Grande e São José do Norte, foram contadas 193 redes e achadas mais de 20 toninhas mortas.

O corpo do animal estava sendo analisado hoje por técnicos do Cram e do Laboratório de Mamíferos para os projetos de pesquisa que objetivam a proteção destes animais.

Fonte: Jornal Agora


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