Ética é a ação que leva em conta os interesses dos afetados (pacientes morais) por ela, não os interesses dos que a praticam (agentes morais). Nada do que façamos aos animais para tirar proveito para nós pode ser ético. São éticas apenas as ações que visam exclusivamente o bem próprio do animal afetado por elas. Muitas dessas ações custam, aos humanos que as praticam, dinheiro, tempo, dedicação e envolvimento emocional, não importa se o animal beneficiado está na companhia do humano que age em sua defesa, ou se está tão longe do agente que sequer chega a vê-lo, embora o defenda.

No início de janeiro de 2012 circulou a notícia de que a Europa produz ovos éticos. Não fosse a hipocrisia dessa notícia, daria para rir, porque, ovos, simplesmente, não podem ser éticos, assim como não podem ser antiéticos. Isso vale para tudo o que é objeto ou ser vivo que não goza da liberdade para escolher entre fazer algo em benefício próprio causando danos a outros, ou fazer algo em benefício do outro cuidando para não causar dano a si próprio. Não é pouca a tarefa que essa segunda parte do enunciado exige: fazer algo que beneficie o outro, sem visar qualquer vantagem pessoal nisso, mas, ao mesmo tempo, cuidar para não causar danos a si mesmo ao fazer o bem ao outro. Inteligência, raciocínio claro sobre os fins a serem alcançados, consciência dos princípios éticos que não devem ser violados, propósito de trabalhar para o benefício de algo maior do que o próprio umbigo, enfim, para ser ético é preciso ter consciência, razão e razoabilidade.

Ovos não podem ser éticos. Galinhas podem ser usadas por humanos para extração de ovos, de modo antiético. Será que podem ser usadas para extração de ovos, de modo ético? Considerando-se que a ação ética é somente aquela que visa realizar o maior benefício possível para o outro que está no raio da ação e pode ser beneficiado ou prejudicado, temos a resposta: não é possível “usar” galinhas de modo ético.

Galinhas têm sido criadas em baterias com espaço tão exíguo que sequer lhes permite abrir as asas ou mover-se. Não há dúvida de que tal forma de confinamento de uma ave jamais pode ser considerada ética. Portanto, a hipótese de que os ovos, consumidos ao redor do mundo por esse tipo de sistema de confinamento das galinhas, sejam produzidos de forma ética, está descartada. Mas, sem disposição para abolir de suas refeições as guloseimas, e esperançosos de encontrar uma forma mágica que possa tornar ético seu ato de comer algo que contenha ovos, os bem-estaristas insistem em defender o sistema de produção industrial de ovos. Agora, em vez de caixas de arame do tamanho que cabe um par de sapatos, as galinhas disporão de uma caixa maior, na qual podem mover-se, ou são mantidas em cercados ao ar livre. Para os bem-estaristas, essa mudança pífia é confundida com indício de eticidade na produção de ovos. Por isso, agora eles comem “ovos éticos”! Tem gente que merece o que come!

Qual o interesse que move os produtores de ovos a aumentarem o tamanho das grades nas quais as galinhas vivem presas por até quatro anos, quando então, findo o estoque hormonal, são mandadas para o abate? Certamente esse interesse não é o de prover as galinhas do bem próprio à sua espécie. Para isso, teriam que soltá-las todas, deixá-las catar o alimento na natureza, e, no máximo, passar o dia caçando os esconderijos nos quais elas costumam botar os ovos, quando não estão confinadas. Mas, isso daria um trabalho imenso e todo trabalho imenso tem um custo financeiro imenso, que, por sua vez, vintuplicaria o preço final do ovo. A produção de ovos na Europa, analogamente ao que ocorre no resto do mundo, não tem nada a ver com ética, tem a ver com interesses econômicos, com a necessidade de oferecer um “produto” com selo de “qualidade” para “consumidores conscientes”. Esses são argumentos econômicos. Nenhum deles é de ordem ética, pois apontam o tempo todo para os interesses humanos, não para os interesses fundamentais das galinhas. Galinhas não querem gaiolas maiores. Galinhas querem viver em liberdade, ciscando, comendo areia, insetos, minhocas, formando seus grupos sociais hierárquicos, chocando seus pintainhos e morrendo de velhas. Mas, nada disso a produção “de ovo ético” oferece a elas. É tudo um embuste!

Para serem éticas, as decisões que implicam a vida, o manejo, e a morte das galinhas deveriam voltar-se exclusivamente para atender os interesses mais relevantes das galinhas, não dos consumidores de ovos ou de massas e doces que levam ovo na receita. Desde quando confinar animais serve aos interesses mais relevantes dos animais, a não ser nos casos em que eles são recolhidos por socorristas para serem tratados ou protegidos até que as ameaças ambientais ou sociais sejam eliminadas e eles possam ser devolvido à natureza?

Para os bem-estaristas, dar espaço maior nas jaulas, aos animais mantidos em confinamento como máquinas de produção de ovos, leite, pele, carne, gordura, sêmen, hormônios, é certificado de eticidade. Mas, de fato, não é. Só podemos certificar uma ação como ética se desde sua origem, causa, processo e fim alcançado apenas os interesses dos afetados forem levados em consideração, resguardando-se o agente de qualquer risco na realização dessas ações. Ora, as galinhas que hoje recebem uma grade maior, ou mesmo as que agora vivem soltas num cercadinho, não foram sujeitos no momento em que o sistema de produção de alimentos de origem animal se configurou do jeito que hoje está. Se, há trinta ou quarenta anos, as galinhas foram colocadas nas caixinhas de arame do tamanho de um par de sapatos, para favorecer a “coleta” dos ovos e a intensificação de sua produção, aumentar o tamanho dessas gaiolinhas ou mesmo soltá-las num cercadinho maior não beira sequer a área da moralidade em relação a elas, ainda que possa aliviar a consciência dos consumidores de ovos. Por que não beira a ética, sequer? Porque as galinhas jamais foram levadas em consideração no que diz respeito à vida que a espécie galinácea expressa. Não foram levadas em conta há meio século, e não são levadas em conta hoje.

Se o bem próprio das galinhas for levado em consideração, isso quer dizer que, em primeiro lugar não podemos “colher” seus ovos, porque a natureza das galinhas não as prepara para “botarem” ovos para serem colhidos pela espécie humana. Por que não? Porque os humanos têm fontes vegetais suficientes das quais podem obter os nutrientes presentes em ovos de galinha. Então, o argumento da “necessidade” que poderia comover alguém, não se aplica. Nem em relação aos ovos, nem ao leite ou à carne.

Em segundo lugar, se o bem próprio de uma ave for levado em consideração, nenhum ser humano deve ter o direito de explorá-la, muito menos de escravizá-la. Todo confinamento configura domínio escravista do animal, não importa se é para a indústria do alimento humano e animal, ou se é para a indústria da “estima”. Confinar animais e usar o domínio físico sobre eles para forçá-los a produzirem algo que sua natureza produz apenas para sua autoreprodução, desconfigura o ato de qualquer possibilidade de vir a ser considerado ético. Portanto, não há ovos éticos no mundo, porque nenhuma galinha os põe para beneficiar humanos. Os humanos se organizam e organizam um sistema inteiro de produção e consumo abusando de seu domínio físico sobre as galinhas. Nesse caso, não há liberdade galinácea. Em não havendo liberdade, não há como considerar o consumo de quaisquer derivados animais como ético. Sei que há quem não goste quando escrevo esta frase, mas, aí está: vamos parar de ser hipócritas!

63 COMENTÁRIOS

  1. Eu também concordo. Me pergunto até quando as pessoas continuaram a inventar desculpas e mais desculpas, para seu próprio proveito… Até quando o planeta vai aguentar, até o momento que sucumbir por causa dessa sociedade ridícula.
    Acho que seria melhor se o mundo realmente ‘acabasse’… Conto com os Maias

  2. Sonia, você confunde ética com altruísmo. Ser ético é uma coisa, um dever; ser altruísta é outra, uma virtude.

    você disse:
    “Se o bem próprio das galinhas for levado em consideração, isso quer dizer que, em primeiro lugar não podemos “colher” seus ovos, porque a natureza das galinhas não as prepara para “botarem” ovos para serem colhidos pela espécie humana. Por que não? Porque os humanos têm fontes vegetais suficientes das quais podem obter os nutrientes presentes em ovos de galinha. Então, o argumento da “necessidade” que poderia comover alguém, não se aplica. Nem em relação aos ovos, nem ao leite ou à carne.”

    “Necessidade” não é o único interesse que nos move. Não temos necessidade de comer chocolate e fazer um monte de coisas, mas fazemos! Aliás, chocolate deveria ser boicotado pelo veganismo, pois mata animais no seu cultivo.

    Quanto a questão da natureza das galinhas, isso serve para milhos também e vários tipos de frutas se não fosse a questão da subjetividade. E falando em subjetividade, podemos colher ovos de forma ética sem prejudicar organismo da galinha e seu bem-estar, como havia colocado texto anterior. Esse é o grande problema dos veganos, em dar um ex. absurdo de maus-tratos a animais pela industria, para rebater sobre a produção de ovos. Porque veganos não falam das galinhas caipiras, free-ranges e “caseiras”? Porque os fatos não fariam a ligação crueldade x boicote e aí toda a argumentação vegana cai pro ralo. Isso também é uma falacia e se chama falácia do espantalho!

    Então existe “ovos” éticos sim! E pode até compatível com o que vocês chamam de “abolicionismo”.

    • Pedro, então posso pegar na tua mãe, filhas, tias, primas, mulher… todas as fêmeas da tua vida e usá-las de FORMA ÉTICA para lhes tirar, por exemplo, o que quer que seja? Deixas?
      Se é bom quando fazemos aos outros também deve ser bom quando fazemos a ti e aos teus!

  3. Está na moda dizer que o frango que é vendido no supermercado tal ,é organico ,a carne do boi é organica ó ovo é “caipira “,o leite é tirado ao som de musica .E os pobres animais protagonistas dessa farsa sofrem por traz dos bastidores dessa crueldade disfarçada,de bem estarismo todos os dias ,horas minutos e segundos ate o momento de sua morte .

  4. Se gostos fossem argumentos plausíveis, o canibalismo deveria ser aceito da sociedade. Temos que começar a nos colocar no lugar da pessoa (me refiro as não-humanas também) que sofre ação. Enquanto ainda se ver os não-humanos como coisas, meios para nosso fim, não se pode defender os Diretos dos Animais; afinal como você se vai defender uma coisa que você escraviza, seria a mesma coisa de se dizer defensor dos direitos humanos e ter um escravo. Deixo o link do primeiro artigo da sequencia Esta tão na cara que é difícil de enxergar, pois têm gente precisando aprender a fazer um raciocínio ético que comenta nas paginas da ANDA: http://www.pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=175:esta-tao-na-cara-i&catid=41:lucianocunha&Itemid=1

  5. Flavia,
    quando você come qualquer pedaço de bolo, biscoito industrializado, torta da confeitaria, ou come em restaurantes comidas que contêm ovos, já não pode dizer que come somente ovos de galinhas soltinhas. Pode até ser verdade que você faça isso em casa, mas botou o pé pra fora da porta já não pode mais afirmar isso.
    Mesmo que você compre “ovos caipiras” você está mais uma vez sendo enganada, porque “caipira”, escrito nas caixinhas vendidas em supermercados, significa apenas um tipo de galinha usada para extração de ovos, não o tipo de vida que a galinha leva no sistema que a escraviza.
    Não adianta a galinha ser “orgânica”, isso não torna ético o ovo que coletam, porque ela continua a ser escravizada para produzir ovos que serão vendidos para dar lucro ou satisfazer apenas os interesses humanos. Somente isso já basta para desmascarar todo discurso “orgânico”, “sustentável”, e por aí afora. E, para completar, todas essas galinhas “orgânicas” são mortas do mesmo jeito que as demais, assim que não podem mais botar ovo algum. E justamente porque os produtores orgânicos matam as galinhas quando elas “cansam”, o que eles vendem não pode ser considerado produzido de modo ético.
    Escravizar e matar exclui a possibilidade de tornar qualquer outra ação que derive dessas, uma ação ética.
    Ética tem a ver com altruísmo, sim! Se tivesse a ver com egoísmo não precisaria existir, porque dele os humanos já estão abarrotados.

    Pedro Miguel, você escreve tanta besteira que nem vale a pena responder. Você é “bem letrado”, mas lhe falta muita leitura. Sacou a diferença?

  6. Sonia, tu dizer que me falta leitura porque eu bato de frente com o veganismo e alguns argumentos típicos, é risível. Se o veganismo trata o consumo de ovos com falácias típicas e argumentos poucos satisfatórios exceto para outros vegans que recorrem desesperadamente a qualquer coisa que lhes possa justificar, isso não significa que me falta leitura.

    Longe de mim discutir egos, mas fui vegano durante anos e isso me deu experiência e dados para avaliar os dois lados. Já decorei todos os argumentos, e ideias e falácias e enfim…tudo e os dois lados são tão ruins que sequer consigo ver o sentido de algumas bobagens que diariamente eu vejo por aí…. E não só possuo experiência que me fez abandonar o veganismo e essas bobagens toda que se pregam por aí feito o “pão nosso de cada dia”, como ainda possuo uma biblioteca imensa de livros impressos sobre o assunto e boa parte deles eu já li e foi o que me motivou mais ainda a abandonar o veganismo. Não é a falta de leitura que me faz eu não ser vegan ainda, mas foi um pensamento sobre leituras que me fez eu abandonar o veganismo e suas idéias sem sentido.

    E eu não estou sozinho nisso. Alguns amigos meus passaram por experiências tão terríveis no veganismo e passaram a estudar algumas questões mais a fundo e com um senso crítico e cético que o veganismo não durou muito tempo para nós. Apesar de provavelmente um tenha influenciado o outro reciprocadamente devido a diversidade de assuntos, ainda assim provavelmente, essa tomada de decisão foi bem particularizada e somada a tais experiências em comum e ao avanço em determinados estudos em alguns campos do conhecimento como o da consciência. Posso citar o Iago, Mikair, Felipe, Hélio entre outros.

    Pessoas como essa DPM que ousou fazer uma resposta a mim, porém com falácia ad hominem, eu já ví aos montes no veganismo. Mas em fim, montar uma imagem de mim assim para que tudo o que eu falar ser uma “bobagem” que nem precisa ser refletida e manter os seus dogmas, a conforta e é suficiente. Paciência, só não exija o oposto disso dos especistas.

    Depois não reclamem por ninguém entenderem vocês, assim obrigando internamente as [im]posturas como a do “pedagogo vegano francionista” colunista daqui que qualifica as pessoas de “esquizofrênicos morais”, quando na verdade, talvez o problema não está nas pessoas e o link entre seus atos e seus princípios. Mas na cabeça de vegans chauvinistas.

  7. Sobre o pedro gabriel, lembrei de duas anedotas:

    (1) Em 1772, os primeiros colonos europeus chegaram à Tasmânia. Em 1830, os cinco mil nativos já haviam sido reduzidos a 72. Em 1869, quando o último tasmaniano morreu, o doutor George Stokell, membro da Sociedade Real, abriu a sepultura para fazer uma bolsa de tabaco com sua pele.

    (2) Em 1899, um negro americano chamado Sam Hose foi executado em público. Quando sua mulher, grávida de oito meses, jurou encontrar os responsáveis, uma multidão se juntou, amarrou seus tornozelos numa árvore, de cabeça para baixo, e abriu sua barriga ainda viva. O bebê caiu do seu ventre e teve a cabeça esmagada por um membro da multidão.

    Pessoas como o Pedro Gabriel pertencem a essa longa tradição de violentadores de seres sencientes, cúmplices e simpatizantes.

    Fico aqui imaginando que “experiências tão terríveis no veganismo” ele e seus colegas experimentam que justique aderir aos atos de barbárie que infligimos contra centenas de bilhões de animais, em nome da CONVENIÊNCIA. Como são patéticos……

  8. Ah…entendi o porquê de tanta hostilidade. Estão pensando que eu sou um especista insensível e violentador de “senciêntes”(seja lá o que isso signifique). Não, amiguinhos. Eu defendo os direitos animais e o anti especismo. Agora podem sair da defensiva e da hostilidade tipica.

    Ao menos que os Senhores já ultrapassaram o limite de qualquer suportabilidade ao colocar veganismo como a única postura dos direitos animais, então quem ser contra só pode ser um terrível e monstruoso explorador de “seres sencientes”, que financia pecuária etc. Se for esse último, pior para os Senhores, e espero que não ultrapassem também o limite de andar para trás, porque já já estarão na idade do bronze.

    • Pedro, deixe-me tentar explicar calmamente.

      Eu não posso te julgar e dizer que você adora ver sangue ou judiar de animais com as próprias mãos. Não te conheço, não vou apontar o dedo assim para você.

      Eu também não sou nenhuma especialista em ética, mas sei de alguns conceitos e vamos partir do princípio de que hoje já foi comprovado que animais sentem e possuem uma própria natureza e habitat que não são os mesmos que nós humanos viemos decidindo por eles ao longo da história. Não vou falar dos horrores das granjas industriais, vou falar daquela típica criaçãozinha caseira que vemos no interior até hoje e que muitos consideram “boa” ao animal.

      Deixe me ver como posso explicar. As galinhas são animais com seu próprio habitat e seu estilo de vida naturais.
      Criar uma galinha, mesmo sem maltratar, você a estará criando para o bel seu proveito e, visto que sendo nós todos do reino animalia, você só não estaria sendo especista (conceito que alimenta a desigualdade das espécies) se admitisse que tudo bem criar algum animal humano ou não humano se pudesse se aproveitar de algo dele independente da vontade dele.

      No começo, por exemplo, nós podíamos até recolher ovos da natureza caídos por ai, mas depois nós começamos a criá-los em casa, o que começou a alimentar essa ideia de criação para aproveitamento e que, devido a imensa quantidade de pessoas se alimentando disso, foi fazendo surgir as granjas do passado até chegarem às granjas industriais de hoje.

      Não estou dizendo que apenas criar um animal é agressivo como deixá-lo depressivo, bater, judiar, essas coisas, mas agride um princípio da ética que é visar o bem do agente protegido sem pensar nas vantagens próprias, é visar o bem geral para que todos convivamos em nosso estado de felicidade.
      Nessa questão, felicidade não é estar cacarejando, cuidando dos pintinhos, recebendo carinhos do “dono”, porque se fosse esse o ponto, seria ético pais criarem filhos isolados do mundo em cativeiro em casa visto que esses filhos demonstram carinho, sorriem e brincam.

      Porque é abominável pais criarem filhos em cativeiro? Porque nenhum ser nasce para viver em função de outro e nós sentimos a repulsa por esses pais, pois, apesar de vivermos em sociedade com nossas alegrias e tristezas, no nosso âmago sabemos que só estamos vivendo o nosso potencial real de felicidade enquanto formos livres para escolhermos nossos próprios caminhos.

      Ou seja, a galinha só estará sendo feliz, e sua atitude ética, se ela, por espontânea vontade decidi-se botar ovos para você.

      Agora saindo da questão dos ovos…

      Ai você pode me dizer, “mas então não é ético que eu seja livre e escolha comer animais?” nesse ponto entra a questão da nossa evolução mental e ideológica ver se, assim como é considerado errado extrairmos o potencial de felicidade de outros seres humanos (contra a vontade deles) também seria errado extrairmos o potencial de felicidade de outros animais por considerarmos a nossa espécie mais digna do que as outras, o que cai no conceito de especismo.

      Lembrando que a ideologia vegana é contra toda exploração animal, isso inclui humanos também.

      Também, falando de fora da ética e entrando na visão ecológica, o especismo desenvolveu a raça humana de uma forma completamente desrespeitosa com a fauna e a flora, a um ponto que estamos conspirando contra a nossa própria espécie ( contribuindo para a nossa futura extinção) deixando um mundo sem recursos para o futuro e alimentando o sistema de exploração animal o qual é simplesmente inviável para um mundo de 8 bilhões de pessoas com consumo igualitário (se isso fosse possível). Ou seja, a cultura de alimentação onívora só funciona e incentiva um mundo de desigualdade social para continuar se mantendo, ainda conspirando contra o bem estar da nossa própria espécia.

      Eu não sei se fui clara em tudo o que disse e sinto muito se você pegou alguns veganos de modinha no caminho que te passaram ideias muito mal fundadas e te geraram essa repulsa.
      Eu espero só te fazer refletir com tudo o que tenho estudado até então. Até porque é antiético que eu te obrigue a seguir o que eu diga.

  9. Nurith,
    as pessoas gostam de afirmar que “só consomem ovos de galinhas soltas”… quando questionadas sobre o fato de usar ovos implica em explorar as galinhas. Parece que elas se sentem melhores moralmente, do que as outras que comem ovos de qualquer galinha.
    O autoengano, no entanto, ocorre, porque o modo de uso sistemático de qualquer animal destitui esse uso de qualquer condição de poder vir a ser considerado ético. Não há uso ético de qualquer outro ser vivo que tenha senciência, pois o fato de usá-lo já implica em cercear sua mente e forçar seu corpo a entrar num tipo de produtividade para o qual sua natureza não o constituiu. Por fim, mesmo as galinhas mantidas soltas enquanto são férteis, são levadas para o abate ao final de sua “utilidade”.
    As pessoas não pensam no sistema inteiro, do dia do nascimento da pintainha ao dia de sua morte como “galinha gasta”. Por isso aliviam sua consciência. Mas, sentir-se aliviado na própria consciência, obviamente,não é indício de ter agido eticamente.

  10. Sônia,
    Perfeito, obrigada pela resposta.
    Não sei se interessa, mas há um ano sou vegetariana e há três meses me tornei vegana após ler seus artigos e assistir sua palestra no you tube sobre Ética Animal, e agora estou lendo seu livro Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas.
    Tudo que você escreve de certa forma me comove e acrescenta em muito a minha cultura, e, é claro, que me enriquece como pessoa. Obrigada!!!

  11. Há Sônia, sinceramente, diante das circunstâncias tão desanimadoras, das visões distorcidas, da falta de coragem na EXIGÊNCIA dos direitos animais, principalmente para os de fazenda ou de consumo (bois, porcos, galinhas, cavalos), que são entre os escravos, os em maior número e os mais sofridos, desde o nascimento indesejado até a morte fria, injusta e cruel diante dos seus algozes, que nem por um milésimo de segundo se compadecem do seu atroz sofrimento, enquanto agonizam solitários em dores indescritíveis sem NENHUMA NECESSIDADE, só para aumentar o lucro dos ESCRAVAGISTAS ou a cupidez gastronômica de uma humanidade ignorante e alienada. Em face do monstruoso e gigantesco poderio do SISTEMA que se infiltra até nos meios ativistas e os contamina sutilmente, sinceramente, hoje só VEJO ESPERANÇA em VOCÊ, através de sua abordagem ÉTICA. Que possa viver saudável durante muitos anos, para dar-nos tempo de absorver tanta sabedoria e lhe auxiliar dentro do “espaço” que acho o mais apropriado para empreender as discussões e conseguirmos resultados REAIS.
    Celso Raimundo

  12. Será que não estamos nos fechando de fato para críticas que podemos pinçar em quaisquer situações? Elas vão fortalecer o que é justo. Porque de sermos tão reacionários ou posso estar sendo mesmo ingênuo?

    Não concordo com a opção de abordagem do Pedro Gabriel, me parece imatura e provocativa de forma negativa, talvez seja uma opção planejada e não imatura, não o conheço pessoalmente, não sei os seus motivos, não sei se está momentaneamente tomado por uma necessidade do eclesiastes 1:2 (e não sou religioso) seja qual for, mas fora a opção de abordagem, percebo pontos bem interessantes e não tenho temor por isso. Posso estar sendo ingênuo, mas até agora tenho a impressão de perceber o que ele quer denunciar. Essa denúncia também me parece muito perigosa para aqueles que estão pendendo para um determinado lado da corda bamba, como se a denúncia fosse motivo para desistir de insistir no que parece e é justo. Esse comentário que estou fazendo reflete os do texto anterior e não reflete os do Pedro Gabriel necessariamente.

    O que é ser “vegano” e o que leva um “vegano” a se declarar um ex vegano (não necessariamente no caso do Pedro Gabriel, não sei a situação dele). Vai depender da elasticidade de tudo, a não ser que esteja tudo já tão definido a ponto de as bordas mais complexas esconderem um dogmatismo.

    Antes que me ataquem como ao Pedro Gabriel (se bem que ele pede, conhecendo a natureza baixa própria dos nascidos na forma humana e sabendo melhor ainda do encabrestamento mental que muitos nesse movimento acabaram por se auto-temporariamente-vestir), minha alimentação é “plant based” com adição de fungos e minerais não “plant” e vitaminas via tecnologia, evito tudo o que posso ou que tenho conhecimento no âmbito da exploração dos animais, falo e escrevo sobre o que ainda chamamos de veganismo (e gostaria que o termo se mantivesse), vou as ruas pra tratar disso com meu grupo aqui de São Leopoldo, e outras coisas mais, ainda que muito pouco perto do que muitos aqui fazem de forma invejável.

    A intervenção dele é típica do pentelho, mas é indevida? (e quem disse que ser pentelho pertence à dimensão do que é visto como ruim?). Não nos empurra pra frente? Entenderam o que ele quis dizer sobre a “necessidade”? Sobre a “natureza” das coisas? A natureza das frutas não parece ser servir seja quem for, humanos ou não, é uma questão da nossa significação para as coisas. Isso não é sinônimo de defender os ovos éticos. Se o Pedro Gabriel defende, eu não. Mas não tenho coragem de atacar o argumento “pentelho” dele sobre a “natureza das coisas”. Nosso argumento pela justiça, parece ele dizer, não deveria se solidificar nesse território. Isso não invalida o texto da Sônia, ou eu sou mesmo um baita ingênuo, ou ele está empurrando o debate para além de nossos campos mais calmos. Não gosto disso também, mas teremos combatentes prontos para nos atacar nesses campos. E nesse ataque, vai arder em quem? Em nenhum de nós, mas nos injustiçados.

    O que chamamos de veganismo está de certa forma vulnerável aos baixos, àqueles que procuram qualquer falha para continuar massacrando tudo o que é impotente e sujeito daquilo que querem tirar proveito, daquilo possuidor de valor, dentro do que nossa capacidade é capaz de dizer como “valor”.

    Imagino quantos não nos acusam de incoerentes com o que foi nomeado como veganismo, e que decidimos fechar os olhos mas acusar o que não está tão perto, por não sermos capazes de abandonar nossos sentimentos de proximidade com determinados seres, cães e gatos de nossos lares por exemplo, de não destiná-los a eutanásia para que paremos de alimentá-los com os resquícios de seres tão inocentes quanto eles, porém distantes de nossos olhos e corações, por mais que as rações sejam subprodutos tanto quanto o queijo ou couro. E falo isso justamente me questionando, apreciando eles, reconhecendo suas individualidades, esses próximos que se abastecem da desgraça dos distantes, sabendo que é um problema grave, poucos podem reverter essa situação com rações “plant based cruelty free”. Será que na pontuação da “tabela” isso não seria o suficiente para alguém ser um ex vegano, já que não consegue responder aos princípios tão verticais eleitos por alguns? Ou é melhor passar um pente fino nessa questão e preservar o termo?

    Claro que sei das limitações da nossa contemporaneidade para certas questões, que 2 errados não fazem um certo etc etc. Estou querendo colaborar, mas ou sou muito trouxa ou percebo um pouco de algumas das “acusações” que aqui não fazem parte da cartilha automática e dogmática do bom vegano. Digo isso querendo a continuação do que temos chamado de veganismo.

    E o que isso tem a ver com os “ovos éticos”? Acho que não muito, não acredito em ovos éticos em nosso contexto, a não ser que eles sejam roubados na natureza que desconhece a ética e o conceito do roubo e não vejo nada de necessariamente errado em roubar (imagino o Peter Singer dizendo isso) mas tem muito a ver com a maneira como temos interagido com aquilo e aqueles que nos confrontam numa instância fora da cartilha que alguns tem eleito como a verdade de todas as verdades. E isso não é, de forma alguma, ser contra o “nosso” movimento de justiça.

    • Juliano disse algo que não podemos (sabemos) discutir, sobre a “Natureza das coisas”… e ele tem razão. Tem muitas pessoas que vivem de luz, pois por suas ópticas, as plantas tb não devem ser “exploradas”, ou porque as “necessidades” foram extraídas… Não se “definiu” nem de “onde” viemos, tão pouco sabemos das relação da natureza verdadeiramente… Acho que algumas pessoas colocam o veganismo de forma absurdamente radical… ANTES DE AO MENOS refletir nessa questão muito bem colocada pelo Juliano… se pensarmos que “A natureza das frutas não parece ser servir seja quem for, humanos ou não”, poderia isso não ser considerado um “aborto”?, afinal a semente dentro daquele fruto traria uma nova planta (um novo “ser”?). Muito grata ao Juliano pelo texto, pois me abriu outra forma de pensar!

  13. “Se é ex-vegano, é porque nunca foi”. Claro, como sou tolinho! Afinal, o veganismo tem uma sobrenaturalidade inexistente em qualquer outra ideologia que torna a falseabilidade desnecessária; Inacreditável! Agora só me explique, aquela pessoa que deixou de ser especista, é porque nunca foi especista? Ou isso só é válido para o veganismo?

    Agora, vamos brincar de “veganismo está sempre certo”.

    Ao menos, ela foi menos hostil que uns aí que chegaram até me pintar com as incríveis análise psicológica vegana francionista de tal forma que poucos vilões conseguiram me superar…pontinhos para você Celeste, continue progredindo assim que já já vc deixa o veganismo também, ao menos, por motivos de boa educação.

    Quanto aos ovos, volto novamente a questão. Qual o problema das galinhas “caseiras”? Se uma pessoa pode ter um pato no quintal de casa ou avestruz na chacara e comer seus ovos. Qual o problema dos ovos de sítio free-range que pode não tem por fim o abate das galinhas quando elas não botam mais? Principalmente porque o período de vida das galinhas depois de parar de botar é curta, e mesmo não sendo curta, a engenharia genética poderia resolver isso. Qual o problema dos sítios que tem as galinhas como “animais de criação” como cachorros e os ovos excedentes são vendidos?

    Me chamar de troll não vai responder a questão. E nem brincar de “vamos xingar de bem-estarismo”.

  14. “Quanto aos ovos, volto novamente a questão. Qual o problema das galinhas “caseiras”? Se uma pessoa pode ter um pato no quintal de casa ou avestruz na chacara e comer seus ovos. Qual o problema dos ovos de sítio free-range que pode não tem por fim o abate das galinhas quando elas não botam mais? Principalmente porque o período de vida das galinhas depois de parar de botar é curta, e mesmo não sendo curta, a engenharia genética poderia resolver isso. Qual o problema dos sítios que tem as galinhas como “animais de criação” como cachorros e os ovos excedentes são vendidos?”

    Pedro, qual é a questão que quer colocar aqui? Essa é uma pergunta aberta ou está ocultando algo? Eu fico curioso, porque me parece que a tua pernada no tema poderia responder muito bem sobre os problemas contidos nas tuas questões.

    Uma de minhas respostas seria ao estilo “mix de teorias ou princípios”. Daí eu digo que as tuas questões partem de exemplos que são ocorrências verdadeiras, que estão aí para todos ver, mas sabemos bem das conseqüências de ser assim, o que sugeriria a urgência de mudança desse modelo (ex. poder ter pato no quintal. “poder ter” = ser proprietário da “vida alheia”). Nesse caso o poder ter faz eu migrar para o pensamento que diz algo sobre um outro (animal pessoa ou não pessoa) sendo propriedade de alguém e sujeito a tudo o que uma propriedade está quando no domínio de quem “a tem”, da lógica da dominação atrelada à do mercado e pulsões dos desejos etc. Vimos no que deu. O tal do “progresso”. Em algum momento da história a coisa toda teve seu momento assim mais “free range” e “evolui” para a desgraça que essas aves vivem hoje. Me parece óbvio, posso estar enganado, que o mundo não pode, não tem condições de ser um “galinheiro global e feliz”, sem contar toda a questão ética envolvida diretamente ao uso do corpo do outro e do outro enquanto ente único e insubstituível com valor para si, a transformação de uma unidade viva (animal pessoa ou não) como recurso uma vez que é propriedade de alguém (e lá vem toda a questão da propriedade que vai longe). Então o melhor é não “pegar gosto” pela coisa mesmo, apagar essa marca de nossas preferências e práticas herdadas. Em vez de investir em pegar gosto por ovos ou investir em tentar reformar o que está complicado, visto tudo que já podemos ver que deu “errado”, vamos investir em pegar gosto por abóboras, por exemplo.

    Sobre um possível resultado da engenharia genética, acredito que as questões principais nesse momento residam em como isso estaria acontecendo. Que tipo de experimentos estão sendo conduzidos e como e com quem. Outra perspectiva é a bobisse do “homem” em investir forças poderosas para reformar o que não deveria (nesse caso), achar que tudo é um desafio, que tem e que pode dar conta, ao invés de redirecionar essa energia, essa potência para reinventar suas percepções e dar ou perceber novos significados no que está de certa forma sob seu domínio. Fica uma coisa meio besta: com tudo que já vimos de macabro, ainda assim as “crianças” berram que querem ovos e frangos e os “pais” abestalhados, ao invés de educar, tem que dar um jeitinho de atender a manha infundada. Claro que essa não é uma teoria ou princípio, mas uma percepção pessoal.

    No mais, acima, é apenas um pensamento rápido sobre minha divergência sobre teus exemplos e possível posicionamento sobre isso. Por isso a pergunta inicial: a tua questão é aberta ou tem algo oculto que queira dividir sobre esse tema, partindo do pressuposto que já tenha visitado vários dos prós e contras e pensamentos de vários autores e tem falado bastante sobre engenharia genética e estudos da consciência e críticas à senciência?

  15. Silvana, realmente o “Pedro Gabriel” não foi feliz no exemplo que ele deu. Pois estamos falando a respeito de avanços, e evolução de consciência. O exemplo de especista que ele citou não tem qualquer coerência. A questão é progredir eticamente em razão de se ter consciência de que aquilo que se fazia anteriormente não era o mais ético. Mas por outro lado, não consigo entender o motivo do “Pedro Gabriel” ser tão contra quem se predispõe a fazer algo pelos animais, ainda que esse algo não seja o ideal na visão dele. Será que é errado fazer o mínimo, ainda que seja o mínimo? Por que ele critica tanto assim quem faz o mínimo? Simplesmente porque ele não quer fazer o mínimo? É esse o motivo de tanta revolta? Penso que não. Penso que na verdade ele de alguma forma deve lucrar financeiramente com a exploração de animais. E, portanto, apenas tenta defender os interesses dele, pouco importando os interesses de terceiros, inclusive de humanos que tentam lutar pelo interesse desses terceiros. Por que tanto ódio? Mude, opte pela compaixão, pois se sentirá melhor consigo mesmo. Seja feliz!

  16. Oi Silvana,
    Eu acho que as coisas não são bem assim, pois dados e premissas podem estar sobre a base dessa nova consciência estendida. Então, a “consciência” ou um avanço moral poderia ser regredida, não por regressão das idéias morais, mas por nova ciência desses dados que tal moral se apóia.

    No mais, eu não posso me manter numa situação de confiança tão grande a ponto de ter as minhas convicções como absolutamente certas. Por ex. os tibetanos, antes de construir algo, eles fazem uma varredura no solo para tirar todas as minhocas, baratas de terras entre outros. Aparentemente é uma moral mais estendida, mais até que a de muitos veganos, uma consciência mais avançada. Porém, não correta ao meu ver. Mas por alguma influência no momento, juntando com falta de informação ou informação errada, eu poderia vir a ser como os tibetanos.

    —————————–
    Juliano,

    Eu só estou dizendo que é possível “ovos éticos”. Não tenho nenhuma carta oculta. Só não concordo com o veganismo e acho que direitos animais não é limitado ao veganismo.

    Não estou convicto que não deveríamos comer ovos de galinhas caseiras, patos ou que animal for. E nem mesmo estou convicto porque é errado ter 500 galinhas numa chácara soltas e vender seus ovos, ainda mais quando não tem como fim o abate delas. E há bons motivos para aceitar os “ovos éticos”.

    No mais, também não estou convicto porque é errado o texto do Peter Singer que a Sonia faz referência. Dizer que isso não é ético, por mais que, não seja ético em relação a finalidade das galinhas após o período de produção. È um absurdo, fruto do medo do bem-estarismo que poderíamos entendê-lo como medo do “bicho-papão”. Na verdade, a atitude da União Européia foi uma revolução na vida dessas aves destinada até então – querendo veganos ou não – ao confinamento e ao abate. Mas mais importante que a “vida” é a forma de se viver. Singer defende isso e toda sua teoria ética é ao redor disso, por mais que isso não implique em matar, E eu realmente concordo. No final, acho que todo mundo concorda com isso. Mas a intransigência vegana, essa ideologia absolutista que veganos gostam mais que os próprios animais confinados, não permite veganos agir de uma forma um pouco melhor sobre esses animais . E como alguns veganos por aí, seguindo o messianismo francionista, até fazem até ativismo contra tais posturas éticas pragmáticas.

    È curioso como as ideologias são. Jamais pensaria que o veganismo defendesse crueldade e tortura animal. Mas eis um exemplo aí.

  17. Silvana,
    O que eu não concordo é que esse nível moral verdadeiro ou essa verdade, não por muita coincidência, é a sua.

    “Jamais” vamos conhecer o que é realmente verdadeiro. Assim como jamais vamos saber o que é realmente um nível avançado de moral. Principalmente porque achar que aquela moral sempre mais expandida é melhor, certa ou avançado, é um erro. A moral não é algo que não causa efeitos ou reações . Aumenta a moral de um que limita a liberdade de outrem. Então algo que aparentemente bom e moralmente estendida pode ser uma opressão para um outro. Pois a moral tem como consequência a responsabilidade de um outro.

    Logo, nossas ideias são falseáveis e temporais, e sendo falseável. Podemos estar errado. Assim uma consciência moral pode:

    1) estar errada enquanto teoria – ao meu ver, como dos tibetanos

    2) pode estar certa enquanto teoria, porém, errada nos dados e premissas. Assim, poderíamos entender durante anos que comer ostras é errado, mas daí vem pesquisas cientificas mostrando as [falta de] qualidades da ostras que a filosofia ética usa como dados e premissas. E isso as desqualifica como “sujeito” dessa moral. E então poderíamos voltar a comer ostras ou tratá-las como coisas, nesse caso, a moral-teoria não regrediu, continua a mesma. O que mudou foi sua aplicação.

    Essa mesma ideia se encontra em relação a aborto, células embrionárias, etc . Infelizmente o veganismo não aceita comer ostras, assim como algumas religiões não aceitam o uso de células embrionárias. Não por motivo epistêmico-ético, mas porque o veganismo(enquanto cultura, estilo, pensamentos) se construiu encima de dados e premissas —> seja vegetariano <— mais que erradas, mas também arbitrária e se dogmatizou.

  18. Pedro Gabriel,
    Bem, em primeiro lugar, existem verdades absolutas sim, a velocidade da luz é uma delas, sorry.
    Em segundo lugar, o exemplo da ostra é patético, não por muita coincidência, assim como você.
    Mesmo que ocorra uma pesquisa científica (mudança de paradigma) desqualificando a ostra, a minha consciência vegan de não comer seres sencientes não vai mudar. Portanto, acredito que foi isso que a slivana quiz dizer, quando disse: “não existe regressão de consciência”.

  19. Pesquisas científicas não nos dão as verdades, elas as escondem de nós. Basta lembrar das pesquisas científicas provando que o cigarro não dá câncer, financiadas pelas agências do tabaco. AGora se dá o mesmo com o leite e os laticínios. Enquanto alguns continuam a afirmar que o leite é um alimento perfeito (sem dizer que são perfeitos somente para bezerros), milhões de pessoas, cada vez mais jovens, morrem com as artérias cheias de placas, ou de câncer, causados por leite. Onde estão os cientistas com a verdade? Nos escritórios da Nestlé, Danone, Monsanto, Beef and Cattle Association, e similares.
    Ostras são sensíveis ao ambiente no qual vivem e aos caixotes nos quais são transportadas. Liberam endorfinas, hormônios só existentes em seres vivos dotados da capacidade de sentir dor… justamente uma defesa que a natureza dá a todos nós, para que corramos para longe do ambiente ou das interações que ameaçam nossa integridade física ou emocional. Mas, há vinte anos não se sabia disso. A verdade é a mesma, antes e agora, depois da pesquisa que reconheceu haver sensibilidade nas ostras. Essa sensibilidade estava lá, mesmo quando todos a negavam. O mesmo ocorreu com as mulheres, que eram consideradas destituídas de racionalidade, porque não interessava aos homens reconhecer essa característica nelas. O mesmo aconteceu com os negros, dos quais os cientistas chegaram a dizer que não sentiam dor, pois recebiam as chibatadas sem urrar…
    Tudo o que os cientistas disseram, de uns e de outros seres sencientes, era apenas para justificar a crueldade dos homens brancos sobre essa gente. O mesmo continua a ser feito em relação aos animais não humanos. Quem quiser esperar a ciência afirmar que os animais têm consciência, inteligência, sensibilidade e racionalidade específicas, pode morrer tendo perdido seu tempo biográfico. A verdade sobre os animais está lá, com eles. Os humanos são tão broncos que não conseguem percebê-la. Quem deixa de ser bronco precisa parar de esperar a ciência afirmar coisas, porque ela só afirma as coisas para as quais recebe financiamento.

  20. Valeu a lembrança, Nurith, comentário 33. E olha que li com paixão o Bartolomeu de las Cazas, sobre as disputas dos teólogos colonianistas negando a existência da alma nos que haviam nascido desse lado do Atlântico.
    A matriz cognitiva e moral do especismo é a mesma do racismo, do machismo, do imperialismo!

  21. Sônia,
    acredita que por trás de movimentos sociais e políticos e até mesmo revoluções, está sempre o interesse econômico? mais que isso, que tais movimentos só lograram êxito devido ao fator econômico? Por exemplo: A Emancipação Feminina aconteceu diante da necessidade de mais mão de obra e mais consumidores. A Abolição da Escravatura, devido a mudança do modo de produção, daí a necessidade de mão de obra assalariada.E por aí vai…Sendo assim, se acredita nisso, quais são suas perspectivas para a abolição animal e abolição do especismo?
    Pode até ser uma pergunta idiota, mas é uma problemática para mim. Eu sei que faz a sua parte e faz maravilhosamente bem, mas acha que será o bastante? faço esta pergunta, prq acho que vc melhor que ninguém sabe que não há interesse econômico por trás da abolição animal.

  22. pois é, Sônia, “ovos éticos?”. Há pouco tempo você falou de “foie gras ético?”. E virá o tempo da vitela, mortadela, costela, nomes estranhos e nauseantes para serem alimentos. Não dá, né? O bem-estarista se orienta por um pensamento assim: “quero continuar a consumir animais, mas preciso pensar que eles são bem tratados”. Os bem-estaristas não abrem mão de usar os animais para os seus fins egoístas, seja de comida, alimentação, experiências. E pensam que as empresas que vão dar “bem-estar” ao animal vão colocar esse “bem-estar” acima do lucro? O bem-estarista acredita mesmo nisso, será? que a empresa e os tratadores dos animais seriam mais éticos do que ele? É um jogo psicológico de faz de conta, eu acho. Eu vejo as leis bem-estaristas como um “jeitinho” para acomodar a consciência e deixar tudo exatamente como está. E mascarar a baixeza moral do que se faz com os animais.

  23. Nurith,
    Consciente de que todas as revoluções morais não interessam financeiramente àqueles que acumulam riquezas às custas da baixeza humana, dedico minha vida à defesa dos animais, não por pensar que eles serão libertados um dia por causa da “bondade” dos empresários.
    Um dia, com certeza, o sistema de escravização dos animais para beneficiar interesses humanos cairá. A forma pela qual isso vai acontecer eu não posso prever, embora tenha lá meus palpites.
    Nosso trabalho e tarefa, até esse dia, é o de preparar o mundo para a vida vegana. Se não dermos o exemplo de que viver veganamente é possível, quando o sistema ruir as pessoas entrarão em pânico por não poderem mais comer animais e seus derivados. Até lá, estamos aqui vivendo e comendo veganamente, em todos os pontos em que isso é possível de fazer. Nós somos apenas o feixe de luz da lanterninha, apontando para as áreas escuras onde, para os onívoros, não há nada que possa ou deva ser visto.
    Evely, emendo a última frase: para os onívoros, a cegueira sobre a real condição de sofrimento dos animais é a desculpa para continuarem seguindo em massa na direção oposta à que deveriam seguir. As leis bem-estaristas não são feixes de luz nessas áreas cegas. São efeitos especiais ilusionistas. Quem se encanta com o mal bem maquiado pensa aliviar a própria consciência para melhor poder agredir-se e agredir todos os animais que come. Mas, se somos o que comemos, como esperar que haja luz na consciência de quem se alimenta de cadáveres? Os opióides presentes nas carnes e laticínios entopem os receptores de opiáceos naturais do cérebro, aqueles que nos deixam mais lúcidos, desestressados e capazes de formar juízos com ética e justiça. Cérebros entupidos não funcionam eticamente.

  24. Engraçado como alguns idiotas querem aparecer a custa da paciência dos outros,tentando vender uma imagem barata de pseudo intelectuais e conhecedores de uma causa.Vejamos o exemplo do tal do pedro dondoca gabriel,que disse o seguinte:-um pensamento sobre leituras que me fez eu abandonar o veganismo e suas idéias sem sentido,não,francamente,eu li isso mesmo,-um pensamento sobre leituras… Muito melhor viver na idade do bronze,longe de pessoas como essa,do que viver na civilização cercado de neurastêmicos. Outra coisa que ele falou:- como sou tolinho! AH! não brinca! voce vai sair no gala gay,certo? Vai procurar sua turma o palhaço,se voce tem algum problema com a sua sexualidade,o problema é seu! Deixa as pessoas que gostam dos verdadeiros animais em paz,elas não gostam de animais como voce!

  25. HIPOCRISIA MESMO,O NEGOCIO É SO O DANADO DO DINHEIRO,TODOS SE TORNANDO ESCRAVOS DELE,E ESCRAVISANDO ANIMAIS AVES SERES INOCENTES,POVO SEM NOÇÃO,EU JA Ñ SEI O K FALAR PRA MUDAR ESSA IGNORANCIA K VEM LÁ DE MUITO TEMPO,PONHAM COMPAIXÃO EM SUAS VIDAS,ISTO É PARA TODOS K Ñ ENCHERGAM ANIMAIS E AVES COMO SERES VIVENTES,SERES COM DIREITOS K NOS TIRAMOS DELES.

  26. Eu discordo quanto a primeira afirmação de que, e transcrevo, ‘nada do que façamos aos animais para tirar proveito para nós pode ser ético’.
    Muitas espécies animais exploradas pelo homem foram extensivamente domesticadas e selecionadas e não possuem condições de existir em ambientes naturais – neste sentido, ao serem mantidas em condições controladas pelo homem, não são apenas preservadas como também é o ambiente preservado, habitado ou não pelo homem, à medida que a própria presença dessas espécies selecionadas os alteraria radicalmente, afetando, com a sua libertação, o equilíbrio natural, tanto quanto com a sua exploração.
    Bem por isso ninguém discute a viabilidade de liberar gatos, cachorros, bois e, sim, galinhas, na natureza, todas estas espécies extensivamente usadas e modificadas pelo ser humano.

    Certamente, a única alternativa a mantê-las sob a guarda e uso humano seria eliminar estas espécies por inteiro!
    Desumano, eu poderia dizer; ainda que seja mais racional o consumo de outras fontes de alimento, no caso dos animais utilizados como tal.

    A senhora, me perdoe dizer, não pode determinar o que é ou não ético; não é qualificada para tal e não possui, como ninguém a possui, a autoridade para fazê-lo.

  27. L.L.
    Primeiramente, para ser levado (a) em consideração, “dê sua cara a tapa” colocando o teu nome.
    Segundo, as pessoas não vão virar veganas de uma hora para outra, portanto os animais domesticados pelo homem não vão ser libertados e inseridos na natureza do dia para noite. Os animais explorados para a industria da carne e laticionios, vão ser cuidados até a sua morte (de velhice) em fazendas veganas, como existem já varias nos EUA. Não temos justificativas plausíveis do ponto de vista do raciocinio ético (o qual segue os critérios éticos da universalidade, imparcialidade e generalidade) para usarmos os animais, eles devem ter seus direitos básicos respeitados. Seu argumento é ma falacia já “batida” a anos.
    E terceiro, não confunda moral com ética. A moral é relativa a sociedade e a época, a ética não. A autora é pós-doutora em filosofia especializada em ética (Sônia se estiver errada me corrija), portanto ele pode sim dizer o que é ético e o que não é.

  28. Sarah, L.L. escreve tanta bobice que nem vale mesmo a pena retrucar. Achei uma beleza a sentença dela, de que eu não sou qualificada nem autorizada a dizer o que a ética é, ou não é. Ela ou ele é tão boboca que sua frase equivale a dizer a Pitanguy que não teria autoridade nem qualificação para dizer o que seja uma boa cirurgia estética!
    Bem, a única diferença, obviamente, é que sou qualificada e autorizada mas não circulo entre as celebridades, ainda bem!
    Mas, comentário à parte, L.L.s estão por toda parte, sempre se autojustificando em explorar animais para seu bem pessoal. Essas pessoas, sim, se acham no direito de ditar o que a ética é: uma forma de viver na qual cada um busca explorar e tirar vantagens máximas de quem está em condições vulneráveis.
    E, repetindo o que já escrevi em outro lugar, essa estória de “animais domesticados” agora precisam continuar a ser explorados é mesmo muito confortável, não?
    Os animais foram domesticados em um tempo em que humanos e animais viviam sob as mesmas ameaças. Hoje a domesticação continua, mas os humanos não estão nas mesmas condições dos animais. Esses, sim, continuam a ser usados agora como eternos escravos. Seria o mesmo que usar os povos vencidos nas guerras como escravos dos vencedores. Hoje não existe “domesticação dos animais”, a não ser os “eleitos para estima”, que são condenados a viver no mesmo ambiente doméstico de seus “donos”. Os outros todos, usados para comida, não vivem no mesmo ambiente doméstico dos seus “predadores”. Os predadores vivem por toda parte, mas não suportariam “conviver” com os animais que gostam de comer e expropriar. Portanto, vamos parar com esse papo furado de “animais domesticados dependem dos humanos para viver”! Só as vaquinhas das vovós Donaldas ainda vivem no ambiente doméstico das vovós Donaldas. Todas as outras, as galinhas, as porcas, ovelhas, cabras, vivem literalmente no inferno e de lá seguem direto para a câmara de sangria dos matadouros.

    L.L., você que é tão autoridade no assunto, faz o favor de ler um pouco mais e com mais atenção sobre esses temas? Seus argumentos são furados, velhos, obsoletos, mofados, fungados. Não servem para embasar nenhuma ética humana, animal e ambiental. Se liga! O seu trem já está passando da estação e você tá aí, de boca aberta, parado no tempo. Merece!

  29. Sônia. Recentemente optei por uma dieta vegana, achei que ia ser muito difícil, mas tem sido uma experiência muito prazerosa: novos sabores, novas pessoas interessantíssimas com a mesma preocupação, e o melhor, tirar o peso moral da consciência. Acho que finalmente estou me tornando desperto. Bom, envio essa mensagem para agradecer pois seus textos e o seu livro (Ética e experimentação animal) têm sido fundamentais nesse processo. Me graduei em Farmácia, tenho uma imensa felicidade de dizer que nunca matei nenhum animal no decorrer da minha graduação, e agora tenho essa preocupação ainda mais forte. Quanta coisa da minha área de formação aprendi lendo os textos de uma Filósofa. Que maravilha isso.

    Obrigado.

    • Fred, desde fevereiro eu não visitara mais esta página. Agora acabo de reler tudo o que aqui foi escrito e encontro esta mensagem sua, de três dias atrás! Adorei! Acho que você vai gostar do meu livro que estará pronto na segunda quinzena de setembro: Galactolatria: mau deleite. Dessa vez são 300 páginas sobre o sistema de extração do leite. Não são as galinhas, mas as vacas, o objeto do meu estudo.

      • o que acontece com os ovos se não o consumimos, eles apodrecem nos galinheiros? ou algo do tipo. Isto não é uma ofensa gente, só estou mesmo procurando informação. pois tirei a carne, o leite e os derivados da minha alimentação mas continuo consumindo ovo, caipira, uma vez por semana(para não levar à super produção). Agradeço desde já a atenção.

        • Olá Maria,
          então, você compra ovos orgânicos, certo? Os ovos na realidade apodreceriam nas estantes dos mercados. Se as pessoas não consumissem e esses ovos estragassem, os mercados parariam de comprá-los das granjas orgânicas e isso obrigaria os fazendeiros a mudarem de emprego.

          Em um estado de natureza aonde a galinha botaria pelo chão por ai, existem alguns animais que se alimentam desses ovos, se não houvessem esses animais, esse ovo apodreceria, se decomporia e voltaria a ser nutrientes do chão, como ele e todos nós já fomos um dia e voltaremos a ser após a morte.

          Espero ter ajudado.

  30. Olha, eu nao concordo com sua afirmacao final. O próprio ser humano mata, se prostitue, ou vende a sua arte. Eu por exemplo como ovos das galinhas que a minha tia tem na chacara dela. Eu acho que se vc sabe que o animal nao está sendo maltrado, e tem seus devidos cuidados pode sim se alimentar dos ovos. Até por que eles seriam jogados fora se nao fossem, e existem milhoes de pessoas passando fome. Eu tenho gatos, que peguei da rua, machucados e cuido deles, hoje eles sao livres, se quiserem ir embora podem ir, mas nao vao, entende. Entao voce acha que todo o animal deveria ser livre, pq nao é ético. Eu nao acho, eu prefiro que minha tia cuide dessas galinhas do que ficarem aprisionados para sempre ou ser cuidado por industrias.

  31. “Aliviar o peso da consciência” da parcela minima que se importa. Eu nao sei as pessoas que você tem a graça de conhecer, mas as pessoas no meu mundo planeta Terra não poderiam se importar menos entre a galinha estar numa caixa de sapatos ou numa gaiola de 5 m^2. Elas só querem os ovos delas a preços baixos.
    E se não houver quem os venda elas vão criar as proprias galinhas nos quintais de casa, como meus avós faziam.
    A única forma de abolir o uso de ovos é se for criada uma lei contra o abuso animal, uma lei de verdade com fiscalização e outros apetrechos. E para que se crie uma lei assim é necessário que a grande maioria das pessoas (e as pessoas que controlam dinheiro) queiram e pressionem. Mas isso não vai acontecer, porque elas não se importam. Se alguém se importasse existiriam mais restaurante (no minimo) vegetarianos para começar.
    Entao ficar resmungando porque as galinhas receberam de alguns criadouros um melhor tratamento ao inves de terem todas sido soltas nas nossas “tantas” florestas e bosques. E ficar a vida inteira infeliz porque nos proximos varios anos que compreenderao nossas vidas os animais nao deixarao de ser escravizados. E isso quer dizer que milhoes de animais em todos esses anos serao explorados e mortos.
    Eu prefiro ficar um pouco feliz que algumas dessas galinhas exploradas nao viverao em caixas de sapato.

  32. Olá, não quero gerar mais discussões. tenho realmente uma dúvida e queria que ela fosse esclarecida por algum produtor ou alguém que entenda de galinhas soltas em sítio. O que acontece com os ovos não galados que não são recolhidos por humanos? Eles estragam? Ouvi dizer que as galinhas comem seus próprios ovos. Isso é verdade?