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Órgãos de MT não têm onde abrigar animais apreendidos e resgatados

9 de janeiro de 2012
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Tucanos foram entregues à Polícia Ambiental (Foto: Pollyana Araújo/ G1)

Os órgãos ambientais de Mato Grosso não possuem mais condições de abrigar os animais apreendidos e resgatados, principalmente os de grande porte. Segundo o subcomandante do Batalhão Ambiental do estado, major Loirson Benevides, diariamente a instituição deixa de receber animais por falta de estrutura e, por isso, os responsáveis são autuados por maus-tratos e continuam com os bichos.
Atualmente, os animais são mantidos graças às doações de voluntários. “A gaiola onde ficam três gaviões da espécie Carcará foi doada e a alimentação recebemos de algumas empresas porque não temos recursos para isso”, lamentou o cabo José Ronoaldo Ferreira, biólogo responsável pela instituição. Além dos pássaros de grande porte e um filhote de veado mateiro, o local acomoda vários papagaios e periquitos.
No momento em que a equipe do G1 estava no Batalhão para realizar a reportagem, uma mulher entrou em contato com o órgão pedindo para que os policiais fossem buscar um veado mateiro em um sítio localizado no município, pois ela havia perdido o direito da terra e teria que se mudar, mas não tinha onde deixar o animal domesticado. De acordo com o biólogo, existem muitos casos de bichos que são entregues no local por pessoas que desistem de ficar com eles, como, por exemplo, dois tucanos e alguns papagaios.
A mesma situação se repete no zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que está interditado há quase dois anos após ser embargado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por falta de licenciamento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). O órgão federal dispõe somente de um espaço provisório nos fundos da sede.
Além disso, não existe no estado um Centro de Triagem de Animais Silvestres adequado para a abrigar e tratar daqueles que são apreendidos ou resgatados. O G1 entrou em contato com o Ibama para saber o posicionamento do órgão, mas não obteve retorno das ligações.
Gaviões da espécie carcará que eram criados em cativeiro estão sob os cuidados da Polícia Ambiental (Foto: Pollyana Araújo/ G1)

O zoológico da UFMT está impedido de acomodar novos animais silvestres porque apresenta problemas de infraestrutura, como, por exemplo, em relação à questão sanitária. O biólogo responsável pelo local, Itamar Assunção, adiantou que a Universidade não possui recursos sequer para elaborar o projeto de adequação que deverá ser enviado à Sema. Segundo ele, o custo total da obra está orçado em R$ 1,5 milhão.
Ele lamenta o fato de não haver nenhuma entidade no estado responsável pela fauna e alega que, apesar da estrutura precária, a UFMT era a que tinha melhores condições de abrigar os animais. Uma das exigências da Sema é que o esgoto seja jogado para a estação da instituição de ensino.
A expectativa do biólogo é receber recursos destinados ao turismo para a Copa de 2014, em Cuiabá. Ele contou que a Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo (Secopa) se propôs a ajudar a universidade com a reforma do zoológico por se tratar de um ponto turístico da capital, mas ainda não há nenhuma definição nesse sentido.
À Sema, segundo a assessoria de imprensa da secretaria, cabe somente emitir as licenças ambientais e fiscalizar os locais que abrigam os animais, como o zoológico da UFMT, por exemplo.
Fonte: G1

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