A pretensão linguística


“Os limites de minha linguagem significam os limites do meu próprio mundo.”
(Ludwig Wittgestein)

O livro Então você pensa que é humano?, de Felipe Fernández-Armesto, é uma provocação ao nosso mais característico defeito: nos considerarmos além dos outros animais. Ele é um historiador e, como tal, passa superficialmente por questões importantes como a evolução, porém nos mostra de maneira interessante alguns eventos históricos que têm desmentido nossas manias de exclusividade na Natureza.

O estudo aprofundado do DNA há muitos anos tem colocado muitas espécies mais próximas e muitas outras em relações de parentesco antes desconhecidas. A arrogância humana é o obstáculo mais terrível para o estudo completo da inteligência de outras espécies. E penso cá com meus botões se esta não é nossa maior limitação, juntamente com nossa linguagem, o que dificulta entendermos o outro.

Darwin foi pioneiro em prever a seleção sexual e natural, o parentesco entre as espécies e outros feitos geniais para sua época e mesmo para os dias atuais.

Quando o outro são golfinhos, polvos, macacos, conseguimos vislumbrar de longe algumas características de suas linguagens, mas ainda estamos atrasados pois não sabemos muita coisa sobre o comportamento animal.

O preconceito, a arrogância, a temosia científica prejudicam uma análise mais neutra do outro e de seu mundo. Nossa linguagem não é a única. Mas nossa pretensão linguística nos coloca separados dos outros, e essa é nossa maior limitação.

Justamente nós humanos, que nos colocamos acima de todos, por este orgulho nos privamos de descobertas surpreendentes.

No livro de Fernández-Armesto, percebemos que, quanto mais estudamos nosso passado, mais sujeira encontramos. Nosso passado é obscuro em todas as áreas, coberto de preconceitos, mentiras e ilusões eternas.

Talvez no presente estas ilusões estejam desmoronando e um olhar para além do nosso orgulho poderá nos revelar maravilhas.


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