Associações e simpatizantes da causa animal pedem leis mais rígidas contra maus-tratos


Ativistas pedem que o Governo “se mexa” e aprove uma lei “adequada e atual” de proteção dos Direitos dos Animais. Associações e simpatizantes da causa estão recolhendo assinaturas para pressionar o Executivo e estão organizando uma manifestação para o dia 4 de Dezembro.

“Enquanto não houver barulho, nada muda.” Débora Costa não está ligada a nenhuma associação, mas, no dia 4 de Dezembro, vai participar da marcha a favor da criação de uma lei “adequada e atual” de proteção dos animais. “A lei que existe atualmente remete à década de 1950 e contempla multas ridículas, de dez e 20 patacas, que não inibem ninguém”, conta.

Débora Costa é uma das organizadoras da manifestação, quetem como objetivo principal a campanha de angariação de assinaturas. A Associação de Proteção aos Animais Abandonados, a Meow Space e a Sociedade Protetora dos Animais de Macau (Anima) estão atraindo participantes, mas todos os que queiram podem manifestar-se de forma individual. Assim como outros comerciantes, Débora Costa tem, no seu estabelecimento, um abaixo-assinado pronto a recolher os nomes de quem quiser apoiar a causa.

Os detalhes podem vir a ser alterados, mas a intenção é que o protesto comece na Praça do Tap Seac, às 15h, e faça um percurso até o Leal Senado.

“O Governo tem de estar atento, não só pelos animais. Esta é uma questão social e de saúde pública”, refere. “É preciso mostrar que estamos descontentes e que o Executivo deve preocupar-se mais que com a causa animal do que imposto que recebe dos casinos.” Outras tentativas de manifestação já aconteceram no passado, mas não reuniram um número de pessoas significativo. “Se for um protesto de algumas pessoas, não vai mudar nada”, explica.

O amor aos animais já a levou Débora a trabalhar em uma clínica veterinária e na ONG Anima. Apesar de reconhecer o trabalho das associações, a experiência rendeu-lhe uma grande frustração: “Quando trabalhamos pelos animais, queremos fazer mais. Mas a verdade é que não há nada que possamos fazer se o Governo não se mexer”.

Em Macau, “os animais são abandonados e maltratados, e não podemos reagir”, observa. Em Hong Kong, lembra, situações deste gênero podem ser punidas com multas até 300 mil patacas e prisão.

Em 2007, a Anima apresentou um esboço de proposta de lei e entregou-o ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). No entanto, o documento nunca saiu da gaveta. Para Débora Costa, é claro que a questão é “secundária”.

Esterilização

Além de não estarem protegidos contra a violência, os animais também são facilmente vítimas de abandono. “Há muitas pessoas que decidem adotar um animal, mas depois se rrependem e os abandonam na porta das instituições.” A situação descrita por Débora Costa não é penalizada. “Podem voltar a adotar animais e novamente abandoná-los. Isso deve acabar, um animal é um compromisso para a vida inteira”, afirma.

As situações de negligência também são comuns, explica. Nem sempre os tutores que acolhem os animais têm espaços adequados. Foi o caso de uma vizinha de Débora Costa, que tinha em casa mais de dez animais sem dispor de condições para mante-los. “No ano passado levei para casa 13 gatos e uma cadela. Fiz da minha própria casa um abrigo”, explica. A jovem sabia que as associações não tinham dinheiro e que se levasse os animais para um canil “já se sabia qual era o destino”. “O que se consegue fazer aqui é em nível particular. Ou se tem amor à causa e dinheiro, ou não se pode fazer nada”, critica.

Macau tem muitos animais de rua e “a solução do Governo é apanhá-los e sacrifica-los”. Mas Débora Costa acredita que a esterilização seria uma resposta mais adequada e uma forma de prevenir o problema.

A aprovação de uma lei eficaz é necessária, bem como a mudança da mentalidade: “Vê-se muitas pessoas com poodles só porque estão na moda. Vestem-os botinhas e os levam em carrinhos de bebês. O animal tem de deixar de ser visto como um boneco”.

Fonte: Ponto Final


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