Mobilizações pelos direitos animais: exercendo a cidadania e a solidariedade


“A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pelo modo como os seus animais são tratados”. (Mahthama Gandhi )

“Chegará o tempo em que os homens olharão para os maus tratos aos animais com a mesma abominação com que hoje consideram o assassinato dos seres humanos”. ( Leonardo da Vinci )

Em todo mundo está eclodindo as mais diversas mobilizações de proteção animal, sejam através de passeatas, intervenções artísticas, abaixo-assinados, petições, ações judiciais, leis, secretarias; enfim a lista é imensa. O que não faltam são instrumentos para que os direitos “dos que não podem falar” sejam expandidos e cumprido.

Na realidade, eles constituem um processo em curso de eliminação do velho paradigma “animal-máquina”  ( Descartes ) ou “animal-objeto” que exacerbou a separação do humano com a natureza. Como consequência os sistemas econômicos manipularam a vida na sua totalidade ( incluindo também a humana através das relações de trabalho ) num modo de produção exploratório nas mais diversas atividades humanas ( pecuária, indústria, ciência, religiões, divertimento, mídia… ) num sentido de utilitarismo capital.

Tendo-se assim, a vida mercantilizada e escravizada no seu maior auge histórico e cultural, onde eclodiu o movimento do Abolicionismo Animal traduzido pelos filósofos Peter Singer, Gary Francione e Tom Regam. Mas muito antes deles houve outros “educadores” – e por que não dizer educadores pela cultura da paz?! Pois, toda a utilização de animais ( citados anteriormente ) pelos humanos envolve algum tipo e grau de violência, dor e sofrimento até a morte algo que não pode ser mensurado nos padrões humanos da arrogância científica ou pela ignorância do senso comum.
Albert Einstein, Mahatma Gandhi, por exemplo eram vegetarianos e justificavam a sua escolha porque concebiam a vida num sentido biocêntrico de existência no planeta. Para todos eles, os animais foram e são “sujeitos” de direitos e hoje em pleno século 21 com tantos avanços em todas as áreas do conhecimento, ainda é preciso ensinar que os animais têm alma ( coisa já superada por Aristóteles no passado), que sofrem, sentem solidão, medo, estresse e que apresentam o mais complexo padrão de comunicação entre si em diferentes espécies ( coisa que nós humanos nem conseguimos fazer dentro da nossa própria espécie, dependendo de meios artificiais para tal como o celular e computador ), e que eles têm até pressentimentos com relação ao seu tutor e além de preverem situações de catástrofes naturais como terremotos e por aí vai… Aliás, grande ironia e cilada da evolução para os animais  “tão somente humanos” considerados pelo seu ego e racionalidades se julgarem superiores e condenarem as demais vidas no planeta a seu mercê, no esplendor do antropocentrismo responsável pela atual crise civilizatória/ambiental.
Mas para que os direitos dos animais sejam re-criados e postos em prática eles dependem de nós humanos que ao exercermos a sua defesa também estamos praticando a nossa cidadania num direito que nos assiste constitucionalmente. Mas acima de tudo permeia a solidariedade e a justiça por eles que não podem verbalizar seu pedido. Apenas gritam, urram e até choram para pedir socorro, que muitas vezes não são visíveis e pior, irreconhecíveis. Isso por que ainda não nos colocamos no lugar do outro não-humano, se ainda somos embrionários com a nossa alteridade humana ( na medida que distinguimos e  excluímos por raça, gênero, idade, condição financeira, padrão estético, dentre outros ) que são os ditames da cultura da violência que sempre assolou a humanidade historicamente.
Por tanto o sentido de qualquer mobilização para reconhecer os direitos dos animais vai muito mais além do seu objetivo pontual justificado pelo exercício da solidariedade e cidadania. Na verdade é um chamado para revermos a nossa própria alteridade em  relação aos demais não-humanos que compartilhamos o mesmo planeta na implantação de uma cultura pela paz, de não-agressão, de respeito, de igualdade ao outro humano ou não-humano.

* Swami Fonseca é bióloga e educadora


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