Todos os nomes* do ativismo


“Desde el fondo del corazón odio la tumba de los grandes señores y sacerdotes, pero ódio
aún más a aquellos que se comprometen con ellos.”
(Holderlin)

Imagem do site Gifake, do filme "Ensina-me a viver" (Harold and Maude).

A Internet tem virado alvo de ataque por muitos professores, como alguma coisa que está ‘mudando a mente das pessoas’, como algo negativo e, como tudo o que é novo, uma ameaça ao confortável mundo de mediocridades, sempre iguais, que regem o mundo da educação.

São gastas reuniões inteiras para criticar a Internet, sempre com frases clichês que, por medo de ser o diferente da turma,  ninguém se arrisca a dizer simplesmente o que pensa. Eu penso diferente! Existem milhares de sites incríveis sobre educação, nos quais os professores deveriam mergulhar, nas reuniões, à procura de novidades, em vez de “repensar” a Internet usando sempre as mesmas velhas ideias.

A Internet é a melhor ferramenta que já existiu, ela é a extensão da mente. Segundo um analista do assunto, não existe mundo virtual, existe o mundo.

Sobre este mundo, que é o nosso, é que quero falar. Sobre o ativismo que temos presenciado na Internet, o ativismo da rua, do mundo dito “real” e o pseudoativismo, este presente em todos os lugares, pois é mais comum do que se pensa.

Assim como na educação, boa parte do que se tem é teoria e blá-blá-blá, que jamais alcançará a sala de aula, e notamos uns poucos corajosos que aplicam sua sabedoria no ambiente escolar, ali na sala de aula de 40 e tantos alunos, ali na vida real. Também no ativismo temos as eternas teorias, os eternos ideais, que jamais se unem à realidade na qual os animais vivem, ou morrem.

Alguns ativistas são como os deputados que passam a sua carreira dando nomes a ruas e pontes, jamais escreveram um livro a favor da causa, jamais fizeram algo de revolucionário, jamais ousaram questionar o sistema educacional, que afinal, paga suas contas.

Por outro lado, estamos a cada dia conhecendo um novo fenômeno típico da Internet: ativistas jovens, veganos, que encontramos pela cidade inteira frequentando pontos veganos e dando força ao pessoal que está começando a vender comidas veganas, jovens que sequer conhecem os “nomes” da causa (e não estão interessados em conhecer), nunca ouviram falar de tal escritor, tal pesquisador, tal isso, tal aquilo (um fenômeno observável: notem como todo mundo se odeia na causa, conforme vai passando o tempo,  e não há união alguma em torno de nada).  Mas são ativistas, são profissionais em suas áreas e colocam suas atividades em favor da causa.

Se é um fotógrafo, usa suas habilidades também na causa. Se é um escritor, coloca todas as suas forças nos seus livros e se é um professor, usa a sala de aula como laboratório do saber, do criticar (de verdade), do pensar. A sala de aula deve ser exatamente isso, um lugar onde ensinamos a curiosidade, o questionamento, o sair do lugar-comum, que é fazer o jogo dos dominantes. Passei a faculdade inteira vendo colegas com medo de professor, com medo de perder a bolsa, reforçando aí o eterno jogo do dominante e dominado, e o conhecimento fica comprometido com o que pensam os professores e diretores de cada instituição.

São os bundões de quem Bazzo fala em seus livros. Aqueles que, por estarem demasiados comprometidos com seus egos inflados, degenerados e seus complexos de inferioridades gritantes, são capazes de grandes atos por pequenas coisas, mas nas grandes coisas são omissos. A causa animal está repleta desses tipos. São pessoas omissas, não são ativistas, talvez um dia tivessem sido e com louvor, mas a arrogância acadêmica, a idade, os vai tornando-os reacionários, especialmente contra as coisas novas, as quais não conhecem a fundo e só acompanham ao longe para poder criticar.

Sorte dos animais que há uma legião de novos ativistas, colocando fogo em tudo, abolindo além dos animais, a inércia, inveja, preconceito, e tomando atitudes que valem a pena. Obs.: conheci alguns poucos ativistas mais antigos que começaram o movimento ativista, e que hoje recebem críticas infundadas! Só que essas pessoas, que admiro imensamente, continuam sendo ativistas, apesar das críticas, e ajudam os grupos novos com seu saber e experiência, estes de fato têm o que ensinar.

*Todos os nomes é o título de um livro de José Saramago, o qual sugiro a leitura.

 


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