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Vegetarianismo ganha cada vez mais adeptos

18 de setembro de 2011
3 min. de leitura
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Por Fabíola Musarra

Milhares de pessoas vêm abandonando o hábito de comer carne em busca de um estilo de vida alternativo inspirado pela rejeição ética ao consumo de alimentos de origem animal. Várias celebridades já abraçaram essa bandeira, como o ex-beatle Paul McCartney e o presidente norteamericano Barack Obama. Mas, longe de ser um modismo, o vegetarianismo é um movimento com 2 mil anos de história e 200 anos de militância: nos Estados Unidos, um em cada cinco universitários já aboliu a carne. No Brasil, a novidade é o avanço da sua vertente mais radical, o veganismo. Enquanto a dieta vegetariana recusa todo tipo de carne, mas consome queijo, leite, ovos, mel ou iogurte, o veganismo, surgido em 1944, na Inglaterra, a partir de uma dissidência do vegetarianismo, não admite nada derivado de animal, seja comida, seja roupas, seja cosméticos ou joias.

Foto: Reprodução

No fim do ano passado, uma pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo contabilizou 4% de vegetarianos entre jovens de São Paulo e Rio, das classes A, B e C. Nas grandes cidades aumenta o número de restaurantes, sites, publicações e a oferta de produtos próprios para o consumo vegetariano. As duas maiores indústrias de carne do país, a Sadia e a Perdigão (atualmente unificadas na Brasil Foods), já criaram linhas de alimentos vegetarianos à base de proteína de soja. No ano passado, um grupo de estudiosos fundou a Sociedade Vegana para estabelecer um marco de referência teórica e fornecer informação ao movimento. No Orkut, um site da comunidade vegana reúne 19 mil adeptos.

Veganismo e vegetarianismo ganham adeptos om uma filosofia que descarta o consumo de carne, sensível ao sofrimento dos animais e à ecologia. A questão ética que levantam implica impasses não resolvidos. Mas não há dúvida de que o impacto ambiental da pecuária no planeta é cada vez maior.

Ao largo dessa efervescência, o consumo de carne cresce aceleradamente no Brasil devido à melhoria na distribuição de renda e à democratização do consumo. Segundo o Ministério da Agricultura, o consumo per capita de bovinos atingiu 37,5 quilos em 2010, 5% a mais do que em 2009 – apesar de uma alta de 38% no preço. Com a melhoria das dietas, a tendência é aumentar o consumo de proteínas. O vegetarianismo, portanto, é um nicho, e o veganismo o nicho do nicho.

Muitos dos que estão aderindo à dieta ética atualmente rejeitam a carne por motivos ambientais. A pecuária é o maior emissor de metano, um dos gases mais poluidores do efeito estufa que esquenta a temperatura do planeta, 23 vezes mais duradouro na atmosfera do que o dióxido de carbono. O impacto da criação e do abate de animais sobre o ambiente e a saúde pública também preocupa órgãos como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Opção existencial

“O que eu mais gosto no veganismo é saber que passei mais um dia sem ter de matar alguém para continuar vivo”, orgulha-se o tatuador paulista Fernando Franco Enei Franceschi, 36 anos, mais conhecido por Teté. Vegetariano desde 1993, Teté não tolera os métodos industriais de criação intensiva e de abate dos animais, que considera cruéis. “Acho intolerável os bichos sofrerem e ser sacrificados para nos alimentar”, diz. Em 1997, ele aderiu ao veganismo, adotando a decisão de não mais compactuar com a exploração dos animais.

Teté não compra produtos feitos com couro, lã ou materiais provenientes de bichos. De casacos a tênis, sua opção sempre recai em modelos manufaturados com lona, algodão, materiais sintéticos e jeans. Quanto aos xampus, sabonetes, cremes de barbear e demais itens de perfumaria e higiene, só usa os que respeitam a filosofia vegana, de não incluir substâncias animais na composição. “Faço duas tatuagens por dia. Esse é meu ganhapão. Mas mesmo a tinta que uso para tatuar não contém nenhum derivado animal”, afirma.

Fonte: Revista Planeta

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