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Planeta dos macacos: a origem de mais uma discussão sobre testes

3 de setembro de 2011
2 min. de leitura
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Nenhuma ficção com animais, ao menos nos últimos tempos, é tão coerente e pertinente que “Planeta dos Macacos: a origem”. Uma releitura muito mais realista da saga iniciada em 1968, e reeditada em 2001, por agora mostrar a ciência fria e calculista em que os animais são, aos montes, designados.

Nesta história, um erro faz com que uma chimpanzé dotada de extrema inteligência seja morta a tiros dentro do laboratório onde recebia doses de uma droga para o tratamento de doenças neurológicas, com grande capacidade lucrativa para a indústria. Seu filhote, Caesar, ainda recém-nascido é levado para casa do cientista responsável pelos testes, com os quais busca incessantemente a cura para salvar seu pai do Mal de Alzheimer, mas acaba por criar um animal tão inteligente que, ao ser exposto ao egoísmo e à crueldade humana, prefere se unir aos de sua espécie e ir à luta por liberdade.

Do começo ao fim, este filme é um excelente exemplo de como caminhamos na contra mão quando o assunto são os testes em animais. Sempre para benefício da raça humana, tais testes são equivocados, errôneos e desnecessários. Assim como no filme, testar drogas em animais para curar doenças, ou liberar produtos para uso de seres humanos, é brincar com a natureza, é repudiar com seres vivos, é desperdiçar tempo em ciência ineficaz e, acima de tudo, é insistir na eterna busca pela sonhada superioridade humana.

E engana-se quem pensa que a revolução dos macacos ali mostrada seja totalmente “coisa de cinema”. Cientistas já assumem que, se os testes com células cerebrais humanas em macacos continuarem no ritmo atual, a possibilidade desses animais desenvolverem capacidades próximas às dos seres humanos, como a linguagem, é grande. Porém, se a natureza não os fez assim, não cabe a ninguém transformá-los. Já a capacidade de sentir afeto, carinho, afeição, amor e amizade, é inerente a todos os animais, sem exceção, e na vida real. E já seria motivo suficiente para que não fossem tratados como objetos.

No filme, os primeiros sinais de que os testes surtem efeito são percebidos por mudanças na cor dos olhos dos macacos. E é só neste momento que os cientistas os olham nos olhos de verdade. E então eu penso quantas pessoas têm coragem de olhar nos olhos de um animal e ainda enxergá-lo como uma mercadoria. De onde vem tanta frieza?

Com as mesmas funções que os seus, os olhos dos animais levam imagens ao cérebro e servem para sintetizar momentos em memória, experiências em aprendizagem e, tudo isso, em meios que levem à sobrevivência. Todos buscam enxergar a vida e, dela, desfrutar a liberdade.

Só precisamos de um único teste ainda neste planeta. E é para descobrir porque seres humanos ainda acreditam ter mais valor que os animais.

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