Foz do Iguaçu (PR) registra 1º caso de anta com filhotes gêmeos


Ao lado de Zefa, o cuidador Dirceu Soares e o biólogo Marcos de Oliveira (à direita) seguram os gêmeos (Foto: Nilton Rolin/Itaipu Binacional/Divulgação)

Veterinários, biólogos e tratadores do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), em Foz do Iguaçu (PR), tiveram uma grande surpresa no final do mês de julho. Zefa, uma das antas do refúgio, teve filhotes gêmeos – algo que, de tão raro, não encontra paralelo nas pesquisas dos profissionais do local. “É o primeiro caso de que temos conhecimento”, ressalta o biólogo Marcos de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu. “E até onde a gente sabe, é a primeira vez que acontece, pelo menos no Brasil”.

Para sanar a dúvida, a equipe do RBV procurou ajuda externa e consultou o veterinário Paulo Mangini, pesquisador da vida selvagem e integrante do Grupo de Especialistas em Antas (Tapir Specialist Group), organização internacional formada por defensores da preservação desse animal. O veredito: “Não há registro conhecido de gestação gemelar em antas”, disse. “Vocês deveriam escrever uma nota científica para relatar este caso”, disse Mangini aos profissionais da Itaipu.

Fêmea exige cuidados especiais

Com quase um mês de vida, um dos pequenos é macho; o outro, fêmea. O casal segue em período de amamentação, que dura em torno de dez meses, aliada à ingestão de alimentos sólidos, iniciada na 2ª semana de vida. São cerca de cinco mamadas por dia. O macho pesou no primeiro dia 8,7 kg; a fêmea, 7,6.

Os filhotes ainda não ganharam nomes e devem acompanhar a mãe por aproximadamente um ano. Um pouco mais fraca que o irmão, a fêmea eventualmente precisa se separar da família para receber os cuidados da equipe do Hospital Veterinário do RBV. A literatura disponível não apresenta informações conclusivas sobre a longevidade do animal, mas o refúgio já teve a anta Raito, que viveu até os 25 anos.

Foi surpresa

Zefa tem três anos e chegou ao RBV ainda jovem. Quando atingiu a maturidade sexual, por volta dos dois anos, conheceu Pimpolho – seu parceiro, que já tem 20 anos de idade. Logo em seguida, teve uma cria. Depois do desmame, veio outra – a dos gêmeos. “Foi uma grande surpresa”, diz Oliveira.

Diferentes espécies, o mesmo sucesso

Reproduções em cativeiro bem-sucedidas têm se tornado uma marca do trabalho dos profissionais do RBV. A prioridade é dada a espécies ameaçadas, como o cervo-do-pantanal, a harpia e a jaguatirica, entre outras. “Quando tudo vai bem, com um bom abrigo, manejo, alimentação, enfim, com os devidos cuidados, os animais respondem bem”, afirma Oliveira. “Tudo isso faz diferença, e a reprodução é reflexo disso”.

Fonte: Terra


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