O "outro próximo": o animal


Ferreira Gullar, li na Folha de S.Paulo (22 agosto 2010) o seu texto “Eu fui às touradas em Barcelona”, ou melhor, fui à tourada com você. A forma como você descreveu a cena me fez suar frio, me fez sentir uma tristeza cósmica, se é que isso existe. Você ficou chocado e isso me deu um pouco de esperança.

A tourada é um “espetáculo” que nos choca, pois está exposta aos nossos olhos. É possível consentir com a dor, desespero, agonia e sofrimento “do outro”, animal, não humano e indefeso. Entretanto, tamanha crueldade acontece diariamente nas caçadas, nas pescas ou nos matadouros de porcos, galinhas, vacas, bois, bezerros, coelhos etc. A sensibilidade que você, Ferreira Gullar, demonstrou ao assistir à tourada, é a mesma que tem levado muitas pessoas ao redor do mundo mudarem sua relação com os animais. É outra percepção que leva ao estranhamento, por exemplo, da lógica de um Rodeio, da Farra do boi, da Cavalgada da Morte e até mesmo de um churrasco. O que aconteceu antes de a carne chegar aos nossos pratos, nos é omitido e o estabelecimento que a comercializa ousa se autodenominar: “Boi Feliz”!

O fato de um animal não ter como se defender, não nos dá o direito de escravizá-lo. Não precisamos de sua carne ou desse tipo de “entretenimento” para viver e, o mais grave, é que ele não merece isso. É a mesma relação entre o senhor e o escravo. O segundo é tratado como mercadoria, coisa, um ser desprovido de direitos. Até o dia em que alguns malucos, conhecidos como “abolicionistas”, passam a defender o seu direito à liberdade.

Não precisei ver nenhuma tourada, mas alguém me falou sobre essas coisas e eu percebi o quanto era lógica, óbvia, ética, justa e coerente a postura daqueles que defendem a não exploração e escravização de animais. A partir daí passei a não mais ingerir carne ou produtos de origem animal. Talvez o meu exemplo não seja significativo o bastante, mas é interessante mencionar que há outras pessoas assumindo essa postura. O ex-beatle Paul McCartney também é vegetariano e já declarou à imprensa como tomou essa decisão: “Há muitos anos, estava pescando e, enquanto puxava um pobre peixe, entendi: eu o estou matando, pelo simples prazer que isso me dá. Alguma coisa fez um clique dentro de mim. Entendi, enquanto olhava o peixe se debater para respirar, que a vida dele era tão importante para ele quanto a minha é para mim.”

É simples. Simples demais que até desconfiamos. Quem ganha e quem perde com essa sensibilidade ética, social e cultural?


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