Ensinando sobre os direitos animais e o nicho urbano


Saída de campo com meus alunos - Jardim Botânico de Porto Alegre

O professor de Biologia tem diversas ferramentas para ensinar de modo prático e interessante diversas noções sobre os direitos animais.

Na sala de aula, na moderna pedagogia de se entender o contexto do aluno, procuro fazê-lo se interessar pela sua urbanidade, que chamo de “nicho” urbano, usando um conceito ecológico.

Dentro dessa perspectiva, os animais domésticos acabam fazendo parte natural do entendimento dos alunos. O que na maior parte das aulas de Biologia isso não acontece.

Por experiência própria, os professores tendem a considerar apenas o meio ambiente como um todo, negligenciando alguns pontos entre eles os animais domésticos.

É importante que o ambiente urbano e com ele os animais domésticos sejam considerados dentro da educação ambiental. Não podemos apenas falar em economizar água, apagar a luz em casa, mas esquecer que existem indústrias gastando muita água para produzir diversos produtos e que a pecuária é uma das mais poluentes “indústrias da morte” em todos os sentidos. A pecuária também consome muita água em todo seu processo, mas qual professor está preparado para falar isso em sala de aula?

Uma aluna me confessou que um professor fez uma piada maldosa quando ela contou ser vegetariana.

Esse fato demonstra que o professor muitas vezes não só necessita de preparo técnico (estudar o que ensina, se atualizar) como ainda necessita de polidez, trato, respeito até.

Respeito por si e pelo outro:

O Brasil carrega ainda uma mentalidade de baixa estima que se reflete em sala de aula, seja nos professores, seja nos alunos.

Ainda há comparação entre alunos, falta de interesse na matéria, ridicularização da educação.

O professor não precisa assumir toda a responsabilidade por todos os problemas educacionais, mas pelas minhas observações, falta incentivo para que os professores se atualizem constantemente, evitando que a escola permaneça como está: muita teoria e blá blá blá sobre o assunto e pouca mudança na prática.

Minha intervenção em sala de aula acontece quando levo para eles um mundo diferente, mas que está na porta de cada uma de nossas casas: a negligência do animal humano com outros animais.

Quando eles assistem um documentário “chocante” na opinião deles, na verdade eles estão entrando em contato com um mundo que não está distante, está aí acontecendo, mas poucos sabem ou se interessam em saber.

Outros âmbitos também podem ser interligados:

Fala-se tanto em sala de aula sobre a reciclagem, mas quem recicla?

O Brasil e seus políticos que até hoje se revelam boa parte das vezes corruptos, são eleitos pelo povo, é o espelho do povo.
Como eles gastam as finanças públicas? Como eles empregam o nosso dinheiro?

Uma análise rasteira sobre o assunto nos mostra o seguinte: os bens públicos são desperdiçados e desviados de seus objetivos de uma maneira assombrosa.

Uma licitação, e já são gastos milhões em baldes de tinta, em papel, em merenda escolar, que depois irão apodrecer, mofar, sobrar e virar sucata.

Isso deve ser ensinado em sala de aula.

O professor deve mostrar onde está sendo empregue nosso dinheiro e como o aluno pode pesquisar sobre isso. Não apenas nas aulas de matemática (se é que algum professor de matemática já deu essa aula).

A morte de animais de rua é financiada com o dinheiro de quem?

O professor de Biologia tem a obrigação de ensinar sobre o quanto a pecuária contribui para o aquecimento global, sobre o uso de animais em pesquisas científicas de resultado muitas vezes duvidoso, sobre a fragilidade da ciência e sua eventual ligação com a indústria do que quer que seja: de fármacos, da beleza, ou da criação de cobaias e aparatos para testes em animais.

Uma boa sugestão de aula que deixa os alunos interessados e fascinados com o mundo em que eles vivem.


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