Cão comunitário que vive na USP recebe homenagem em blog


Por Marly Spacachieri

Bim passa bem após a cirurgia. Foto: Acervo pessoal

Sou uma figura peluda que ronda os prédios da FFLCH e dorme as noites na História-Geografia desde o fatídico 11 de setembro. Apelidado de Bin Laden, gostei mais de Bim. Desde então, me tornei dono do pedaço.

Expandi meus domínios para o resto da faculdade. Conquistei os jardins da biblioteca, onde tomo meu banho de sol diário. Perdi amigos coloridos após uma castração que eu não pedi!

Sem perder a pose mantive a ternura no olhar, ainda que me enfiassem vermífugos goela abaixo. Numa atitude ousada, dominei o restaurante da Química, jamais desprezei o Bandejão Central, onde meus fãs montaram um sistema de rodízio. Fiz rondas noturnas e rotineiras com os guardas.

Até que em um domingo não andei mais. Uma contusão em uma das patas rompeu meu ligamento. Junto, veio uma lesão no menisco.

No Hospital Universitário da USP, constataram a necessidade de cirurgia para que eu pudesse voltar a andar. Iniciou-se, então, uma corrida por toda a FFLCH em busca de recursos. Começou com cartazes pedindo a todos que ajudassem na arrecadação dos fundos necessários para minhas consultas, exames, cirurgia, recuperação em clínica e fisioterapia, além de medicamentos e apetrechos caninos. Ufa!

Foi uma semana agitada: desde caixa de coletas na xerox à festa pró-Bim anunciada via Facebook pela Atlética; contribuições espontâneas; doação de sebo; venda de doces, tudo realizado por voluntários. Teve até depósito de pós-graduandos do Rio de Janeiro!

E eis que, em menos de 10 dias, passo de sem tutor e sem casinha a um cão com tutores e dinheiro na caixinha! No dia 13 de abril fui operado com sucesso. Direto para a clínica, tirei os pontos e voltei a andar. Agora, mantenho um blog no qual conto minha vida após a cirurgia.

Marly Spacachieri é mestre em história pela FFLCH, criadora do blog e responsável pela campanha em prol do Bim.

Fonte: Jornal do Campus


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