Direitos animais são também uma questão de semântica


Por Lobo Pasolini (da Redação)

Quem acompanha a ANDA regularmente já deve ter notado que aqui as pessoas que cuidam de um animal em casa são chamadas de tutores. No meu próprio blog, o Lobo Repórter, eu uso o termo ‘guardião’ e sempre me refiro aos animais ditos selvagens como ‘animais livres’.

Melhorar a maneira como nos referimos aos não humanos faz parte da mudança de paradigma que busca desconstruir o especismo no dia a dia para que um dia possamos viver em um planeta onde os animais que não pertencem a nossa espécie recebam o respeito que merecem.

Um novo jornal acadêmico chamado The Journal of Animal Ethics, que ganhou uma matéria de destaque no jornal inglês Daily Mail, trata exatamente deste assunto. Segundo a publicação, o jornal acadêmico sugere que revisemos nosso vocabulário em relação aos animais. Muitas das sugestões são específicas da língua inglesa, mas o conceito em geral se aplica a qualquer língua.

Uma delas trata dos animais que convivem conosco em casa. Em inglês eles são chamados de ‘pets’, uma palavra que já se tornou bastante comum no Brasil também. O jornal sugere que esse termo seja substituído por ‘animais de companhia’.

O jornal enfatiza bastante a questão dos animais selvagens, aqui no Brasil muitas vezes chamados de animais silvestres. Segundo o editor, o termo selvagem possui uma denotação pejorativa. Alude ao barbarismo, ao não civilizado, ou seja, representa os animais como seres violentos. Animais livres seria a forma mais sucinta e apropriada de se referir aos animais que ainda têm a sorte de viver no habitat que lhes é de direito.

Existem muitas situações no cotidiano em que nos deparamos com fraseologias especistas tão inculcadas em nosso vocabulário que elas passam quase despercebidas. Outro dia durante uma conversa surgiu a expressão “m**** dois coelhos com uma cajadada só”.  Alarmado com a violência da expressão, que há muito tempo eu não escutava, eu parei para pensar como essa expressão poderia ser consertada. Por fim a transformei em “salvar dois coelhos com um resgate só”. E por aí vai.

Não existe uma regra fixa, mas é importante que, à medida que nos deparemos com essas expressões, as repensemos e criemos um vocabulário livre de especismo. A linguagem molda nossa percepção do mundo, portanto ela é uma ferramenta crucial para os direitos dos animais.

E você, tem alguma expressão que usa para substituir uma outra de cunho especista?


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