Apreensões dobram na região de Sorocaba (SP) em dois anos


Números da polícia mostram crescimento no 1º trimestre deste ano em relação a igual período de 2009

A quantidade de animais silvestres apreendidos em ocorrências de tráfico dobrou na região de Sorocaba em dois anos, se comparado o primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2009. Os dados são do 1º Batalhão da Polícia Ambiental, que atende 77 municípios da região sul-paulista e graças à parceria com a Polícia Rodoviária tem conseguido aumentar a eficiência no combate a este tipo de crime.

Pássaros são os principais alvos dos traficantes. Muitos animais precisam de reabilitação antes de voltarem para a natureza. Foto: Erik Pinheiro/ CS

Nos primeiros três meses deste ano, foram apreendidos 1.163 animais, o que representa um aumento de 106% em relação ao primeiro trimestre de 2009, quando foram apreendidos 564 exemplares da fauna brasileira. Para comprovar a tendência de aumento do número de apreensões, o ano de 2010 também apresentou elevação em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre do ano passado, foram apreendidos 749 animais.

Por outro lado, quando comparados os números consolidados do ano todo, 2010 teve menos apreensões que 2009. Em números reais, foram capturados 2.532 animais no ano passado, enquanto que em 2009 foram 2.821.

A maior parte desse número refere-se a aves, principalmente aquelas que possuem canto harmonioso, por serem facilmente capturadas e transportadas ilegalmente. Outros animais como sagui e tatu também são apreendidos, porém o número é bem inferior, segundo o capitão Marco Aurélio Venância. No ano passado, foram 2.455 aves apreendidas e outros 77 animais.

No último domingo, 810 canários da terra foram apreendidos na rodovia Castello Branco. As aves estavam engaioladas, dentro de um porta-malas de veículo que vinha do Mato Grosso com destino a São Paulo. Duas pessoas foram indiciadas e responderão pelo crime em liberdade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que só no Brasil são traficados cerca de 38 milhões de animais por ano, o que movimenta algo em torno de R$ 2,4 bilhões. Essa modalidade de tráfico já é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de entorpecentes e do tráfico de armas.

O capitão Venância fala que as rodovias Raposo Tavares e Castello Branco são as principais rotas da região para o transporte ilegal. Os criminosos capturam os animais nas regiões Norte e Nordeste e revendem no eixo Rio-São Paulo, onde já têm compradores certos. O capitão da Polícia Ambiental comenta que é necessário localizar esses compradores, pois a fiscalização dentro das matas onde os animais estão sendo capturados é muito difícil. “Os órgãos de fiscalização pegam apenas a ponta do iceberg”, coloca.

Traficar é crime

Os animais silvestres podem ser criados em cativeiro com uma autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém a diferença do preço do animal traficado para o animal com autorização é bem diferente.

E é justamente essa diferença que alimenta o tráfico, já que as pessoas acabam comprando os pássaros no chamado “mercado negro”, por preço mais barato. Elas esquecem, no entanto, que portar um animal ilegalmente é crime ambiental, com pena prevista de seis meses a um ano de detenção, além de multa de R$ 500 por animal apreendido.

Para o médico veterinário Rodrigo Teixeira, o aumento no número de apreensões no início deste ano aponta uma melhora no patrulhamento da Polícia Ambiental. “Ou o tráfico cresceu ou a polícia melhorou, e eu prefiro apostar no segundo”, brinca.

Devolver ao habitat

O Batalhão da Polícia Ambiental busca soltar a maioria dos animais apreendidos. No ano passado, dos 2.532 animais apreendidos, 2.334 “voltaram para casa”. O capitão Venância comenta que por causa dos maus-tratos sofridos no transporte, muitos animais não conseguem voltar ao seu ambiente de origem.

O veterinário Rodrigo Teixeira lembra que é preciso ter uma série de cuidados para soltar os animais no meio-ambiente. “Para devolver o animal ao seu habitat é preciso saber de onde ele é, se tem alguma doença e se ele pode sobreviver. As pessoas acham que é fácil, mas eu não posso soltar sem mais nem menos”, comenta. Teixeira conta que muitos animais são cegados na captura para torná-los mais dóceis.

O apelo do capitão da Polícia Ambiental é para que as pessoas tenham consciência e não comprem animais de origem suspeita. “O animal que é traficado tem 40% menos de vida, pois não exerce mais a sua função dentro do meio-ambiente. A população tem que lembrar que tráfico de animais é crime e passível a processo”, completa.

Fonte: Cruzeiro do Sul


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