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Que fim levaram as araras da cor do céu e do mar?

29 de março de 2011
4 min. de leitura
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Por Italo Fábio Casciola

As araras azuis são aves que se destacam pela beleza, tamanho e comportamento.  É a maior espécie entre os psitacídeos (papagaios, periquitos, araras, maritacas), chegando a medir um metro da ponta do bico à ponta da cauda e pesando até 1,3 quilo.

São animais com hábitos que chamam a atenção pelas suas cores vibrantes e som alegre e barulhento. Elas gostam de voar em pares ou em grupo e, nos fins de tardes, se reúnem em bandos em árvores “dormitório”. Dentre suas fontes de alimentação, estão as castanhas retiradas de cocos de duas espécies de palmeira: acuri e bocaiúva. No caso do acuri, aproveitam aqueles caídos no chão, ruminados pelo gado ou por animais silvestres. Já o coco da bocaiúva é colhido e comido diretamente no cacho.

Aos sete anos a arara azul começa sua própria família. Os casais são fiéis e dividem as tarefas de cuidar dos filhotes. A fêmea passa a maior parte do tempo no ninho, cuidando da incubação dos ovos, enquanto o macho se responsabiliza por alimentá-la. O período de incubação dura aproximadamente 28 dias.

Os filhotes nascem frágeis e são alimentados pelos pais até os seis meses. Correm risco de vida até completarem 45 dias, pois não conseguem se defender de baratas, formigas ou de outras aves que invadem o ninho. Somente com três meses de vida, quando o corpo está todo coberto por penas, se aventuram em seus primeiros voos. Em média, a fêmea tem dois filhotes, mas em geral, só um sobrevive.

No começo do século passado essas aves eram comuns ao longo do rio Paraná. No Paraguai e no nordeste da Argentina, já no final do século passado eram consideradas muito raras. A espécie é considerada extinta por muitos pesquisadores por não ser avistada na natureza há mais de 80 anos, sendo que não existem exemplares em cativeiro. E os exemplares taxidermizados (empalhamento científico) conhecidos pertencem a coleções de museus no exterior.

Com população muito pequena e difícil de encontrar antes ou no início do século 19, a arara azul desapareceu antes de ser bem conhecida. As hipóteses sobre a sua extinção, são caça e captura como animal de estimação, catástrofe natural, redução de variabilidade genética ou descaracterização do ambiente natural com o assentamento humano ao longo dos rios.

Eram encontradas em bandos de 10 a 30 araras, especialmente nas áreas de alimentação e nos locais escolhidos para descansar e dormir, como também em pares reprodutivos.

Quando esses bandos eram observados verificava-se a alta socialização (interação) entre os indivíduos. Era muito comum as araras vocalizando (parece que conversando umas com as outras), executando preening (um indivíduo coçando ou fazendo limpeza de penas no outro), brincando umas com as outras e com os galhos, flores e folhas das árvores onde pousavam. Já na época reprodutiva era possível observar os casais alimentando-se e voando juntos, geralmente fiéis ao parceiro e dividindo a tarefa de cuidar dos ovos e filhotes.

As araras azuis não parecem selecionar ninhos com características padronizadas, como forma e tamanho das cavidades, orientação das aberturas, etc, mas mostram preferência por árvores que se destacam da vegetação, localizadas nas bordas de cordilheiras ou capões e com cavidades mais acessíveis.

90% dos ninhos são encontrados nas árvores de manduvi. Essas árvores de tronco grosso e cerne (interior) macio, facilita a formação do ninho. As araras azuis são escavadores secundários. Elas aproveitam pequenas cavidades abertas por pica-paus, cupins ou fungos, como também locais onde houve a quebra de um galho para aumentar a cavidade e depois, forrando com serragem, constroem o seu ninho. Por esta característica elas podem ser chamadas de engenheiras ambientais. Ao fazerem os seus ninhos, as araras acabam fazendo ninhos para diversas espécies como tucanos, gaviões, corujas, pato-do-mato e outros.

É impossível saber quantas araras havia originalmente, mas sabe-se que era uma espécie abundante no Paraná, incluindo o Noroeste onde vivemos, no início do século passado. Infelizmente, hoje devem existir mais araras azuis em cativeiro que em vida livre.

As ameaças encontradas pela espécie foram os principais fatores que levaram as araras azuis à extinção: a captura para o comércio nacional e internacional de aves, que foi intensa até a década de 1980 (ovos, filhotes, adultos); a destruição do habitat (perda, fragmentação, descaracterização) principalmente com a implantação de pastagens cultivadas, agricultura e colonização no Noroeste e em outras regiões do Estado; e a caça e coleta de penas para artesanato indígena (no Brasil está proibida desde 2005, sendo permitido apenas para cerimônias e outros usos dentro das reservas indígenas). A estes fatores, acrescentam-se populações pequenas, baixa taxa reprodutiva e especialização na dieta e no hábitat.

Outro agravante é o tráfico criminoso de araras: até a década de 1980 estima-se que mais de dez mil araras azuis foram retiradas da natureza. Hoje, o tráfico de araras azuis diminuiu bastante, mas ainda continua. No vizinho Mato Grosso do Sul se não acabou, reduziu muito, graças ao trabalho de divulgação e envolvimento da população efetuado pelo Projeto Arara Azul.

Fonte: Umuarama Ilustrado

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