Tanzânia insiste em construir estrada que corta parque e põe em risco milhares de animais


A perda de herbívoros vai ter impacto em todo o ecossistema do parque. (Foto: Tim Davenport/Reuters - arquivo)

O Governo da Tanzânia segue em frente no projeto da construção de uma estrada no Noroeste do país, que corta o Parque Natural do Serengueti, depois de o Banco Mundial oferecer ajuda para que a via seja construída a sul do parque.

O projeto já é conhecido desde outubro de 2010. Ambientalistas de vários países temem que esta via impeça a passagem da maior migração de grandes mamíferos conhecida. Todos os anos, dois milhões de grandes mamíferos, incluindo zebras e gnus, mantêm uma rota de migração ao longo dos 30 mil quilômetros deste ecossistema que fica no Norte da Tanzânia. Parte dessa migração atravessará a futura estrada.

A via terá cerca de 420 quilômetros de comprimento, e vai atravessar cerca de 54 quilômetros de parque. Vai ser feita de cascalho na zona do parque e, segundo o Governo, irá permitir que as populações do nordeste do país cheguem mais rápido a cidades do sul, em vez de terem que percorrer uma estrada da lama que atravessa todo o Serengueti ao longo de cerca de 172 quilômetros.

O Banco Mundial já ofereceu ao Governo da Tanzânia ajuda financeira para a construção de uma via alternativa que ligaria, da mesma forma, o nordeste do país, a partir do lago Vitória, contornaria a região ocidental e sul do parque para chegar finalmente à região que fica a sudeste do parque. Mas o Governo rejeita esta proposta por não ajudar às populações do nordeste.

A estrada poderá começar a ser construída em 2012. Segundo estudos, prevê-se que em 2035 haja seis mil carros a atravessar por dia o parque, o que equivale a um milhão de carros ao longo do ano. Os críticos deste projeto defendem que, com o aumento de circulação, irá haver a necessidade da construção de fazer um melhoramento para uma estrada de alcatrão.

No final de janeiro foi publicado um estudo na revista Public Library of Science One, um estudo que tenta antecipar a evolução das populações de herbívoros depois de se construir esta barreira ecológica. Segundo o artigo, a pressão da estrada poderá reduzir as populações de gnus em 35 por cento, o que terá um impacto em todo o ecossistema.

“Todo o ecossistema depende do impacto desta migração massiva, por isso o ecossistema em si vai mudar em completo quando a migração desaparecer”, disse citado pelo Herald Paris Anthony Sinclair, um dos autores do estudo, da Universidade da Colômbia Britânica, no Canadá.

Sabe-se ainda que os herbívoros reduzem uma grande proporção do pasto, o que diminui o impacto dos incêndios. A redução de animais pode fazer aumentar este flagelo e tornar todo o ecossistema num produtor de carbono, avisa o estudo.

O Governo, no entanto, garante que todos as medidas de conservação vão ser mantidas no parque. “O Serengueti é uma joia da nossa nação assim como para a comunidade internacional. Não vamos fazer nada para ferir o Serengueti e gostaríamos que a comunidade internacional soubesse isso”, disse num comunicado o presidente Jakaya Kikwete, citado pela AFP.

A Tanzânia tem uma área de 945 mil quilômetros quadrados, é dez vezes maior do que Portugal e tem uma população de quase 43 milhões de habitantes. O Parque Nacional do Serengueti, que fica dentro da região do Serengueti, tem perto de 15 mil quilômetros quadrados e é Patrimônio Mundial da Unesco. Anualmente recebe 90 mil turistas.

Fonte: Ecosfera


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