As contradições do mundo mágico


A Disney é o sonho de viagem de qualquer criança feliz, de todas as nacionalidades e de todas as idades. E assim era também o sonho do meu filho, Pedro, que está com dez anos. Sendo assim, lá fui eu revisitar a casa do Mickey, treze anos depois. Com exceção de uma ou outra atração, tudo continua exatamente igual. Inclusive o gorila e seu olhar tristonho. Inclusive o tigre e seu andar frenético, que só o faz parar quando encontra a vidraça.

O complexo tem quatro parques de diversão: Magic Kingdom, Epcot, Hollywood Studios e Animal Kingdom. É neste último que os animais vivem como se estivessem soltos e felizes, mas que não passa de um zoológico sem tantas grades, sem tantas paredes. A maior fila era para um “safári” que dura menos de dez minutos, para o qual uma selva foi reproduzida, e onde vivem leões, elefantes, girafas, zebras, rinocerontes e outras tantas espécies. Com um carro adaptado para a atração, passa-se rapidamente pelos animais, que ignoram a curiosidade humana de forma tão superior, como se quisessem deixar claro que não somos merecedores de sua atenção.

Estranhamente, no mesmo parque, uma peça de teatro linda e educativa sobre o filme Nemo, nos lembra a angústia do peixinho ao ser colocado em um aquário e a famosa canção que diz “peixes são amigos, não comida”. Contradição das mais absurdas. Animais são presos ali mesmo. Chego a perder as contas de quantos aquários vimos pelos parques. No maior deles, inclusive, visitantes podem mergulhar e nadar como se estivesse em alto mar.

As crianças mais crescidas, ou com pais nostálgicos, lembram bem de Bambi, o veado que fugia de caçadores depois de ter a mãe assassinada, ou de Tarzan, o menino criado por gorilas. E assim existe uma infinidade de filmes Disney que são bons exemplo nas telas, que usam do poder de persuasão do cinema para encantar e, supostamente, ensinar. Então por que fazer, na prática, o discurso ao contrário com a infeliz escolha de manter animais presos? Isso sem falar nos animais servidos como refeição, mas isso seria “chover no molhado”.

Pena é saber que essas contradições vêm acompanhas de muita magia e muita diversão, que tomam o lugar de qualquer possível reflexão infantil.


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