O perigo das estradas para a vida selvagem


Na semana passada, indo pro Zizo eu e o Guilherme, encontramos essa coruja-orelhuda (Asio clamator) atropelada na beira da estrada, já chegando em São Miguel Arcanjo. Infelizmente esse é um problema comum no mundo inteiro. Diariamente milhares de aves e outros animais morrem atropelados. Em alguns lugares esse problema parece ser mais crítico. Viajar de carro pelo MS por exemplo é uma coisa pavorosa… Encontra-se muitos animais atropelados, como tamanduás, cachorros-do-mato, seriemas, tatus, cobras, etc. Nessa época do ano isso é mais triste ainda porque muitos animais, em especial as aves, estão com filhotes. Ou seja, se um morre é provável que a ninhada inteira morra também.

Corujas são especialmente suscetíveis a atropelamentos porque elas vêm caçar nas estradas. Acredito que um dos grandes motivos é que os caminhões que transportam grãos, como milho, comum na região de São Miguel, deixam cair grande quantidade de grãos nas estradas. De dia é possível ver pombas se alimentando no meio da estrada, e a noite com certeza é a vez dos roedores, que por sua vez atraem as corujas.

A solução não é fácil. No caso dos mamíferos, o melhor é cercar a estrada com uma tela nos pontos críticos e criar túneis para passagem de vida silvestre. Isso é feito em países mais desenvolvidos com muito sucesso. Já no caso das aves o problema é mais difícil de solucionar. Umas das coisas que pode ser bastante efetiva é cobrar que os caminhões que transportam grãos selem bem a carga para evitar que os grãos caiam na pista. Isso poderia ser motivo para multa inclusive. Se não tiver grão na estrada não vai ter roedor, sem roedor as corujas vão caçar em outros locais. Outra ação poderia ser impor limites menores de velocidade nos pontos críticos.

Como a coruja havia sido morta algumas horas antes e estava sem nenhum dano externo aparente, a pegamos para levar pra UNICAMP. Pelo menos ela terá alguma função educativa/científica.

Fonte: Octavio Campos Salles


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