Tutor fala sobre a superação da perda de um animal querido


Mila Fernandes Rocha
mila-rocha@uol.com.br

Os mortos, a gente enterra: temos que cuidar dos vivos. Diante de toda a tragédia que assola a Região Serrana/RJ, o tema eutanásia em animais volta a ser debatido.

Tive quatro gatas que foram humanizadas. Só me restou uma e todas tiveram nome, sobrenome, documentos, álbuns de fotografia, pastas de exames que guardo até hoje…

Quando eu tinha 6 anos, fomos viajar e sem ter com quem deixar a Fafi (minha gatinha) minha família se desfez dela. Carrego até hoje a culpa por não ter chorado mais, gritado mais e dito: Não viajo sem Fafi.. e Fafi se foi.

Minha segunda filha (a da foto) chamava-se Minnie Rocha e me deu sua companhia por oito anos. Um câncer a levou. Vi minha filha agonizar por oxigênio, segurei suas mãozinhas (patas, para os “humanos”) até vê-la partir em cima da minha cama. Não fiz “eutanásia” como muitos propuseram.

Minha outra filha, Tereza Rocha Potiguar (a gatinha de Natal que resgatei), também se foi vítima de FIV (Aids felina).UTI”s, picadas, exames.Ventilação artificial por mais de uma hora. Sem temperatura, sem batimentos cardíacos. Sem dignidade, sem milagres, após meses de luta. Se voltasse do coma (o que era 99% improvável), com gravíssimas sequelas. Deixá-la agonizar sem ar, por quantas horas ficaria em ventilação artificial? Seu corpo já estava tão frio, não respondia a nenhum estímulo. Pela equipe médica da UTI e pela própria veterinária que a acompanhava há anos, fui aconselhada a deixá-la descansar.

É uma desculpa para a eutanásia, não. Apenas um relato. Dois casos por mim vividos, dois finais diferentes. Não aceitamos o fim, a morte do ente querido, a saudade, a falta de seus miados. Restou-me a dor da saudade, e uma só filha: Brigite Rocha, também com FIV. As outras se foram e preciso lutar pela vida de quem ficou.

Será esse o verdadeiro ditado: os mortos a gente enterra….vamos cuidar dos vivos!?


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