Ativista brasileiro embarcado em navio da Sea Shepherd relata os dias após o confronto


(Relato de George Guimarães)

Arpoeiro japonês persegue o Steve Irwin da Sea Shepherd. Foto: George Guimarães

Durante os últimos quatro dias temos um arpoeiro japonês constantemente na traseira do Steve Irwin e outro na traseira do Bob Barker, que nos acompanha a uma distância grande, em outra latitude, continuando assim a varredura em busca do navio-fábrica. A parte boa de eles estarem nos seguindo para passar as coordenadas sobre a nossa posição ao navio-fábrica é que, enquanto eles estão fazendo isso, não estão caçando. A parte ruim é que enquanto estão fazendo isso, não conseguiremos encontrar o navio-fábrica.

Foto: George Guimarães

Nosso grande trunfo continua sendo o Gojira (que significa Godzila em japonês), nosso barco veloz que consegue facilmente deixar qualquer um dos navios da frota baleeira comendo água gelada. Por isso, ele consegue manter-se livre para buscar pelo navio-fábrica. Para nós que estamos a bordo dos navios maiores, a estratégia pode ser a de mantê-los seguindo-nos até o final da temporada (no mês de março, que é quando a água começa a congelar, impossibilitando a navegação) ou a de desabilitá-los para que possamos continuar a busca. Estamos fazendo um pouco de cada.

O clima por aqui muda constantemente. Em uma única hora, ele muda de ensolarado, para nublado, para nevado. O temperamento da água muda igualmente, de calmo para agitado, de liso para ondulado. Só a temperatura é que se mantém mais estável, sempre um pouco abaixo de zero grau Celsius. Esses dias têm sido repletos de vistas de icebergs, albatrozes e… baleias! Em dias anteriores, havíamos avistado muitos jatos de baleias (resultantes da sua respiração), mas nos últimos dias eu pude finalmente avistá-las! Um dia uma, outro dia outra, hoje duas de uma só vez, uma delas até me mostrou a sua cauda! É reconfortante vê-las nadando, sabendo que não estão sendo mortas graças à nossa presença, mas é também preocupante testemunhar como elas poderiam ser alvo fácil dos arpões armados com explosivos que mancham de vermelho as águas puras e cristalinas dessa região remota do planeta.

Foto: George Guimarães

Em qualquer batalha há vantagens e desvantagens para ambos os lados, do contrário um dos lados não se disporia a ela. No caso dessa Guerra Gélida, nossa principal vantagem é a paixão que carrega cada um dos voluntários que se dispõe a dedicar seu tempo e sua energia, e a abrir mão do seu conforto e da sua segurança, para estar aqui, na certeza de que essa é a coisa certa a ser feita. A cada ano, voltamos à Antártida mais fortes, e os baleeiros voltam mais fracos. Com uma campanha bem-sucedida nesse ano, eles voltarão para casa sem ter derramado uma gota de sangue e com isso terão o maior prejuízo econômico de toda a sua história. Com isso, essa poderá muito bem ser a última campanha da qual as baleias precisarão, pois enquanto estivermos aqui, nenhuma baleia será morta na Antártida!

Mais informações no blog Guerra Gélida .


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