EnglishEspañolPortuguês

Seminário discute combate ao tráfico de animais silvestres

4 de dezembro de 2010
3 min. de leitura
A-
A+

Presidente do INEA destaca operações no estado, citando casos em Teresópolis

O presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Luiz Firmino, abriu, nesta sexta-feira, o 1º Seminário Estadual de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres para promover a troca de experiências sobre o tema, que é considerado o terceiro maior ilícito do planeta, superado apenas pelo tráfico de drogas e de armas. O encontro foi realizado na sede da Secretaria do Ambiente. “O Ibama, um de nossos parceiros de primeira ordem no combate ao tráfico de animais silvestres, conta com apoio da Secretaria do Ambiente que, além de atuar fortemente em todas as áreas, também pode ajudar nas ações do Instituto, não apenas em campanhas de educação/conscientização e nas ações de fiscalização, mas também com toda a estrutura que se faça necessária para que o trabalho de combate e prevenção possa fluir da melhor forma possível em todo o Estado do Rio de Janeiro’, assinalou Firmino, ao justificar a importância e a necessidade de integração das ações do estado e da União em curso.

O seminário abordou iniciativas realizadas pelo Inea, como a campanha Bichos na Mata, da Superintendência Regional Lagos São João, que incentiva a entrega de animais silvestres em cativeiro sem punição e prevê fiscalização intensificada. Outro assunto em destaque mostrou a realidade da fauna nas unidades de conservação estaduais, onde, na maioria delas, as maiores ameaças à fauna são a caça, os atropelamentos e a captura de animais. Além de campanhas mais abrangentes promovidas pela gerência de Educação Ambiental do Inea, o seminário também mostrou outras alternativas de incentivo à conscientização, aliada à reciclagem de materiais apreendidos – gaiolas e armadilhas para a captura de pássaros -, como o projeto Brincando com Gaiolas, desenvolvido pelo auxiliar de fiscalização do Parque Estadual dos Três Picos/Núcleo Paraíso, no município de Guapimirim, Antonio Carlos Pestana Rocha.

Todas as gaiolas apreendidas e que antes eram destruídas pelos agentes florestais, hoje fazem parte do projeto lúdico/pedagógico depois de serem transformadas em brinquedos, jogos (minimesas de sinuca e pebolim, jogo de palitos, entre outros) e material didático para o aprendizado de Matemática, Física e iniciação à escrita. – Com auxílios das prefeituras, a ideia é ampliar o projeto aos municípios que abrigam ou são vizinhos de parques estaduais e áreas de conservação ambiental – prevê Pestana.

Só no mês de agosto, contou ele, foram apreendidas 140 aves no município de Teresópolis, sendo 70 pássaros em uma única casa e, destes, 50 incluídos na lista de extinção, como o xanxão, pássaro silvestre muito procurado e valorizado por criadores. Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres indicam que cerca de 38 milhões de animais brasileiros são retirados dos seus habitats todos os anos para abastecer o mercado ilegal. A maioria dos animais capturados na Mata Atlântica é enviada para o Rio ou São Paulo, onde são vendidos em feiras livres e lojas especializadas ou exportados para os Estados Unidos, países da Europa e Japão.

Além dos maus-tratos causados aos animais, o tráfico de animais silvestres traz riscos à população através da transmissão de doenças. Em termos econômicos, a atividade clandestina também causa prejuízos, pois recruta pessoas carentes para trabalhar em uma atividade ilícita, prejudicando atividades geradoras de emprego e renda, como o ecoturismo, que tem como um dos principais atrativos a manutenção de animais silvestres em seus ambientes naturais. A retirada dessas espécies dos seus habitats provoca danos ambientais sérios.

Fonte: O Diário de Teresópolis

Você viu?

Ir para o topo