Novas espécies de insetos são descobertas no Mato Grosso do Sul


Especimes de Anacroneuria Otafroehlichi (Foto: Marcel Rodrigo Cavallaro)

Três novas espécies de insetos foram descobertas pela pesquisadora Karina Ocampo Righi Cavallaro em Chapadão do Sul (MS) e um deles recebeu, como homenagem, o nome de “tereré”. A descoberta foi feita durante um levantamento da fauna de insetos aquáticos para implementação de uma hidrelétrica no Rio Sucuriú. Karina coletou os insetos em junho e dezembro de 2008 e, na época, não imaginava que estava capturando insetos ainda não catalogados. “As espécies são muito parecidas, só olhando no campo não dá para saber se são novas ou não”, diz a entomóloga.

A pesquisadora conta que preparou os exemplares de insetos que investigou e comparou com as espécies que já existiam na região e proximidades para, assim, ter certeza que tinha encontrado novos exemplares. “Esses animais são importantes pelo seu ciclo de vida”, explica. “As larvas vivem em ambientes de corredeira, onde há grande quantidade de oxigênio. Como sua distribuição está ligada a ambientes aquáticos sadios, ou seja, com grande quantidade de oxigênio, esses insetos são considerados excelentes bioindicadores de qualidade de água”, diz Karina.

Os três insetos tiveram seus nomes científicos criados pela pesquisadora. O Anacroneuria terere, cujo primeiro nome se refere ao gênero e o segundo é o nome da nova espécie, foi assim batizado porque a ideia era ligar o inseto à região de descoberta. O outro, Anacroneuria otafroehlichi, faz referência a Otávio Froehlichi, que foi co-orientador de dissertação de mestrado e é amigo de Karina. “Otávio é um professor excelente, sempre esteve ao meu lado para me ajudar a tomar decisões simples, porém, importantes”, ela diz.

O último, Anacroneuria singularis faz menção a uma especificidade do animal descoberto. O artigo científico de divulgação das descobertas da entomóloga foi publicado no dia 22 de novembro, na revista eletrônica “Zootaxa”. No entanto, a publicação só pode ser visualizada por assinantes da revista e universitários, já que ela é direcionada ao meio acadêmico.

“Foram as minhas primeiras espécies novas descobertas, fiquei muito contente”, afirma a entomóloga. Ela ressalta que o Estado é muito pouco estudado e há poucos pesquisadores nesta área. “Acredito que ainda há muitos insetos a serem descobertos”, finaliza Karina Cavallaro.

Fonte: Correio do Estado


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