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Moradores denunciam guias por matança de gatos na Chapada dos Guimarães

24 de novembro de 2010
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Os guias que usam a região do Vale do Jamacá, em Chapada dos Guimarães, para conduzir  “observadores de pássaros” de outros países estão sendo acusados por moradores de promoverem a matança de gatos, através de envenenamento. Motivo: a proliferação dos animais estariam afugentando os pássaros e reduzindo o interesse dos estrangeiros pela visitação ao local. Os guias são acusados de cortar a cabeça dos animais e enterrarem em lugares que seus tutores não conseguem achar.

O “massacre aos gatos”, como os moradores do Jamacá classificam a matança,  vem ocorrendo já há algum tempo. Inclusive,  já foi denunciado para a Polícia de Chapada dos Guimarães. Porém, ainda não houve solução. Os moradores acreditam que somente com o empenho das autoridades e a pressão da sociedade de defesa dos animais o quadro poderia mudar. Os guias, segundo eles, todavia, negam que estejam cometendo atrocidades com os animais.

“Neste lugar moram várias famílias que procuram conviver de maneira harmoniosa com essa fauna e flora exuberante e seus animais domésticos, principalmente gatos e cachorros.  Estes animais são alimentados, vacinados e muitos são castrados para evitar o crescimento populacional exagerado. Mas tudo com muito amor e carinho” – diz Beatriz Rojo Cabrera, ao denunciar a situação preocupante.

Ela explica que o Jamacá possui um ecossistema formado por pássaros exuberantes. Ela cita o juruva, o mutum-de-penacho, o tucano-de-coleira, entre outros. No Jamacá existe, também, pequenos carnívoros como o lobo-guará, o gato-palheiro, a jaguatirica. “Como os pássaros, essas espécies são ameaçadas de extinção” – observa.  A região usada pelos guias não é área de preservação ambiental, nem espaço exclusivo de turismo. Em verdade, se trata de uma área de habitação, quase como uma espécie de bairro do município.

 Beatriz sustenta que os gatos estão sendo mortos com o uso do “chumbinho”, comercializado com o nome de Temik 150. A  venda é autorizada em estabelecimentos credenciados, mediante a apresentação da receita emitida por um profissional agrônomo e apenas em sacos de 20 kg.  O veneno, porém, é vendido quase livremente em lojas agropecuárias não autorizadas, sem a apresentação de receita e de forma fracionada e sem rotulagem, para uso como raticida e para extermínio de animais domésticos, especialmente de cães e gatos.

“Não é difícil obter pequenos pacotes com cerca de 20 gramas do poderoso veneno, junto a comerciantes que “driblam” a frágil fiscalização. Inicialmente desconfiados, os vendedores logo tiram o produto de trás do balcão quando lhes é pedido um “raticida mais forte”, que os convencionais, um “veneno pra matar um bicho maior”, como cães, gatos etc, ou “as bolinhas cinzas pra matar rato”. As intoxicações e mortes ocorrem há década” – lembra a moradora do Jamacá.

Beatriz Rojo oberva que além dos gatos, cuícas, gambás, lobinhos, jaguatiricas, cachorro do mato entre outros animais podem morrer por causa das  iscas de veneno.  As iscas atraem gatos, mas também podem atrair demais animais carnívoros. Entre as aves, estas iscas poderiam atrair, por exemplo, alguns gaviões oportunistas como o carcará, além de outros ocorrentes na região. Outro problema que ela cita para alertar à necessidade de ações urgentes por parte das autoridades é que esse veneno ingerido por algum organismo de base da cadeia alimentar (exemplo, um rato) pode também envenenar seu predador, uma coruja, por exemplo. Ou seja, o veneno pode ser fatal indiretamente a muitos animais. 

Fonte: 24 Horas News

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