Projeto em escolas conscientiza sobre adoção e guarda responsável


Promover uma mudança de consciência no cuidado com animais domésticos. Essa é a proposta do projeto Posse Responsável de Animais de Companhia, coordenado pela professora Lígia Mistieri, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). À preocupação humanitária com animais sujeitos a condições hostis de sobrevivência nas ruas a iniciativa alia forte base científica em relação às zoonoses, doenças transmissíveis de animais para seres humanos, e por isso abrange mais de um aspecto da saúde pública.

De acordo com a professora Lígia, o projeto abarca inicialmente duas escolas da rede municipal de ensino, que juntas atendem a cerca de 2,4 mil crianças matriculadas (E.M.E. Moacyr Ramos Martins e E. M. E. CAIC). Atualmente a equipe do projeto consiste em seis docentes da Universidade, 12 acadêmicos do curso de Medicina Veterinaria, três técnicos-administrativos da UNIPAMPA e cinco voluntários da população.

“Na realidade, esta fase de implantação do projeto servirá como um projeto-piloto para que possamos avaliar se nossa metodologia é eficiente, antes que ocorra a expansão para as demais escolas. Toda atividade que envolve conscientização demanda muito tempo e dedicação para que os objetivos sejam atingidos”, conta Lígia.

O cuidado preconizado pelo projeto envolve especialmente os animais abandonados – aqueles sem tutor e que vivem pelas ruas. As atividades de conscientização, que incluem apresentações de vídeos e presença em eventos e ações especiais para sanar dúvidas e levar conhecimento à população são vistas como a melhor medida, por causar efeitos permanentes e envolver custo financeiro menor.

“Nenhuma medida de controle de zoonoses é eficaz se realizada isolada”, por isso a adoção de animais sozinha não poderá controlar nenhuma zoonose. Entretanto, certamente a conscientização da população é a única com caráter definitivo, uma vez que a adoção de um animal não soluciona o problema enquanto houver crescente abandono de animais e crescimento, em progressão geométrica, da população errante, pela procriação”, explica a docente.

Em uma população consciente, argumenta a professora Lígia, haverá menor índice de abandono de animais, maior número de esterilizações (controlando a natalidade) e maior eficiência no controle dos vetores transmissores de várias zoonoses (como carrapatos e mosquitos). Assim, não basta apenas adotar um animal errante, mas também é preciso estar ciente dos cuidados adicionais que isto envolve e quais medidas associadas devem ser tomadas para o controle de determinada zoonose. As medidas mudam, dependendo do tipo de doença – por exemplo, a leishmaniose.

“Para evitar sua progressão, precisamos controlar os vetores que a transmitem, que por sua vez se proliferam em locais com acúmulo de matéria orgânica (como lixo exposto, esgoto ao ar livre, entre outros) além de, seguindo as normas sanitárias federais, eliminar os animais comprovadamente doentes. Ou seja, só por esta lógica já é possível observar que não adianta realizar apenas a eutanásia dos animais comprovadamente doentes, necessitamos do controle do vetor e do ambiente”, ensina Lígia.

Segundo a professora, essa lógica de ação se repete para as outras doenças: leptospirose (ratos, locais com acúmulo de matéria orgânica ou com alagamentos) e raiva (morcegos e animais acometidos), entre outras.

“Por este motivo, faz-se imprescindível e urgente a implantação municipal de um Centro de Controle de Zoonoses. Um órgão municipal responsável por realizar este tipo de ação preventiva e curativa, quando for o caso”, declara a professora.

Cuidados para adotar um animal abandonado

Ao decidir adotar um animal abandonado, nas instruções repassadas pela equipe do projeto, é imperativo que a pessoa o leve para uma consulta veterinária, para que se estabeleça qual o estado de saúde do animal e se colham materiais para a realização de exames específicos, como sorologia para leishmaniose, por exemplo. A coordenadora do projeto diz que esta consulta também permitirá o diagnóstico de parasitas (carrapatos, pulgas, verminoses) e seu tratamento.

Também é importante que o animal em questão não tenha contato com outros animais e tenha contato controlado com os membros da família até que se obtenham os resultados dos exames solicitados. Só então pode-se ter certeza de que o animal adotado não levará nenhum risco à saúde das pessoas ou dos seus outros animais de estimação.

A professora Lígia explica que, em muitos casos, quando encontram um animal bastante debilitado e querem ajudar, as pessoas procuram alguma ONG (organização não governamental) ou o canil municipal. Porém, é importante que as pessoas se conscientizem que ajudar significa fazer, e não apenas transferir o problema. As ONGs são poucas e vivem da pequena caridade de alguns, e o canil municipal apresenta pequena capacidade frente à imensa quantidade de animais errantes em Uruguaiana. A docente calcula que, se uma pessoa em cada três na cidade adotar um animal e se responsabilizarepor seus cuidados e guarda, o problema dos abandonados em Uruguaiana estaria solucionado.

“Infelizmente, qualquer canil ou ONG não é capaz de resolver a situação que se observa nesta cidade, e por isso é necessário o envolvimento ativo da população, que deve fazer sua parte, não apenas adotando, mas mantendo seus animais nos limites de sua moradia, sob seu controle”, conclui a professora Lígia.

Fonte: Unipampa


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