Os animais mais ameaçados de extinção


(Montagem/Exame)

Quando percebemos o valor de todo  tipo de vida, pensamos menos no que já passou e nos concentramos mais na preservação do futuro. A afirmação é da pesquisadora  Dian Fossey, encontrada assassinada em 1985 em sua cabana, no centro de estudo sobre gorilas-das-montanhas que fundara em Ruanda na década de 70. Quando seu gorila favorito foi morto (e suas mãos retiradas para fazer cinzeiros), Fossey começou uma campanha contra a atividade, tornando-se alvo da ira de caçadores ilegais. Ainda hoje, o futuro do gorila-da-montanha e de muitas outras espécies animais continua incerto.

Segundo o Relatório Planeta Vivo 2010 da World Wild Fund (WWF), o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade em 40 anos. Nas espécies tropicais essa queda foi de 60%. Em 2002, a ONU definiu metas para frear a perda de espécies. Longe de lograr sucesso, mais de 190 países se reúnem novamente em Nagoya, no Japão, para encontrar um plano B, durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, que vai até dia 27 de outubro. O futuro de muito seres vivos pode ser definido nos próximos dias. Entre eles, estão as 10 espécies mais ameaçadas do mundo, de acordo com a WWF. Os animais listados a seguir são apenas alguns de um vasto universo ameaçado de forma preocupante e negligente pela perda de habitats, pela caça ilegal e alterações climáticas.

Panda gigante encontra dificuldades para procriar

(Foto: Creative Commons)

Restam apenas 1,6 mil pandas gigantes na natureza. Os emblemáticos animais preto e branco vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaçadas pelo crescimento das cidades. Segundo a WWF, a despeito das mais de 20 áreas de proteção ambiental do país, 43% dos habitats naturais desses animais não estão nas áreas protegidas.

De acordo com a ONG, o habitat natural do panda gigante tem se dividido em pequenos territórios, o que dificulta o encontro entre diferentes populações de animais para a reprodução. Os pandas fêmeos dão à luz uma vez por ano. Na maioria das vezes, nascem apenas duas crias.

Rinoceronte de Java: restam apenas 60 em todo o mundo

(Foto: WWF)

Entre os mamíferos de grande porte mais raros do mundo, o rinoceronte de Java é o mais ameaçado de todos. Os 60 animais remanescentes da espécie se dividem entre duas reservas, na Indonésia e no Vietnã.

Mesmo protegidos nas reservas, ainda correm risco devido à perda da diversidade genética, doenças e caça ilegal. Em maio deste ano, restos de um rinoceronte Java foram encontrados na reserva do Vietnã. O animal teve o seu chifre arrancado.

Moído, o chifre do rinoceronte é vendido a centenas de dólares por grama no mercado negro para ser usado na medicina asiática. A expansão das plantações também tem acabado com as florestas que abrigam o animal.

Borboleta-monarca luta contra temperaturas extremas

(Foto: Creative Commons/Docent Joyce)

Um dos insetos mais delicados e coloridos do mundo, a borboleta-monarca tem sofrido com as temperaturas extremas e inesperadas. Todo os anos, durante o inverno, milhares de borboletas monarcas cruzam os Estados Unidos em busca do calor das florestas mexicanas. Fevereiro é, habitualmente, um dos meses mais secos no México. Mas este ano, dias de chuvas torrenciais e granizo vieram perturbar o equilíbrio dos ecossistemas.

Tempestades atípicas podem afetar a população de insetos, já que é naquela região que se inicia o ciclo biológico da espécie. Segundo a organização Nature Conservancy, o número de borboletas que chegou ao México para passar o inverno, depois de uma migração de 3200 quilômetros, foi o menor já registrado.

As que conseguem sobreviver à viagem turbulenta, se deparam com outro problema: o bosque de Oyamel, no México, considerado seu habitat característico, embora localizado em uma reserva declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, sofre com incêndios florestais, desmatamento ilegal, pragas e doenças florestais.

Gorilas-das-montanhas: vítimas da guerra e da caça

(Foto: Getty Images)

Famosos depois do filme Nas montanhas dos gorilas, estrelado por Sigourney Weaver, os gorilas podem deixar de existir na próxima década. Estimativas apontam a existência de apenas 720 animais dessa espécie na natureza. Cerca de metade deles vivem no Parque Nacional de Virunga, localizado na zona oeste da República Democrática do Congo, na fronteira com Ruanda e Uganda.

Essas áreas são palco de conflito humano permanente que repercute na perda dos habitats naturais e na caça do gorila-da-montanha. Algumas iniciativas isoladas têm possibilitado o aumento dessa população nos últimos anos, mas a espécie ainda corre grande perigo. Este animal, que vive aproxidamente 35 anos, possui um período de gestação de 250 até 270 dias, e o número de crias que dá é de apenas uma, sendo muito raro terem gêmeos.

O atum de barbatana azul está no vermelho

(Foto: Creative Commons/Stewart Butterfiel)

Encontrado no leste do Atlântico e no Mar Mediterrâneo, o atum azul está ameaçado pela pesca predatória. Sua carne é muito valorizada na culinária japonesa para o preparo sushi. Por várias décadas, 90% de todo o atum azul pescado era de indivíduos com menos de um ano de idade.

A falta de controle no processo levou a pesca desse espécie marinha à beira do colapso em todos os oceanos do mundo. Tanto que, no começo do ano, a ONU propôs o fim da exportação do peixe, que viu sua população cair mais de 80% desde o século 19.

Durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (COP 10/CDB), que acontece em Nagoia, no Japão, os líderes de diversos países – incluindo o Japão, o maior consumidor de frutos do mar do mundo – devem determinar a ampliação de áreas oceânicas onde serão proibidas a pesca e as atividades industriais com o objetivo de ajudar os oceanos a restaurarem seus estoques marinhos.

Tartaruga-de-couro: gigante raro sob ameaça

(Foto: Creatice Commons/Paul Mannix)

Também conhecida como tartaruga-gigante, porque pode chegar a medir até dois metros de comprimento e pesar 900 quilos, esse réptil possui um casco menos rígido que o de outras tartarugas marinhas e semelhante a um couro.

A maior das tartarugas marinhas é também a mais ameaçada. Um declínio global de 78% em 14 anos levou a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a incluir a espécie na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas com o estatuto de “Criticamente Ameaçada”.

Estimativas indicam que a população desta espécie seja de apenas 2,3 mil exemplares. As ameaças são inúmeras e vão desde a ingestão acidental de plástico e pesca acidental, à caça e destruição intencional de ovos.

O pinguim-de-Magalhães nada, nada e morre na praia

(Foto: Creative Commons/DFaulder)

O pinguim de Magalhães vive nas Ilhas Malvinas, na Patagônia e ao longo da costa da Argentina e Chile. Seu nome é uma homenagem ao explorador Fernão de Magalhães, primeiro europeu a observar estes animais, em 1519. Com o aumento na temperatura das correntes marinhas, estes simpáticos pinguins estão tendo que ir mais longe para encontrar alimento.

Pesquisadores apontam que mudanças nas correntes e temperaturas oceânicas podem ser responsáveis por fazer os pinguins se deslocarem mais de 1,6 mil quilômetros da área a que estão habituados a viver. Em 2008, centenas deles chegaram às praias do Rio de Janeiro, muitos já sem vida, outros moribundos, atrás de alimento. Atualmente 12 das 17 espécies de pinguins estão tendo suas populações diminuídas rapidamente.

Morsa do Pacífico: sem gelo e sem presas

(Foto: Getty Images)

A morsa do Pacífico é mais uma das principais vítimas das alterações climáticas. Assim como os ursos-polares, e outros seres vivos cujo habitat são as regiões gélidas dos polos, esses animais de pele enrugada e longas presas de marfim são especialmente vulneráveis ao derretimento do gelo.

Com o abalo de seu ecossistema, as morsas são obrigadas a procurar novas regiões, nem sempre seguras. Em setembro de 2009, cerca de 200 exemplares da espécie foram encontrados mortos em solo firme perto do mar Chuckchi, no Alaska. Os biólogos não sabem exatamente o que matou os animais, mas ficar em terra não é um comportamento comum na espécie.

A teoria mais aceita é de que eles foram pisoteados por outros membros de seu grupo: alguma coisa teria assustado os bichos e causado uma fuga em massa e desordenada para o mar. Se estivessem no gelo, as morsas teriam mais chances para escapar.

Urso-polar: à deriva no mar das mudanças climáticas

(Foto: Greenpeace)

Até 2050, o mundo perderá dois terços da população atual de ursos-polares, alertam cientistas, em grande medida por causa do aquecimento global, que está derretendo o gelo no Polo Norte. Segundo a ONU, a região está aquecendo mais rápido do que qualquer outro lugar na terra e pode ficar sem gelo até 2030.

Nas próximas quatro décadas, os gigantes da neve vão perder 42% da área que têm à disposição para viver durante o verão. Os ursos-polares dependem do gelo que flutua à superfície da água do mar para descansar, procurar alimento e cuidar das suas crias.

De acordo com o World Conservation Union, atualmente há entre 20 mil e 25 mil ursos polares no Ártico, ameaçados pela poluição, pela caça, pelo desenvolvimento de cidades, pelo turismo e, principalmente pelo degelo.

Tigres lideram a lista de animais em risco de extinção

(Foto: Creative Commons/Koshyk)

Felinos solitários e caçadores impetuosos, os tigres selvagens estão sob forte ameaça em muitos países como o Camboja, Laos e Vietnã. Estudos estimam a existência de apenas 3.200 exemplares da espécie soltos na natureza, que só 7% do seu habitat original – com uma queda de 40% nos últimos dez anos.

Cobiçados sobretudo por caçadores devido ao alto preço de sua pele e por terem suas partes utilizadas na medicina asiática, a maioria desses animais vive em bolsões isolados espalhados por florestas cada vez mais fragmentadas. Segundo cientistas, três subespécies – o de Bali, do Mar Cáspio, e o tigre de Java – já se extinguiram no século 20.

Muitos pesquisadores acreditam que um quarto, o tigre do Sul da China, já está “funcionalmente extinto”. Em toda a China, existem apenas 50 tigres, enquanto há meio século o número ultrapassava os 4.200. Segundo a WWF, se tirarmos esses predadores do topo da pirâmide alimentar, todo o sistema poderá colapsar.

Fonte: Exame


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