Lançamento de megafoguete pode matar aves migratórias em Portugal


Espetáculo programado para hoje pode aumentar taxa de mortalidade das várias espécies, alerta o FAPAS (Foto: DN Portugal)

O megafoguete que hoje à noite deverá ser lançado do Jardim do Calém, no Porto, em Portugal, pode causar graves problemas às aves migratórias do estuário do Douro, inclusive o aumento da sua taxa de mortalidade. O alerta é do Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, que critica as autarquias do Porto e Gaia por permitirem a realização de espetáculos de fogo de artifício no rio. O maior foguete do mundo, candidato a figurar no Guiness dos recordes, vai ser lançado no âmbito do XII Simpósio Internacional de Pirotecnia que decorre até sexta-feira. O FAPAS faz um apelo: que o evento seja deslocado um pouco para montante, evitando-se que as aves sejam prejudicadas.

A realização de “eventos pirotécnicos de grande intensidade”, nomeadamente o lançamento do megafoguete de 12 quilos “junto a uma importante área de descanso e alimentação de aves migradoras e invernantes só pode resultar da ignorância”, diz Paulo Santos. De acordo com este dirigente da FAPAS, “quando acontecem explosões, ou foguetes, ou qualquer outra perturbação grave, isso faz aumentar a sua mortalidade. Daí que situações como estas não estejam cumprindo a diretiva das aves”, acusa o dirigente da FAPAS.

Paulo Santos considera ainda que “se o bom senso não chega a estas entidades, deveria ser familiar o decreto-lei 140/99 que diz concretamente ser proibido perturbar aves durante o período de migração”.

O principal problema, especifica o mesmo responsável, é que muitas aves, durante a sua migração, encontram-se fragilizadas. Muitas vezes quando são forçadas a deslocar-se de um local para outro não param o tempo suficiente para recuperar energias e para descansar”, o que pode resultar na sua morte.

O FAPAS solicitou a intervenção do vereador do Ambiente da Câmara do Porto, uma vez que os foguetes vão ser lançados desta cidade, e também ao Ministério do Ambiente através do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, [“que é quem tem a responsabilidade de zelar por estas questões”], mas não recebeu resposta de nenhuma das entidades. O DN solicitou um esclarecimento à autarquia portuense, mas sem sucesso.

Até novembro vão estar continuamente a passar aves no estuário do Douro “e nesta zona não têm mais nenhum sítio onde descansar”. A sugestão do FAPAS passa por deslocar o lançamento do foguete mais para montante do rio, afastando-se da zona crítica da Foz. Precisamente para proteger estas aves instalou-se em Gaia, há pouco tempo, a Reserva Natural Local do Estuário do Douro, reitera. No lado do Porto há um observatório ornitológico, mas sem proteção legal, apesar de o estuário ser comum às duas cidades.

Os espetáculos de fogo de artifício, incluindo o lançamento do maior foguete do mundo, candidato a figurar no livro Guiness dos recordes, decorrem durante esta semana (até sexta-feira) e são oferecidos pela organização do XII Simpósio Internacional de Fogo de Artifício, a decorrer no Porto, sob a organização da Associação Nacional das Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE). Ao todo, realizam-se dois espectáculos diurnos e 12 noturnos.

Fonte: DN Portugal


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