Centro de Zoonose do Crato (CE) é autuado por veterinários


O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) autuou o Centro de Zoonoses do Crato, no Ceará,  por falta de um diretor técnico. A inspeção identificou outras irregularidades, entre as quais falta de registro, animais agonizando sem a presença de veterinário para realizar a eutanásia, funcionários não recebem insalubridade, mau cheiro e sujeira. A autuação foi feita pelo diretor do CRMV, Arturo Carvalho, que fiscalizou dois centros de zoonoses, de Crato e Juazeiro.

O diretor administrativo do Centro de Zoonoses, Paulo Henrique Monteiro, explicou que a ausência de um diretor técnico se deve ao pedido de demissão do ex-diretor, Eldon Menezes. Ele garantiu que, ainda esta semana, a secretária de Saúde do Crato, Nizete Tavares, nomeará um veterinário que responderá pela parte técnica do Centro de Zoonoses. Quanto à falta de um veterinário, no momento da inspeção, Monteiro esclareceu que o Centro tem dois veterinários que se revezam no trabalho. Um deles estava de licença, conforme atestado médio apresentado ao fiscal do Conselho.

A direção apresentou também os anestésicos Sedomin e Clortamina, que estão sendo utilizados na eutanásia dos animais, bem como um documento assinado por veterinários e representantes de entidades de proteção aos animais, comprovando que os animais estão sendo sacrificados, de acordo com as exigências da legislação.

Outras eventuais falhas apontadas pelo Conselho como, por exemplo, a utilização de depósitos de plásticos para colocação de alimentos, estão sendo corrigidas, segundo garante o diretor administrativo.

Mais informações:

Centro de Zoonoses do Crato
Avenida Thomaz Osterne, S/N
Região – Cariri
(88) 3521.2698a

Denúncia contra câmara de gás teve repercussão mundial

As denúncias contra irregularidades no Centro de Zoonoses do Crato tiveram início há dois anos. No dia 9 de setembro de 2008, o Diário do Nordeste publicou, reportagem exclusiva, denunciando que os cães apreendidos pelo Centro de Zoonoses eram sacrificados numa câmara de gás, o mesmo processo utilizado pelos nazistas para exterminar os judeus na segunda guerra mundial. Os animais morriam após injeção de gás carbônico, numa câmara hermeticamente fechada. O gás era produzido por um motor Volkswagen, cujo cano de escape era interligado a câmara, um cubículo de apenas 1,5 m quadrado. A reportagem ganhou repercussão internacional.

O método foi questionado pela presidente da União Internacional Protetora dos Animais, no Estado do Ceará (Uipa), Geuza Leitão, com base na resolução nº 714, de 20 de junho de 2002, do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Ela disse que a câmara de gás foi abolida. Com a repercussão da matéria, o modo ilegal de abater os cães foi abolido. Os cachorros passaram a ser sacrificados com injeções de cloreto de potássio, antecedida por anestesia geral.

O método cruel de sacrificar os animais teve repercussão mundial. Organizações internacionais de proteção aos animais produziram um abaixo-assinado eletrônico e, por meio da internet, mais de mil e-mails foram enviados ao jornal, protestando contra a forma de eutanásia praticada pelo Centro de Zoonoses do Crato.

A repercussão foi objeto de outra reportagem que deu destaque ao protesto da Organização Internacional de Proteção dos Animais (Oipa), ONG sediada em Milão, na Itália, que publicou carta na internet contra o modo como era feita a eutanásia dos cães no Centro de Zoonoses do Crato, na região do Cariri. Defensores de animais foram convocados a assinar o abaixo-assinado eletrônico.

Repúdio

O protesto teve como destinatários o Ministério Público do Estado do Ceará, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e a Prefeitura do Crato, além do jornal. O texto repudiava o método da câmara de gás carbônico para o sacrifício dos cães e pedia que os centros de controle de zoonoses sejam impedidos de promover a morte de animais sãos.

A Oipa classificou o sacrifício dos cães na câmara de gás como um “método horrível”. Advertiu que “é importante que as pessoas entendam que os animais não são objetos, são seres vivos que merecem amor e respeito.

Fonte: Diário do Nordeste


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