Salvos do massacre

65 mil cães são salvos do sacrifício em Bali, na Indonésia

Por Danielle Bohnen (da Redação)

Integrantes da associação de Bem-estar Animal de Bali (BAWA, sigla em inglês) colocaram em prática a campanha de vacinação de cães abandonados no distrito de Gianyar. Esse programa não tem apenas o objetivo de evitar epidemias de raiva, como também mostrar às autoridades locais que o sacrifício de animais não é a solução para a erradicação da doença.

Um plano de vacinação de oito meses teve como resultado o balanço de 42.500 cachorros imunizados em Gianyar, evitando assim o sacrifício de 565 mil animais e protegendo 390 mil humanos da epidemia.

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Os cães vacinados são marcados com uma coleira. Este filhote recebeu uma para o seu tamanho, que pode ser ajustada conforme cresce. © WSPA

O sacrifício não é a solução

Depois da epidemia de raiva em 2008, em Bali, as autoridades governamentais ordenaram o sacrifício de animais abandonados com a justificativa de controlar a propagação da doença. A operação gerou terríveis cenas de crueldade na ilha, já que milhares de cães foram envenenados com grandes doses de estricnina, sofrendo dolorosas convulsões e hemorragias internas.

Apesar da oposição local e da recriminação internacional de grupos de proteção animal, pedindo que se interrompesse o sacrifício cruel – as autoridades não estavam dispostas a implementar um programa de vacinação massiva em vez da matança, pois não acreditavam que essa prática os ajudaria efetivamente a controlar a raiva.

Contudo, a eliminação dos cães não evitou a propagação do vírus. Por isso, a Organização Mundial da Saúde apoia a vacinação massiva como a melhor solução para a combater a raiva.

Em dezembro do ano passado, a BAWA iniciou a campanha de vacinação financiada pelos integrantes da WSPA de diferentes partes do mundo para mostrar que é possível e muito mais efetivo controlar a raiva por meio da vacinação, ainda que as autoridades de Bali considerassem como “circunstâncias únicas”.

Oito meses depois, a informação – recolhida meticulosamente cada vez que a BAWA enviava equipes de vacinação de uma cidade à outra – mostrou uma verdade irrefutável: Gianyar é o único território onde as mordeduras de cães foram reduzidas em 50%. Em todas as demais localidades, as mordeduras aumentaram.

“Vacinar mais de 40 mil cães abandonados não é uma tarefa fácil; contudo, a determinação com a qual os integrantes da BAWA o fizeram prova, sem dúvida, que Bali pode, sim, proteger-se da raiva com um programa metodológico de vacinação”, segundo Elly Hiby da WSPA. “Há muitos estudos de casos internacionais que mostram o êxito do controle da raiva por meio da vacinação. Nossos resultados em Gianyar fazem com que o governo não possa negar os fundamentos que fundamentam a escolha dessa campanha”, acrescentou.

De acordo com a diretora da BAWA, Janice Girardi, “o apoio que temos recebido de todos os funcionários da cidade reforçou ainda mais nossa percepção de que a população de Bali se preocupa com os cães de verdade”.

Com informações da WSPA

1 COMENTÁRIO

  1. Que coisa, né?! Mas eles vão conseguir a meta de vacinar TODOS os cães de lá! #força! #força! Eu tive uma cachorra, a Bali, que resgatei de um abrigo aqui na cidade, um amor. Nunca soube ao certo sua raça, mas, pra mim, era a melhor cadela do mundo… Minha Bali era branquinha, pelo comprido, rabo enrolado, uma linda! Nunca acharei outra igual, em nenhuma parte do mundo. Sinto muitas saudades dela. Só de escrever isso, me emociono muito. Ela não está mais aqui, partiu ano passado, a enterrei debaixo de um pé de araçá, tenho a certeza de que cumpriu sua missão nesse mundo. Dei meu primeiro beijo aos 19 anos, numa praia, sob o casto olhar de Bali, dormia em rede com ela, caminhávamos juntas na praia, subia em árvore e repartia fruta com ela… Os tempos eram outros, os valores eram outros, éramos mais ingênuos, não tínhamos tanta maldade. Lamento, mas meus filhos não terão uma cadela como Bali para aprontar mil e uma peripécias, para acompanhá-los crescendo, visto que moramos num apartamento, o que não seria o ambiente adequado para um cachorro grande, tudo culpa da criminalidade. Não consigo escrever isso sem me afundar num mar de lágrimas. Lágrimas de saudade, mas, ao mesmo tempo, lágrimas de esperança. Esperança do Brasil melhorar. Esperança do mundo melhorar. Tanto para humanos quanto para animais.

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