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Olhar nos olhos da vida

28 de junho de 2010
2 min. de leitura
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Assim como podemos estar tristes no meio de muitas pessoas alegres, podemos estar em silêncio mesmo dizendo muitas palavras. Barulho e volume não são sinônimos de que algo está sendo comunicado.

O que é importante sabermos? Do tiroteio na favela, do esquema corrupto do governo, da criança que é viciada em cigarro, do buraco na calçada, da economia mundial?

O que eu preciso saber para mobilizar forças para agir? O que é importante saber para que a minha percepção se aguce e eu então tenha mais forças e recursos para fazer o que é necessário?

Saber todas essas coisas que nos bombardeiam a mente é, em última instância, não saber nada a não ser algumas coisas para citar numa conversa rasa. Saber o que a mídia escolhe me apresentar como importante não é o que eu realmente preciso saber. A mídia não pode pautar o que é importante eu saber para a minha vida. Eu é que tenho de ter esse discernimento. E isso se dá conhecendo a vida olhos nos olhos, tateando com meus próprios braços a realidade.

Portanto, se para mim for mais profícuo uma TV desligada, se para mim for mais proveitoso ler um texto de um amigo, ou ouvir uma música enquanto escrevo, se com isso aprendo mais sobre a vida e sobre mim mesma, então eu posso escolher não fazer o que todo mundo faz, e não assumir o que todos assumem como “necessário”.

E eis que a sombra da realidade não é a realidade. O que me mostra a novela, o telejornal, o programa de auditório, é tudo uma distração do que eu preciso saber.

Um noticiário ideal seria aquele que nos dissesse como podemos facilitar nossas vidas para que nos tornemos mais simples. Como fazer dessas cidades cheias de carros fumacentos, lugares mais próximos do natural, por onde pudessem passar bicicletas e animais. Pois como os animais nos zoos, vivemos nós humanos também um certo grau de confinamento, alheios à pele crua das montanhas, à pureza verde das árvores vivas. Penamos muito até encontrar um lugar onde haja uma sombra para descansar.

Preciso saber como é olhar nos olhos de um coala. Como é essa liberdade dos pássaros e por que eles nos temem. Quero o cheiro do mar, a textura da areia. Quero eu mesma tocar o mundo e encher um jardim de animais livres me ensinando sobre a vida.

Mas pressinto que esse mundo onde todos os seres possam viver mais dignamente e realizar-se no que nasceram para ser só se pode construir, a uma altura dessas, em um mundo paralelo a esse mundo, onde tudo já está estabelecido. Só teremos uma vida outra se criarmos um mundo dentro do mundo. Se fizermos nós mesmos. E assim, de dentro pra fora, quem sabe com o tempo, esse mundo maior, esse engessamento do que somos, vá sendo implodido, restando a nós apenas nós mesmos. E o que pertencerá a nós, de fato, é o que poderemos doar aos outros.

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