Baleias rendem bilhões de dólares vivas e sem exploração


Para os países que não as caçam, as baleias que chegam ao seu litoral têm um valor que não se mede em toneladas de carne, mas em milhões de turistas e bilhões de dólares. No ano passado, mais de 13 milhões de amantes da natureza observaram baleias em 119 países, gerando dois bilhões de dólares, informou na quinta-feira (24) o ministro australiano da Ecologia, Peter Garret, ante a Comissão Baleeira Internacional (CBI) reunida em Agadir (sudoeste do Marrocos) até sexta-feira (25).

Este organismo fundado em 1946 para regular a caça às baleias é também o único que administra as populações destes grandes cetáceos. Há 14 anos, criou um grupo de trabalho científico dedicado à observação de baleias (“whale watching”), atividade turística em plena expansão, que permite admirar as gigantes dos mares a bordo de um barco.

Segundo o primeiro estudo sobre o tema, feito pelo Fisheries Center da Universidade da Columbia Britânica (Canadá), a observação de baleias – chamada eufemisticamente pela CBI de “exploração não letal das baleias” – poderia render US$ 3 bilhões ao ano e gerar 24 mil empregos no mundo. A América Latina é muito ativa na CBI: a observação de baleias, em ascensão de mais de 11% ao ano desde o fim dos anos 1990, três vezes mais que a média mundial, representa um negócio de US$ 278 milhões que atrai um milhão e meio de aficcionados.

“Na Península Valdés (Patagônia argentina), mais de 200 mil turistas vêm ver as baleias entre junho e dezembro”, contou Roxana Schteinbarg, diretora do Instituto de Conservação de Baleias de Buenos Aires. “Não há necessidade de matá-las para tirar proveito delas”. A maioria dos países da região – acrescentou – adotou regras de observação.

Para se fazer ouvir, uma centena de operadoras latino-americanos e caribenhas apresentaram, por iniciativa da Argentina, uma declaração ante a CBI reivindicando a manutenção da moratória para a caça comercial, o respeito dos santuários baleeiros e a criação de um novo santuário no Atlântico Sul. A Nova Zelândia, de onde se zarpa para ver as baleias azuis e cachalotes, “produz mais de US$ 80 milhões” com a atividade, disse Karena Lyons, membro da delegação. “Isto garante ganho máximo para as comunidades locais e um impacto mínimo para as baleias”.

Na quinta-feira, a CBI deu sua autorização para um plano estratégico quinquenal sobre a observação das baleias, cujo objetivo será enquadrar o desenvolvimento desta atividade e reduzir os impactos sobre os cetáceos. “O plano quinquenal”, segundo Vincent Ridoux, especialista francês do comitê científico da CBI, “deve permitir avaliar as moléstias causadas nos diferentes locais e os impactos do acúmulo destas moléstias”. Também deve ajudar os pequenos Estados a se dotarem das melhores condições possíveis.

No Caribe, a República Dominicana, com 25 mil turistas embarcados por temporada, é a mais bem situada. Os países do Pacífico também são grandes solicitantes e mais de uma dezena deles criaram santuários baleeiros. “Esta poderia ser uma atividade multimilionária”, disse Sue Taei, do Pew Environment Group de Samoa. “Mas, em Fiji, não há observação de baleias e, em Tonga, os barcos fazem fila porque não há suficientes cetáceos devido à caça ilegal e intensiva dirigida pelos russos”.

Fonte: Terra


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