Mesmo com poucos recursos, Parque Biológico já tratou mais de 18 mil animais


É num antigo pré-fabricado que já serviu de escritório da EDP na Barragem do Torrão que a equipe do Centro de Recuperação do Parque Biológico de Gaia trata e salva animais, muitas vezes de uma morte certa e dolorosa. Em 25 anos, acolheu mais de 18 mil.

O trabalho é feito com poucos meios e num edifício envelhecido, mas permite dar uma segunda oportunidade a animais abandonados pelos tutores, feridos e capturados pelas autoridades. Em colaboração com o Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Parque Natural da Serra da Estrela, foi possível devolver alguns à natureza após meses de recuperação. O bufo-real, que chegou com hematomas, escoriações na asa esquerda e queimaduras (em dezembro de 2006) depois de bater em cabos de alta tensão, é um bom exemplo. Voltou à liberdade em agosto de 2007. Tal como o bufo-real, grande parte dos pacientes do centro são aves. O pintassilgo, o pombo, a gaivota, o melro, o pintarroxo, o andorinhão, o chamariz, a gralha-preta e a águia de asa redonda estão entre os visitantes habituais. Porém, a variedade de espécies que o centro recebe desde 1985 é assinalável. De ano para ano, o número de animais acolhidos tem aumentado. No ano passado contaram-se 2.660, mais 668 do que em 2008. A maioria foi entregue por particulares.

“O grande valor desta atividade de recuperação dos animais não é para a conservação da natureza, mas para a sensibilização ambiental. As pessoas estão cada vez mais conscientes e, por isso, sobe o número de entregas no parque”, entende Nuno Oliveira, presidente do Parque Biológico. As estrelas do momento são quatro petos verdes (pica-paus) rumo à adolescência.

“Foi um carrinho que bateu numa árvore e fez tombar um ramo. Houve alguém que ouviu piados no interior do tronco. Era um ninho de petos”, conta a veterinária Vanessa Soeiro. A incubadora ajudou as aves a fortalecerem-se. O próximo passo é ensiná-las a procurar comida sozinhas. “Vamos colocá-las numa gaiola pequena, onde terão um tronco com escaravelhos e larvas para ver se têm o instinto de ir buscar comida”, atenta. Se correr bem, mudar-se-ão para um espaço maior para ensaiarem o voo. Quando tiverem autonomia, serão libertadas. Para Vanessa Soeiro, esse é o momento mais gratificante do trabalho.

O sonho da equipe do Parque Biológico é poder dar mais conforto e melhores condições de recuperação aos animais, razão pela qual procuram, há anos, financiamento comunitário para renovar as instalações e construir um túnel de voo e duas câmaras de muda. Bastam 300 mil euros. As duas primeiras candidaturas foram chumbadas. A terceira foi aprovada recentemente, mas ficaram a sabendo, depois, que afinal não havia verba para distribuir. “Não é justo que seja só o Município de Gaia a pagar a fatura. Estamos nos fazendo de hospital público e exercendo uma competência que é do Estado”, conclui Nuno Oliveira.

Fonte: Jornal de Notícias


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