Biólogos divergem sobre exploração dos animais na TV


Foto: O Globo

Cada vez mais requisitados pela TV, os biólogos – profissionais presentes em variadas atrações de auditório e jornalísticas como o “Globo mar” – estão no centro de uma polêmica: a forma como os animais são mostrados no vídeo. Há os que defendam que lugar de bicho é a natureza e não diante das luzes dos estúdios de televisão.

Bicho virou ferramenta para atrair o público na TV. Mas tem que ver como isso é feito. Programas como “Entre picadas e mordidas” (exibido pelo canal NatGeo) são vazios e não passam recado nenhum – critica o biólogo Richard Rasmussen, apresentador do “Aventura selvagem”, do SBT.

Hoje, Rasmussen se dedica exclusivamente à televisão. Famoso pelas viagens de aventura, ele já passou pelo Canal Futura e foi titular do quadro “Selvagem ao extremo”, exibido no “Domingo espetacular”, na Record, antes de ganhar uma atração própria no SBT. A receita atual é a mesma que o consagrou: o biólogo se embrenha em cenários naturais para entrar em contato direto com os mais variados animais. Para ele, essa é a forma ideal de tratar o assunto.

“Levar o animal para um estúdio é uma forma barata de mostrá-lo. Não é ideal e nem o que se prega atualmente em biologia. Mas acho que cabe ao público identificar quem apenas usa o bicho como chamariz “, provoca.

Colega de emissora de Rasmussen, o biólogo Sérgio Rangel é titular de quadros da apresentadora Eliana há 16 anos, desde a época em que ela mirava no público infantil. Com viagens marcadas para Barbados, no Caribe, e San Diego, nos Estados Unidos, onde gravará com animais para o dominical do SBT, Rangel faz parte da turma que também costuma levar os bichos para os palcos.

“Claro que o mais legal é mostrar o bicho in loco. Mas não vejo problemas em levar animais criados em cativeiro para um estúdio. Ninguém capturou o bicho ontem para expor num palco cheio de luzes”, argumenta.

Para o biólogo, que começou no vídeo no extinto “TV animal”, ao lado de Gugu Liberato, inaceitável mesmo é errar ao passar uma informação. “Você tem que ter certeza do que está falando, ser preciso na informação. Não pode falar abobrinha. Tenho que passar uma visão de educador e não de um herói que quer subjugar os bichos pulando em cima deles”, defende o biólogo do “Eliana”.

Apesar de não ter um quadro fixo no “Tudo é possível”, apresentado por Ana Hickmann na Record, o biólogo Diego Sanchez é figura recorrente na atração. Além de acompanhar a apresentadora em suas viagens de aventura, o profissional exibe animais no palco, assim como Rangel. Nestes programas, é comum ver o bichos “contracenando” com famosos em joguinhos.

Professor da UFRJ, o carioca Marcelo Vianna só mostra animais em seu habitat. Parte da equipe do “Globo mar”, ele divide seu tempo agora entre a vida acadêmica e as viagens para a produção. “Fico à vontade, mas não sou um cara de TV. Sou um pesquisador e tenho que preservar essa imagem”, defende Vianna, biólogo marinho, especialista em peixes e pesca.

“Minha maior dificuldade é pegar informações científicas e passar para o público leigo sem que o assunto fique desinteressante”, explica.

Parte da equipe do quadro “Domingão aventura”, exibido no programa de Fausto Silva, na Globo, o biólogo João Paulo Krajewski também grava os bichos em cenários selvagens. Formado em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Campinas, com mestrado em Ecologia, ele se envolve na produção, gravação, edição e apresentação dos vídeos exibidos no dominical.

“No campo a equipe é pequena, normalmente somos eu e um cinegrafista. Mas já tive viagens com equipe de três pessoas, incluindo o amigo Lawrence Wahba, que também apresenta o quadro”, diz Krajewski.

O biólogo, que costuma ser sabatinado no palco por Faustão enquanto mostra os vídeos, não determina tempo exato para suas viagens: “Tive viagens em que gravamos todas as imagens em apenas um ou dois dias. Mas já fiz expedições de um mês em que horas e horas de imagens renderam três ou quatro programas”.

Fonte: O Globo 

Nota da Redação: Levar animais a palcos, competições, estúdios, cenas de novela, e toda sorte de exposição para fútil “entretenimento” humano constitui exploração e deve ser definitivamente banido. Isso vale não apenas para animais silvestres retirados de seu habitat, mas também aos já domesticados. Não há nada de educativo na manipulação de animais pelos humanos, seja por que motivo for. Ao contrário, passa-se a visão errônea de que podemos explorá-los à vontade como se fossem brinquedos, objetos. Ao se “estudar” os animais em seu próprio habitat também se corre o risco, ao invadir seu território, de assustar, incomodar, afugentar,  interferir na sua natureza. É preciso cautela, bom senso e respeito ao se invadir o espaço dos animais. 


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