ONG que cuida de cães em Recife vende CDs para ajudar a pagar as contas


Emídia Felipe
emidiafelipe@gmail.com

À espera de um lar (Foto: Emídia Felipe)

Lá está você, nativo ou turista, em um bar no Recife (PE). Entre uma cerveja e outra, uma menina aparece oferecendo um CD de forró por R$ 5. “Até que está barato”, você pensa. Mas quando compra um desses discos das sorridentes moças que percorrem os points da capital pernambucana, você também dá uma pequena dose de esperança aos cães carentes da PET PE, ONG local que serve de casa de passagem para cachorros abandonados.

Funcionando há um ano e oito meses, a PET PE está instalada em uma ampla casa de espaçosa varanda em Candeias, em Jaboatão dos Gararapes (Região Metropolitana do Recife). Descrevendo-se assim, pode parecer se tratar de uma instituição de fartos recursos, mas a fartura deve ser mesmo de força de vontade. O empresário Jaime Medeiros, 32 anos, e a estudante de enfermagem de 26 anos Amanda Fonseca contam com a ajuda de alguns voluntários para manter o projeto, que tem despesa mensal por volta dos R$ 6 mil e atende até 50 cães de uma vez só.

Todos os cômodos da casa são ocupados pelos animais, de vários portes e mazelas. Até dias atrás, havia 44 cachorros à espera de adoção. Muitos chegam severamente debilitados, como Faísca, cuja pata traseira estava em carne viva – possivelmente queimada intencionamente, segundo a avaliação de Amanda – e Alvinha, que tem cinomose – da qual um dos sintomas é a paralisia – e está sendo tratada com acupuntura. Outras aparecem com pequenas surpresas: duas cadelas tiveram filhotes durante a passagem pela ONG.

Quando fala em passagem, Amanda frisa que a ONG é uma casa de passagem. “Ficamos o mínimo de tempo possível, para evitar que eles acreditem ter achado um lar e logo tenha que partir novamente, evitando que eles se sintam abandonados outra vez”, esclarece.

Levados por alguém ou encontrados pelos coordenadores, os cães são tratados, castrados, vermifugados e disponibilizados para adoção somente quando estão saudáveis. O custo do primeiro mês com cada animal chega perto dos R$ 300. Para fazer frente às despesas, a PET PE conta com 11 padrinhos fixos – que pagam R$ 50 por mês pelo afilhado, para ajudar nas despesas -, algumas poucas doações, venda de CDs – que vão acompanhados de fotos dos animais – e parcerias com empresas. Mesmo assim, o caixa está sempre pedindo socorro, mesmo com o dinheiro vindo do bolso de Amanda e Medeiros. Ele mora em um espaço menor do que o dedicado aos cachorros, nos fundos da sede da PET PE.

O impulso para o investimento a fundo perdido e a disposição necessária – atualmente eles funcionam todos os dias – vêm da satisfação em colecionar finais felizes, como os descritos no site www.petpe.com.br. “Não tem coisa melhor pra nós do que vê-los melhorando, nos apaixonamos desde quando chegam e vibramos quando achamos um novo lar”, conta Medeiros.

Filhotes nascidos na ONG (Foto: Emídia Felipe)

Adoção

Com cerca de 20 adoções por mês, a ONG faz cadastro dos interessados com documentos e é assinado um contrato em que a pessoa se compromete em cuidar bem do animal. “Esse instrumento nos dá segurança para cobrarmos isso até juridicamente, se for o caso”, comenta Medeiros, relatando a cautela da PET PE para garantir que o cão não será abandonado.

Recém-casados e crianças com menos de 10 anos estão fora do perfil aceito para quem vai adotar na PET PE. Amanda e Medeiros explicam que eles compõem o grupo em que há mais casos de devolução, especialmente porque descobrem que cuidar de um cão não é como ter um objeto de decoração em casa. Após adotado, o animal e a família são acompanhados, com fotos e visitas surpresas.

Atualmente, Amanda e Medeiros fazem planos. Eles pretentem implantar prestação de serviços a baixo custo, como hotel e vacinação, voltados para as pessoas que têm cachorros adotados na PET PE. Além de gerar uma pequena renda para a ONG, é mais atraente para os tutores dos animais, incentivando a deixá-los em um local seguro ao invés de abandoná-los durante períodos como as férias.

Serviço

PET PE
www.petpe.com.br
(81) 3478-8080/8898-8080


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