Em vez de ‘bichoduto’, Arco pode ganhar dois viadutos para proteger pererecas


Após nove meses de paralisação parcial por causa da descoberta de uma perereca rara no meio do caminho, as obras do Arco Rodoviário no Rio de Janeiro poderão ser retomadas em breve (leia notícia publicada aqui na ANDA). O governo do estado enviou ao Ministério do Meio Ambiente duas soluções para a preservação da Physalaemus soaresi: a implantação de uma espécie de “bichoduto”, um túnel que permite a circulação dos animais; ou dois viadutos sobre a área onde vivem os animais ameaçados de extinção. Os viadutos seriam batizados de Dercy Gonçalves, que fez sucesso com a música “Perereca da vizinha”, como noticiou nesta terça-feira Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, mas a decisão não é oficial.

“Os viadutos do Arco não têm nomes. A indicação do nome da Dercy é mais uma piada em torno da perereca, mas que não tira a gravidade da questão. Infelizmente, não dará para homenagear a Dercy. Não é essa a missão do Arco”, disse o subsecretário de Urbanismo, Vicente Loureiro, responsável pela obra no trecho a cargo do estado.

Uma das áreas da Floresta Nacional que estão em obras: local onde vive a espécie rara (Foto de aquivo de Marcelo Carnaval - O Globo)

O trecho em questão fica entre a Via Dutra e o Porto de Itaguaí e corta a Floresta Nacional Mário Xavier, uma unidade de preservação. Segundo Loureiro, assim que uma das soluções forem aprovadas, a mudança será submetida ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Com o sinal verde do Instituto Chico Mendes, o subsecretário acredita que o trecho fique pronto até o fim do ano:

“O presidente do instituto já recebeu as propostas e prometeu examinar o mais rapidamente possível. A demora é necessária pois uma espécie está em jogo.”

(Ouça o canto nupcial da perereca)

Analista ambiental do Instituto Chico Mendes, Rogério Rocco diz que a ideia dos viadutos com um “bichoduto” foi aceita pelos técnicos do instituto. Ele disse que falta apenas o governo apresentar um projeto detalhado das mudanças.

“A ideia do ‘bichoduto’ existe antes da sugestão de erguer ali um viaduto porque a unidade de conservação já foi cortada pela rodovia. A solução seria a estrada passar fora da flora para não produzir impacto no local. A sugestão dos viadutos minimiza, mas não elimina o impacto. O governo, no entanto, se comprometeu a fazer cercas vivas para reduzir o ruído e a carga de fumaça emitida pelos carros. O ideal seria não passar pela unidade de conservação. Porém, a proposta dos viadutos melhora o cenário.”

Physalaemus soaresi só existe ali

Iniciada em 2008, a estrada de 145 km que ligará Itaboraí ao Porto de Itaguaí, cortando rodovias e cinco municípios, foi orçada em quase R$ 1 bilhão (recursos da União, do governo estadual e de uma concessionária privada) e estava prevista para terminar este ano. O projeto pretende facilitar o acesso de cargas de toda a malha rodoviária do país a Itaguaí. A obra parou em setembro no trecho, devido à descoberta da perereca, de apenas 2 cm, por pesquisadores da UFRJ e de 28 sítios arqueológicos. Desde a sua identificação naquela área, em 1965, a Physalaemus soaresi jamais foi localizada em outro lugar do planeta.

Fonte: O Globo


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